Lista de Poemas
PLEONÁSTICO n°1
Às vezes, a entender o que se diz
Carece reforçar a frase dita.
Mesmo que não pareça tão bonita...
A alguns soando até meio infeliz.
O facto é que a clareza que se quis
Importa mais que a falta que ora irrita:
Ao mau entendedor, que se repita
Até que bem diante do nariz.
Ora redundante; ora reticente,
O discurso ardiloso se apresente,
Primeiro sendo e após especulando.
Não caiba dúvida onde comunica,
Certo de que a linguagem é mais rica
Se bem enfatizar de vez em quando.
Betim - 28 06 2018
Carece reforçar a frase dita.
Mesmo que não pareça tão bonita...
A alguns soando até meio infeliz.
O facto é que a clareza que se quis
Importa mais que a falta que ora irrita:
Ao mau entendedor, que se repita
Até que bem diante do nariz.
Ora redundante; ora reticente,
O discurso ardiloso se apresente,
Primeiro sendo e após especulando.
Não caiba dúvida onde comunica,
Certo de que a linguagem é mais rica
Se bem enfatizar de vez em quando.
Betim - 28 06 2018
👁️ 282
APENAS EU
Primeiro e único a estar aqui e agora,
Admiro enmimesmado a quietude
Da distância galgada em solitude
N'uma clareza qu'hoje me apavora.
Há muito tempo atrás eu fui embora,
Das terras d'este vale imenso e rude.
Mas, não importa o quanto tudo mude:
Mais em mim a saudade se assenhora...
Apenas eu passei por essa estrada
Que, inapelavelmente, é minha vida,
Entre idas e vindas caminhada.
Olho-a como se sempre de partida,
Na iminência da próxima jornada,
Embora à luz da lágrima incontida.
Caratinga - 12 10 2013
Admiro enmimesmado a quietude
Da distância galgada em solitude
N'uma clareza qu'hoje me apavora.
Há muito tempo atrás eu fui embora,
Das terras d'este vale imenso e rude.
Mas, não importa o quanto tudo mude:
Mais em mim a saudade se assenhora...
Apenas eu passei por essa estrada
Que, inapelavelmente, é minha vida,
Entre idas e vindas caminhada.
Olho-a como se sempre de partida,
Na iminência da próxima jornada,
Embora à luz da lágrima incontida.
Caratinga - 12 10 2013
👁️ 384
CONTRALUZ
Olhei e vi o céu todo rajado
Co'o sol dourando as nuvens de través.
Vendo-me ver a luz em seu revés,
Parou uma mulher logo ao meu lado.
Ela também olhava. Impressionado,
Eu vi descer o sol quase aos meus pés
E refulgir em mil tons através
Das cores de seu rosto iluminado.
Ali, diante do belo, ela sorria.
Ainda que não visse como a via
Em forte contraluz de claro-escuro.
Porquanto bela, sim, a Natureza.
Faz-se, porém, mais bela que a beleza,
Uma mulher mudada em ouro puro!...
Betim - 26 06 2018
Co'o sol dourando as nuvens de través.
Vendo-me ver a luz em seu revés,
Parou uma mulher logo ao meu lado.
Ela também olhava. Impressionado,
Eu vi descer o sol quase aos meus pés
E refulgir em mil tons através
Das cores de seu rosto iluminado.
Ali, diante do belo, ela sorria.
Ainda que não visse como a via
Em forte contraluz de claro-escuro.
Porquanto bela, sim, a Natureza.
Faz-se, porém, mais bela que a beleza,
Uma mulher mudada em ouro puro!...
Betim - 26 06 2018
👁️ 456
À LUZ DE LAMPIÕES (rondó)
E se, por uma rua escura,
Luzindo em minha desventura,
Os lampiões junto ao sobrado.
Talvez ali, iluminado,
Eu m'embriagasse de ternura,
Se nem a lua àquela altura
Me iluminava a conjectura
Por onde havia madrugado...
-- E se, por uma rua escura...
Se nem a lua mais figura
Na ouropretana arquitetura,
Talvez lampiões do passado
Em meio ao largo serenado,
Trouxessem enfim calentura...
-- E se, por uma rua escura...
Ouro Preto - 10 02 2012
Luzindo em minha desventura,
Os lampiões junto ao sobrado.
Talvez ali, iluminado,
Eu m'embriagasse de ternura,
Se nem a lua àquela altura
Me iluminava a conjectura
Por onde havia madrugado...
