Lista de Poemas
Demais
Meu amor,
Se eu te falasse do que vejo,
E de tudo quanto almejo.
Se eu te falasse daquele beijo,
Esse desar que desminto,
Ou te contasse sobre a noite,
Te confessasse o que sinto.
Ah, se te contasse isso tudo!
Assim, sem medo e nenhum pejo.
Juro-te que não minto,
Tu não acreditavas, meu amor.
E o mundo, de espanto agudo,
Ah, o mundo,
Ao saber disso tudo,
O mundo ficava mudo!
Se eu te falasse do que vejo,
E de tudo quanto almejo.
Se eu te falasse daquele beijo,
Esse desar que desminto,
Ou te contasse sobre a noite,
Te confessasse o que sinto.
Ah, se te contasse isso tudo!
Assim, sem medo e nenhum pejo.
Juro-te que não minto,
Tu não acreditavas, meu amor.
E o mundo, de espanto agudo,
Ah, o mundo,
Ao saber disso tudo,
O mundo ficava mudo!
👁️ 62
Ao verme!
Que não me lembro,
É o que respondo quando me perguntam por ti.
Que não te amo e que já esqueci.
Digo como se esfaqueasse o passado.
É a máscara de um coração maltratado.
Que não te conheço,
É a resposta pronta quando não me desvio e passo por ti.
Nada há de mentira aí,
Pois não posso conhecer alguém que fugiu de si.
Nesta montra que é a vida, fizeste a escolha errada.
Não vendo a dignidade, nem vivo de vida comprada.
Que não me interessa e nem quero saber,
Responderei se me disserem que já não andas,
Rastejas na lama sem coluna vertebral.
Ah…isso já não me espanta!
O verme sempre volta à sua mole condição natural…
Ao verme o sujo, que é seu por direito!
É o que respondo quando me perguntam por ti.
Que não te amo e que já esqueci.
Digo como se esfaqueasse o passado.
É a máscara de um coração maltratado.
Que não te conheço,
É a resposta pronta quando não me desvio e passo por ti.
Nada há de mentira aí,
Pois não posso conhecer alguém que fugiu de si.
Nesta montra que é a vida, fizeste a escolha errada.
Não vendo a dignidade, nem vivo de vida comprada.
Que não me interessa e nem quero saber,
Responderei se me disserem que já não andas,
Rastejas na lama sem coluna vertebral.
Ah…isso já não me espanta!
O verme sempre volta à sua mole condição natural…
Ao verme o sujo, que é seu por direito!
👁️ 1
Tu Não Sabias
Tu não sabias da minha procura.
Da ânsia desmedida que enfurece o jardim.
Não sabias que te procuro sempre.
Mesmo quando já luz nenhuma alumia o caminho.
Eu sei que não sabias.
Tu não sabias da minha busca interna.
Incessante como as ondas de um mar revolto.
Bem sei que não sabias.
Eu sabia que desconheces os meus segredos.
Nunca soubeste desvendar os mistérios dos meus lugares.
Ermos, fatídicos como todo o meu jeito de amar.
Tu não sabias dos meus tropeços e arranhões.
Que arranhada sempre esteve a minha alma.
Fraca, encoberta num céu de saudade.
Tu não sabias, tu não conheces.
Eu sei que não sabias.
Se soubesses jamais terias partido.
Agora é escuro e não sei de luz nenhuma.
Da ânsia desmedida que enfurece o jardim.
Não sabias que te procuro sempre.
Mesmo quando já luz nenhuma alumia o caminho.
Eu sei que não sabias.
Tu não sabias da minha busca interna.
Incessante como as ondas de um mar revolto.
Bem sei que não sabias.
Eu sabia que desconheces os meus segredos.
Nunca soubeste desvendar os mistérios dos meus lugares.
Ermos, fatídicos como todo o meu jeito de amar.
Tu não sabias dos meus tropeços e arranhões.
Que arranhada sempre esteve a minha alma.
Fraca, encoberta num céu de saudade.
Tu não sabias, tu não conheces.
Eu sei que não sabias.
Se soubesses jamais terias partido.
Agora é escuro e não sei de luz nenhuma.
