Rui Serra

Rui Serra

n. 1972 -- --

rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário.

n. 1972-11-19, Serpa

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dia mundial da poesia 2016

venero esse veneno que escorre das palavras
e amo-as
e essa sua sombra tenebrosa
envolve-me a alma
que significados ocultos encerram
que sentimentos pecaminosos descrevem
por vezes não as reconheço
quando materializadas no amargo do verbo
alinhadas
em posições calculadas
tecem em verso segredos invisíveis
entre versos errantes
que nos trazem à tona os fantasmas das noites alucinantes
e é no poema calado
mudo
sem forma
entre a bruma
que permeiam as letras vadias
o espirito rebelde das palavras
que constroem versos
que corroem o espectro dos poemas
não mais reconheço
estas letras que formam palavras
no poema oculto
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Poemas

105

ndugcts . 079

tão vastas e profundas obras
tenho visto
onde o meu pensamento
tem disfrutado
já eu não vou a lado algum
sou só um nome
um nome comum
em tristes dias os meus prantos
arrancam-me suspiros da alma
faço versos, simples, singelos
que não têm nada de belos
como outrora alguém me disse
que também eu sou um verso
não sou alegre nem triste
sou apenas um suspiro
numa folha de papel
ah! sabe-me a boca a fel
227

ndugcts . 073

perdi-me nos dias negros
perdi-me nas lágrimas de sangue
nas vozes dos monstros que habitam a escuridão
perdi-me aos poucos e sem pressas
perdi-me e fui-me tornando a perder
perdi o sorriso
perdi a tranquilidade
perdi a calma
perdi a paz
e nos teus lábios perdi a inocência
233

ndugcts . 076

olho as linhas
que se alinham
num simples emaranhado
estranho o palavreado
que descreve
esta figura estranha
que sou eu
231

ndugcts . 075

acordo
cansado
da cidade
dos carros
das luzes
das pessoas
do barulho
sem saber
para onde ir
que caminho percorrer
por agora
só tenho a opção
de apenas ser
222

ndugcts . 078

morro a cada instante
revivendo cada lágrima escondida
no meu peito
onde a dor demora
na realidade infinita
fito os olhos da vida
olhos vazios de esperança
morro na tempestade
a cada fim de tarde
morro
onde a morte já sumiu
morro aqui
nu
vazio
209

ndugcts . 074

gosto do só
do só de sozinho
do café sozinho
do ler sozinho
de andar sozinho
de ficar sozinho
mas jamais
de estar sozinho
214

ndugcts . 072

no silencio
de mil palavras
um sopro de vida... envolve-me
perco-me no tempo para todo o sempre,
e existo
no silêncio das ondas,
um sopro de vida... envolve-me
e perco-me no tempo para todo o sempre,
e existo
na perfeição das ondas
onde o mar calmo
me acaricia os cabelos
e gotículas escorrem-me pela face
266

ndugcts . 070

desce à terra gelada
a noite fria
o silêncio da escuridão liberta-me
das horas que me condenam
na sombra
aguardo as tuas palavras
que chegam
em sussurros pequenos
que poder é este?
estremeço
sossego
não há noite sem memórias
264

ndugcts . 069

revejo os meus dias
sobre este fundo preto
onde escrevo em silêncio
palavras tingidas de escarlate.
escrevo aqui sentado
na calma dos dias
e torno-me alimento
dos vermes que habitam esta terra

porque algumas coisas são assim
teimosas, imprevisíveis e eternas
240

ndugcts . 071

procuro as saídas
no labirinto da vida
e perco-me
na solidão dos meus dias
trilho caminhos
incaminháveis
na procura do sentido da vida
caminhos
tristes
complicados
difíceis
que machucam a minha alma
mas eu vou continuar
até te encontrar
271

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