-- E se, por uma rua escura...
Se nem a lua mais figura
Na ouropretana arquitetura,
Talvez lampiões do passado
Em meio ao largo serenado,
Trouxessem enfim calentura...
-- E se, por uma rua escura...
Ouro Preto - 10 02 2012
👁️ 361
O ESQUELETO DE PINGUIM
-- "Hoje eu vi um esqueleto de pinguim." -- disse-lhe a menina, do nada. Ele coçou a cabeça e olhou para a distância como se tentasse visualizar a incomum imagem da ave que não voa sem a roupagem negra que o caracteriza. Não conseguiu. Sem saber bem o que dizer, saiu-se com um vago: -- "Que bom, filhinha." -- e escondeu a total ignorância sobre pinguins esqueléticos no jornal que lia. A menina, frustrada, com a reacção do pai, voltou para o parquinho e foi brincar no escorrega.
Ele, contudo, não conseguia mais fixar na leitura das notícias. A ideia do esqueleto de pinguim lhe parecia quase surreal. Não que imaginasse tais aves invertebradas ou que se dissolvessem imediatamente nas nevascas após a morte, mas era incapaz de dar imagem àquele pensamento. Isso o frustrava profundamente enquanto olhava para sua filha brincando, já esquecido de todo do jornal. Sim, n'aquela tarde tranquila, enquanto a filha brincava, quedou enfeitiçado pelo demônio da monomania...
Nada a fazer, nada fez. Não havia ali livros para consultar. O telefone móvel, inútil, estava sem bateria. Ele era, aliás, um d'aqueles raros seres do milênio passado que odiava atender ligações na rua e que frequentemente se esquecia de pôr para carregar o celular antes de sair. Considerava uma impertinência sem tamanho as pessoas pensarem que todos estão o tempo todo disponíveis para todos. Ele, não! Ele queria estar ali, agora, relacionando-se com o presente imediato ao invés de se perder em nuvens de informações com fotos ruins ou vídeos ainda piores. Saíra de casa para levar a filha ao parquinho e levara o jornal mais para se proteger do sol do que para se informar. E eis que, provocado pela imagem absurda, deseja subitamente ter um celular à mão para fazer uma busca. Tateou os bolsos, mas, como de hábito, o aparelho estava apagado... Maldisse, como tantas vezes já o fizera, àquela mania de se sabotar deixando telefones sem carga. Olhou para os lados e viu alguns pais e mães que, como ele, estavam esperando a brincadeira dos filhos terminar para irem para outro lugar. Como se tornou comum hoje em dia, quase todos estavam olhando para as telas azuis dos seus aparelhos, totalmente desligados do que faziam os filhos no parquinho. Pensou em pedir um celular emprestado, mas repeliu quase de imediato a ideia. Afinal, que haveria-de dizer: -- "Por favor, empreste-me o celular para saber como é um esqueleto de pinguim..."! -- Não, não... Nada a ver!... Poderia mentir, dizendo estar n'uma emergência, mas aquilo lhe pareceu ainda pior: Era péssimo mentiroso! Quando ousava soltar uma mentirinha, por mais inofensiva que fosse, seu corpo parecia se pôr em revolta contra sua mente e a denunciava por todos os meios possíveis: Gaguejava, furtava-se a olhar o outro nos olhos, corava sem mais nem quê e ria sem que houvesse do que rir.... Era um embusteiro patético que não enganava nem uma criança de colo. Tinha de haver outra solução!
Não, aquilo era absurdo! Não tinha-de saber como era o esqueleto d'um pinguim! Valha-me Deus! Por que a menina teve-de lhe falar d'aquilo? Mas era horrível a sensação de não saber... Por mais que se esforçasse, a ideia do pinguim sem carne não correspondia a qualquer imagem possível em sua mente. E a angústia o tomava d'uma maneira absurda de modo que repetidas vezes se imaginou abordando um dos presentes para pedir o celular e sanar sua curiosidade. Não o fez, contudo, contendo-se heroicamente do ridículo de ser denunciado em sua curiosidade mal-sã tão logo devolvesse o aparelho e o outro lhe visse a busca absurda no histórico. Não. Absolutamente, não! Não se exporia a um vexame d'esses com desconhecidos.