👁️ 2
Jardim das Virtudes
Venho cá de vez em quando
Vejo um rio correr pró mar
Uma neblina vai-se formando
Abre-se o peito numa aragem
E desvendo as virtudes do amar
Ao longe vejo a ponte, o luar
Deixo-me ficar neste jardim
No escuro oiço o Douro respirar
Banho o coração nesta paisagem
Embalada numa noite sem fim
Benditos os recantos da cidade
Os bancos de pedra gastos e sós
São lugares que acalmam a ansiedade
No silêncio passam-nos a mensagem
Desatam-se cá dentro todos os nós
Com muita paz e grande calma
Neste lugar sereno, me deixo dormir
Jazem aqui os pesos da minha alma
E assim cá me fortaleço da coragem
De partir em busca de um novo sentir
Vejo um rio correr pró mar
Uma neblina vai-se formando
Abre-se o peito numa aragem
E desvendo as virtudes do amar
Ao longe vejo a ponte, o luar
Deixo-me ficar neste jardim
No escuro oiço o Douro respirar
Banho o coração nesta paisagem
Embalada numa noite sem fim
Benditos os recantos da cidade
Os bancos de pedra gastos e sós
São lugares que acalmam a ansiedade
No silêncio passam-nos a mensagem
Desatam-se cá dentro todos os nós
Com muita paz e grande calma
Neste lugar sereno, me deixo dormir
Jazem aqui os pesos da minha alma
E assim cá me fortaleço da coragem
De partir em busca de um novo sentir
👁️ 3
De Alma Só
Eu quis morrer, é verdade!
Não de amor mas de saudade.
De alma só, árida, amargurada,
A pele sem cor, moribunda, toda eu gelada.
Canto a tristeza, a desgraça, a má sorte.
É na tua ausência que sempre, desejo a morte!
Não de amor mas de saudade.
De alma só, árida, amargurada,
A pele sem cor, moribunda, toda eu gelada.
Canto a tristeza, a desgraça, a má sorte.
É na tua ausência que sempre, desejo a morte!
👁️ 67
A Noite Interminável
Lembro-me do cais da Ribeira naquela noite de Quarta-feira quente.
As esplanadas despidas e o passeio deserto que nos impunham serenidade.
O Douro transformado numa brilhante passerelle onde aquela lua amarela e reluzente desfilava grandiosa.
- Onde está toda a gente? – Perguntaste de braços abertos a rodopiar sobre ti mesmo.
- Reservei a cidade para nós. - Disse-te naquele jeito de graça que te fazia rir e ficar com o ar de quem quase acreditava em impossíveis.
- Fazes-me melhor, Pilar. Fazes-me sempre ver o mundo como um lugar bonito.
Lembro-me de nos perdemos em conversas e de todas as nossas teorias mirabolantes sobre a vida.
Deitados, com os pés na borda do rio e os olhares presos naquele manto de veludo azul-escuro de céu.
- Sabes, o tempo antes nunca acabava e agora parece pouco para tantos sonhos. – Disseste-me, sem mais, como quem anuncia um fim não desejado.
- O tempo é o que quiseres que seja. Fecha os olhos. Tens cinco minutos para me dizeres o que farias se fosses o dono do tempo e lhe pudesses pôr um travão agora.
- Oh…! – Respondeste naquele teu tom resignado.
Levantei-me, dei-te um puxão e disse para dançarmos.
- Estás doida? Não! - Aquele teu medo de pé-de-chumbo assustado.
- Xiuuu…!
Dançámos num ritmo que o rio meio adormecido nos ia sugerindo, dançámos sem nos importarmos com o olhar de curiosidade daquele senhor que passeava o cão.
Lembras-te?
Afinal, sempre me disseste que não havia problema nenhum em sermos loucos e, como sempre te disse, eu confiava em ti e deixava-me ser.
- Percebo-te, obrigada! – Agradeceste-me no final.
Hoje, esta estranheza de me sentir calma. Lembro-me daquela noite que nunca mais teve fim.
Como te disse, somos nós que fazemos o tempo ser para sempre.
As esplanadas despidas e o passeio deserto que nos impunham serenidade.
O Douro transformado numa brilhante passerelle onde aquela lua amarela e reluzente desfilava grandiosa.
- Onde está toda a gente? – Perguntaste de braços abertos a rodopiar sobre ti mesmo.
- Reservei a cidade para nós. - Disse-te naquele jeito de graça que te fazia rir e ficar com o ar de quem quase acreditava em impossíveis.
- Fazes-me melhor, Pilar. Fazes-me sempre ver o mundo como um lugar bonito.
Lembro-me de nos perdemos em conversas e de todas as nossas teorias mirabolantes sobre a vida.
Deitados, com os pés na borda do rio e os olhares presos naquele manto de veludo azul-escuro de céu.
- Sabes, o tempo antes nunca acabava e agora parece pouco para tantos sonhos. – Disseste-me, sem mais, como quem anuncia um fim não desejado.
- O tempo é o que quiseres que seja. Fecha os olhos. Tens cinco minutos para me dizeres o que farias se fosses o dono do tempo e lhe pudesses pôr um travão agora.
- Oh…! – Respondeste naquele teu tom resignado.
Levantei-me, dei-te um puxão e disse para dançarmos.
- Estás doida? Não! - Aquele teu medo de pé-de-chumbo assustado.
- Xiuuu…!
Dançámos num ritmo que o rio meio adormecido nos ia sugerindo, dançámos sem nos importarmos com o olhar de curiosidade daquele senhor que passeava o cão.
Lembras-te?
Afinal, sempre me disseste que não havia problema nenhum em sermos loucos e, como sempre te disse, eu confiava em ti e deixava-me ser.
- Percebo-te, obrigada! – Agradeceste-me no final.
Hoje, esta estranheza de me sentir calma. Lembro-me daquela noite que nunca mais teve fim.
Como te disse, somos nós que fazemos o tempo ser para sempre.
👁️ 12
Assunto Banal
O homem que outrora amei,
É agora, na minha boca,
Um mero assunto banal.
De escárnio e de riso,
E, talvez, de algum desdém.
Como um artigo de jornal.
O homem que outrora amei,
É só isso,
Um mero assunto,
Que não interessa a ninguém.
É agora, na minha boca,
Um mero assunto banal.
De escárnio e de riso,
E, talvez, de algum desdém.
Como um artigo de jornal.
O homem que outrora amei,
É só isso,
Um mero assunto,
Que não interessa a ninguém.
👁️ 67
Não Importa
É verdade que eu nunca te escrevi.
E se tantas vezes tentei,
Nunca te disse nada do que senti.
- Oh homem como te amei!
E agora esta vontade louca de o gritar,
Mas o que importa isso agora,
Se não tenho forças para te abraçar,
Tudo acabou e já foste embora.
Oh meu amor,
O que para nós tinha sonhado,
É agora ruído, mera dor.
E ainda que tivesse falado,
Ao ver-te ao longe, tão distante,
Tenho a certeza,
Que por muito que tivesse dito,
Digo agora com tristeza,
Nunca teria sido bastante.
Ah amor, eu repito,
Se em poemas não te soube amar,
Não será com palavras que te vou odiar.
E se tantas vezes tentei,
Nunca te disse nada do que senti.
- Oh homem como te amei!
E agora esta vontade louca de o gritar,
Mas o que importa isso agora,
Se não tenho forças para te abraçar,
Tudo acabou e já foste embora.
Oh meu amor,
O que para nós tinha sonhado,
É agora ruído, mera dor.
E ainda que tivesse falado,
Ao ver-te ao longe, tão distante,
Tenho a certeza,
Que por muito que tivesse dito,
Digo agora com tristeza,
Nunca teria sido bastante.
Ah amor, eu repito,
Se em poemas não te soube amar,
Não será com palavras que te vou odiar.
👁️ 63
No Bar
Quanto mais tento esquecer,
Mais se acorda o pensamento.
E vejo ainda,
A pista tão cheia de gente,
A música, a dança, o riso alto e o momento,
Quando esbarrei o meu olhar de frente,
Oh céus! Como lembro!
Aquele brilho e o fulgor discreto,
Nos olhos mais serenos que já vi.
E naquele breve instante,
De mim ainda perto,
Assim, sem nada o prever,
Ah! Juro que senti,
O capricho do corpo,
O desejo de me atrever.
Mais se acorda o pensamento.
E vejo ainda,
A pista tão cheia de gente,
A música, a dança, o riso alto e o momento,
Quando esbarrei o meu olhar de frente,
Oh céus! Como lembro!
Aquele brilho e o fulgor discreto,
Nos olhos mais serenos que já vi.
E naquele breve instante,
De mim ainda perto,
Assim, sem nada o prever,
Ah! Juro que senti,
O capricho do corpo,
O desejo de me atrever.
👁️ 61
Depois Do Fim
Lá fora, a chuva cai grave e pesada.
Um dia, seja eu também uma gota.
Uma graça lembrada,
Nessa face em que escorra.
Afinal,
No fim somos apenas,
A lágrima acendendo a lembrança,
Para que nos corações não se morra.
Sim, essa saudade infinda.
Porque depois do fim,
Como as gotas da chuva,
Sim, depois do fim,
Somos tanta vida ainda.
Um dia, seja eu também uma gota.
Uma graça lembrada,
Nessa face em que escorra.
Afinal,
No fim somos apenas,
A lágrima acendendo a lembrança,
Para que nos corações não se morra.
Sim, essa saudade infinda.
Porque depois do fim,
Como as gotas da chuva,
Sim, depois do fim,
Somos tanta vida ainda.
👁️ 62
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Ania
2024-06-01
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