Tinha-de haver outra forma... Ir para casa, então! Mas havia prometido aquele passeio à menina durante a semana toda!... Não podia simplesmente arrancá-la d'ali e ir para casa: Ela não entenderia. E com razão! Foi com muita insistência que a menina o fizera vir ao parquinho. Semanas de insistência! Pensou n'algum artifício, mas nada lhe vinha além das mentiras mais toscas e das desculpas mais vazias. Não havia meio: Tinha-de esperar a filha querer ir para casa. Ela era demasiado esperta para cair n'uma esparrela qualquer. Ademais, haviam acabado de chegar.
Ele se sentou no banco do parquinho e pôs o jornal de lado. Por mais que se esforçasse, via apenas o pinguim, negro e simpático, bem encarnado e penado. Confundia-se: Pinguim tem bico ou não? Dá para ver seus olhos? Evocando lembranças de documentários assistidos em tardes de tédio mal conseguia fixar alguma imagem para além dos desenho caricatos que as animações consagraram. Os pinguins em sua mente não se pareciam sequer com a ideia de pinguim que guardava... Vivendo nos trópicos e longe dos grandes centros, obviamente jamais vira um pinguim de perto. Não sabia quase nada sobre o bicho e admiti-lo era doloroso n'aquele momento. Como podia ser? Como o esqueleto de pinguim?!
Exausto após quase uma hora de devaneio, chamou a filha e lhe perguntou: -- "Querida, onde mesmo viste o tal esqueleto de pinguim? Foi no caminho para cá? Vamos voltar lá para o papai ver também! Exclamou vitorioso com a solução enfim encontrada.
-- "Que pinguim? Não, não era um pinguim... -- respondeu ela sem entender -- Era uma avestruz!" -- e, de novo, ele olhou para o vazio, preso àquel'outra imagem ainda mais inimaginável...
Betim - 22 06 2018
Ele, contudo, não conseguia mais fixar na leitura das notícias. A ideia do esqueleto de pinguim lhe parecia quase surreal. Não que imaginasse tais aves invertebradas ou que se dissolvessem imediatamente nas nevascas após a morte, mas era incapaz de dar imagem àquele pensamento. Isso o frustrava profundamente enquanto olhava para sua filha brincando, já esquecido de todo do jornal. Sim, n'aquela tarde tranquila, enquanto a filha brincava, quedou enfeitiçado pelo demônio da monomania...
Nada a fazer, nada fez. Não havia ali livros para consultar. O telefone móvel, inútil, estava sem bateria. Ele era, aliás, um d'aqueles raros seres do milênio passado que odiava atender ligações na rua e que frequentemente se esquecia de pôr para carregar o celular antes de sair. Considerava uma impertinência sem tamanho as pessoas pensarem que todos estão o tempo todo disponíveis para todos. Ele, não! Ele queria estar ali, agora, relacionando-se com o presente imediato ao invés de se perder em nuvens de informações com fotos ruins ou vídeos ainda piores. Saíra de casa para levar a filha ao parquinho e levara o jornal mais para se proteger do sol do que para se informar. E eis que, provocado pela imagem absurda, deseja subitamente ter um celular à mão para fazer uma busca. Tateou os bolsos, mas, como de hábito, o aparelho estava apagado... Maldisse, como tantas vezes já o fizera, àquela mania de se sabotar deixando telefones sem carga. Olhou para os lados e viu alguns pais e mães que, como ele, estavam esperando a brincadeira dos filhos terminar para irem para outro lugar. Como se tornou comum hoje em dia, quase todos estavam olhando para as telas azuis dos seus aparelhos, totalmente desligados do que faziam os filhos no parquinho. Pensou em pedir um celular emprestado, mas repeliu quase de imediato a ideia. Afinal, que haveria-de dizer: -- "Por favor, empreste-me o celular para saber como é um esqueleto de pinguim..."! -- Não, não... Nada a ver!... Poderia mentir, dizendo estar n'uma emergência, mas aquilo lhe pareceu ainda pior: Era péssimo mentiroso! Quando ousava soltar uma mentirinha, por mais inofensiva que fosse, seu corpo parecia se pôr em revolta contra sua mente e a denunciava por todos os meios possíveis: Gaguejava, furtava-se a olhar o outro nos olhos, corava sem mais nem quê e ria sem que houvesse do que rir.... Era um embusteiro patético que não enganava nem uma criança de colo. Tinha de haver outra solução!
Não, aquilo era absurdo! Não tinha-de saber como era o esqueleto d'um pinguim! Valha-me Deus! Por que a menina teve-de lhe falar d'aquilo? Mas era horrível a sensação de não saber... Por mais que se esforçasse, a ideia do pinguim sem carne não correspondia a qualquer imagem possível em sua mente. E a angústia o tomava d'uma maneira absurda de modo que repetidas vezes se imaginou abordando um dos presentes para pedir o celular e sanar sua curiosidade. Não o fez, contudo, contendo-se heroicamente do ridículo de ser denunciado em sua curiosidade mal-sã tão logo devolvesse o aparelho e o outro lhe visse a busca absurda no histórico. Não. Absolutamente, não! Não se exporia a um vexame d'esses com desconhecidos.
Tinha-de haver outra forma... Ir para casa, então! Mas havia prometido aquele passeio à menina durante a semana toda!... Não podia simplesmente arrancá-la d'ali e ir para casa: Ela não entenderia. E com razão! Foi com muita insistência que a menina o fizera vir ao parquinho. Semanas de insistência! Pensou n'algum artifício, mas nada lhe vinha além das mentiras mais toscas e das desculpas mais vazias. Não havia meio: Tinha-de esperar a filha querer ir para casa. Ela era demasiado esperta para cair n'uma esparrela qualquer. Ademais, haviam acabado de chegar.
Ele se sentou no banco do parquinho e pôs o jornal de lado. Por mais que se esforçasse, via apenas o pinguim, negro e simpático, bem encarnado e penado. Confundia-se: Pinguim tem bico ou não? Dá para ver seus olhos? Evocando lembranças de documentários assistidos em tardes de tédio mal conseguia fixar alguma imagem para além dos desenho caricatos que as animações consagraram. Os pinguins em sua mente não se pareciam sequer com a ideia de pinguim que guardava... Vivendo nos trópicos e longe dos grandes centros, obviamente jamais vira um pinguim de perto. Não sabia quase nada sobre o bicho e admiti-lo era doloroso n'aquele momento. Como podia ser? Como o esqueleto de pinguim?!
Exausto após quase uma hora de devaneio, chamou a filha e lhe perguntou: -- "Querida, onde mesmo viste o tal esqueleto de pinguim? Foi no caminho para cá? Vamos voltar lá para o papai ver também! Exclamou vitorioso com a solução enfim encontrada.
-- "Que pinguim? Não, não era um pinguim... -- respondeu ela sem entender -- Era uma avestruz!" -- e, de novo, ele olhou para o vazio, preso àquel'outra imagem ainda mais inimaginável...
Betim - 22 06 2018
👁️ 196
NU ARTÍSTICO
Entre uma artista e seu modelo
-- De gozo, graça, risco e dano ---
Mostra-se, desnudo e mundano,
O precário prazer humano.
Entre aquele tenso desvelo
E o acariciar de pele e pelo
De gozo, graça, risco e dano...
Entre uma artista e seu modelo.
Entre ele e ela se faz o elo.
Há-de revelar-se algo insano
N'um olhar pleno, salvo engano,
De gozo, graça, risco e dano...
Entre uma artista e seu modelo.
Belo Horizonte - 06 05 1998
-- De gozo, graça, risco e dano ---
Mostra-se, desnudo e mundano,
O precário prazer humano.
Entre aquele tenso desvelo
E o acariciar de pele e pelo
De gozo, graça, risco e dano...
Entre uma artista e seu modelo.
Entre ele e ela se faz o elo.
Há-de revelar-se algo insano
N'um olhar pleno, salvo engano,
De gozo, graça, risco e dano...
Entre uma artista e seu modelo.
Belo Horizonte - 06 05 1998
👁️ 295
O COCAINÔMANO
Quer ser o que não é; não pode ser:
Um herói e vilão da mesma história.
Como bom jogador, só a vitória
Lhe interessa em sua ânsia de poder.
Bem sabe o que é preciso para vencer
E faz o necessário pela ilusória
Sensação de sucesso, prazer, glória...
Que o branco ouro em pó deve trazer.
Freud explica: --"É bom estar liberto!"
Esse presente, ante um futuro incerto,
Faz mais sentido, às vezes, que promessas.
Celebra, em desespero, áurea alegria.
Malgrado o desafie um novo dia
De névoas 'inda mais brancas e espessas.
Betim - 21 05 2011
Um herói e vilão da mesma história.
Como bom jogador, só a vitória
Lhe interessa em sua ânsia de poder.
Bem sabe o que é preciso para vencer
E faz o necessário pela ilusória
Sensação de sucesso, prazer, glória...
Que o branco ouro em pó deve trazer.
Freud explica: --"É bom estar liberto!"
Esse presente, ante um futuro incerto,
Faz mais sentido, às vezes, que promessas.
Celebra, em desespero, áurea alegria.
Malgrado o desafie um novo dia
De névoas 'inda mais brancas e espessas.
Betim - 21 05 2011
👁️ 311
ETERNAL (rondó)
Não o poeta, sim a poesia
Em cada verso haveria-
De permanecer por inteiro.
E, tal como era de primeiro,
Ser alimento à fantasia!
E, sem saber porque escrevia,
Fazer caber tudo o que havia
Dentro do metro mais certeiro
-- Não o poeta, sim a poesia.
E, sem saber o que queria,
Buscar-se mais, dia após dia,
Não por fama ou por dinheiro
Até o instante derradeiro...
No afã de que eternal fazia
-- Não o poeta, sim a poesia.
Betim - 18 06 2018
Em cada verso haveria-
De permanecer por inteiro.
E, tal como era de primeiro,
Ser alimento à fantasia!
E, sem saber porque escrevia,
Fazer caber tudo o que havia
Dentro do metro mais certeiro
-- Não o poeta, sim a poesia.
E, sem saber o que queria,
Buscar-se mais, dia após dia,
Não por fama ou por dinheiro
Até o instante derradeiro...
No afã de que eternal fazia
-- Não o poeta, sim a poesia.
Betim - 18 06 2018
👁️ 315
ROSICLER
Da rosa cor de rosa e de açucena,
O rosa d'açucena cor de rosa.
É cor da flor de cor impetuosa,
É flor da cor da flor rosa e serena.
Se n'açucena cor a flor acena,
Também na rosa flor a cor formosa:
Rosa açucena, não açucena rosa!...
A flor na qual a cor se faz mais plena.
Mas entre uma e outra flor, uma só cor:
Da açucena e da rosa, o rosicler;
Ao que adornasse a face da mulher.
Como se indistintas cor e flor,
Tanto rosa e açucena têm por tino
Em rosicler um tom mais feminino.
Betim - 15 06 2018
O rosa d'açucena cor de rosa.
É cor da flor de cor impetuosa,
É flor da cor da flor rosa e serena.
Se n'açucena cor a flor acena,
Também na rosa flor a cor formosa:
Rosa açucena, não açucena rosa!...
A flor na qual a cor se faz mais plena.
Mas entre uma e outra flor, uma só cor:
Da açucena e da rosa, o rosicler;
Ao que adornasse a face da mulher.
Como se indistintas cor e flor,
Tanto rosa e açucena têm por tino
Em rosicler um tom mais feminino.
Betim - 15 06 2018
👁️ 334
PAU DE FITAS
Dançam as raparigas cá em roda
D'um mastro d'onde fitas coloridas,
Que passo a passo à música tecidas,
Vão cobrindo a madeira quase toda.
Quer virgens suspirantes pela boda
Ou belas a sorrir desinibidas,
O quadro que compõem bem parecidas,
N'um canto da memória se acomoda.
Jovens elas; velho eu... Tão-só recordo,
Em face do presente, o meu passado:
Belezas e tristezas tão de acordo!...
Elas sorriem. E eu, cá do meu lado,
Em transes melancólicos transbordo,
Por entre as suas fitas prisionado.
Betim - 15 08 2018
D'um mastro d'onde fitas coloridas,
Que passo a passo à música tecidas,
Vão cobrindo a madeira quase toda.
Quer virgens suspirantes pela boda
Ou belas a sorrir desinibidas,
O quadro que compõem bem parecidas,
N'um canto da memória se acomoda.
Jovens elas; velho eu... Tão-só recordo,
Em face do presente, o meu passado:
Belezas e tristezas tão de acordo!...
Elas sorriem. E eu, cá do meu lado,
Em transes melancólicos transbordo,
Por entre as suas fitas prisionado.
Betim - 15 08 2018
👁️ 459
Comentários (5)
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❈ 𝐿𝓊𝒸𝒾𝒶𝓃𝒶 𝒜. 𝒮𝒸𝒽𝓁𝑒𝒾 ❈
2024-11-27
Lindos poemas ,meu caro!
Maria Antonieta Matos
2022-03-11
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns<br />
edu2018
2018-06-11
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
namastibet
2018-04-21
bom vê-lo por aqui
rosafogo
2017-12-27
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
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