Lista de Poemas
Algemado
Não vejo horizontes
Avisto penhascos aos montes
E a dor não passa
Se arrasta
Algemada aos meus pés
Que não tenho sido um homem de fé
E quanto ao rio
Solitário e sombrio
Narra meus sussurros
E meus medos que são noturnos.
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Passagem
Apenas passagem
Quimera selvagem
Doçura
Agrura
É ferida latejante
Solidão sufocante
Estado vago
Compromisso pago
E agora?
Não me resta vasta hora?
O tempo galopante
Albatroz sussurrante
Levou-me embora
Espero lá fora!
Lá fora, na rua?
Não cultive ideia crua
Falo do fim
O tão esperado sim
Que Romeu apaixonado
Aguardou agoniado
Estou partindo
Indo
Picotando a passagem
Carregando minha mensagem
Semeando pelo mundo
Meu amor tão profundo
Então saltarei do vagão
Soltarei sua mão
Atarei os laços frouxos
E levarei os sentimentos coxos.
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Toda palavra
Não
Não caiam na tentação
Não é conselho, é absolvição!
Ela finge inocência
Satisfaz sua consciência
Alimentando a prepotência
Em hipótese alguma caiam nessa
Ela encurrala na travessa
Quero ver escapar dessa (...)
Pensando bem, é até cheirosa
Também graciosa
Mas não menos impetuosa
Não vá com sede ao pote!
Como toda dama têm seu dote
Não há quem boicote
Nem por um instante
A voz errante
Cretina, galante.
👁️ 211
O lírio e o encanto
Dedilhava cores
Como quem retrata amores
Pincelava letras
Como se escrevesse veredas
Artista poeta
Poeta autor
Na incontinência do tempo
Vê seu rigor
E nas claras do céu
Suspiradas
Compõe seu canto
E sem nenhum espanto
Num lapso de tempo
No espetáculo do vento
Sem tato, nem pranto
Prostrou-se no campo
O lírio e o encanto.
👁️ 188
Tristeza
Tristeza é sapato apertado
Sonho transfigurado
Sorriso rasgado
Amor encenado
Tristeza é um canto
Sem choro, sem encanto
É dolorosa e no entanto
Tristeza é falso amigo?
Digo que não foi comigo!
Talvez contigo?
Não, por quê digo:
Tristeza não tem amigos!
E quem é ela?
Dizem que é bela!
Tristeza é um quadro torto na parede
Calor para quem têm sede
Água para quem sente fome.
👁️ 180
Tudo sem um título
Não atire a pedra, espere!
Repense agora, é a hora!
Nada passou em branco, garanto!
Você estava amando, no comando!
De acácio a tupiniquim!
De apático a diadorim!
Por que reclamas?
Pelo quê clamas?
É você narrando! - Por que o espanto?
Repense agora, é a hora!
Nada passou em branco, garanto!
Você estava amando, no comando!
De acácio a tupiniquim!
De apático a diadorim!
Por que reclamas?
Pelo quê clamas?
É você narrando! - Por que o espanto?
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Bendigo II
Não é a passagem do ano que renova cada um de nós,
mas sinto que nada faz sentido senão,
para unirmos forças em prol do amor.
Bendigo os amigos e momentos vívidos,
na memória de cada um de nós,
no coração que soa sua inigualável voz.
Bendigo as uniões e famílias,
nos enlaces e desatar dos nós,
também palpitam na mesma voz.
Bendigo as conquistas e utopias, os sonhos,
porque se não sonhássemos, nada faria sentido,
um sopro rouco e abatido?
Ora, digo-lhes!
Bendigo a cada um de vós!
E agradeço por junto ao meu,
pulsante,
saltitar a mesma voz!
mas sinto que nada faz sentido senão,
para unirmos forças em prol do amor.
Bendigo os amigos e momentos vívidos,
na memória de cada um de nós,
no coração que soa sua inigualável voz.
Bendigo as uniões e famílias,
nos enlaces e desatar dos nós,
também palpitam na mesma voz.
Bendigo as conquistas e utopias, os sonhos,
porque se não sonhássemos, nada faria sentido,
um sopro rouco e abatido?
Ora, digo-lhes!
Bendigo a cada um de vós!
E agradeço por junto ao meu,
pulsante,
saltitar a mesma voz!
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Bendigo I
Não é a passagem do ano que renova cada um de nós,
mas sinto que nada faz sentido senão,
para unirmos forças em prol do amor.
Bendigo minha mãe pelas vidas,
tão cativas e instintivas,
almas de pureza intuitiva.
Bendigo os amigos e momentos vívidos,
na memória de cada um de nós,
no coração que soa sua inigualável voz.
Bendigo as uniões e famílias,
nos enlaces e desatar dos nós,
também palpitam na mesma voz.
Bendigo as conquistas e utopias, os sonhos,
porque se não sonhássemos, nada faria sentido,
um sopro rouco e abatido?
Ora, digo-lhes!
Bendigo a cada um de vós!
E agradeço por junto ao meu,
pulsante,
saltitar a mesma voz!
mas sinto que nada faz sentido senão,
para unirmos forças em prol do amor.
Bendigo minha mãe pelas vidas,
tão cativas e instintivas,
almas de pureza intuitiva.
Bendigo os amigos e momentos vívidos,
na memória de cada um de nós,
no coração que soa sua inigualável voz.
Bendigo as uniões e famílias,
nos enlaces e desatar dos nós,
também palpitam na mesma voz.
Bendigo as conquistas e utopias, os sonhos,
porque se não sonhássemos, nada faria sentido,
um sopro rouco e abatido?
Ora, digo-lhes!
Bendigo a cada um de vós!
E agradeço por junto ao meu,
pulsante,
saltitar a mesma voz!
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Críticas - Ilmo. Sr. Oscar D’Ambrósio
VERSOS NASCEM DE INSTANTES
O que é a poesia? Existem milhares de definições, mas talvez as mais importantes sejam aquelas que apontam para a arte de escrever como forma de interpretar o mundo. E, nesse sentido, os versos de Rafael Zafalon trazem um conteúdo a ser lido com carinho, pois nos motivam a repensar aquilo que entendemos como existência.
Um de seus poemas mais significativos menciona que, no fundo de uma lata de lixo, num papel amassado, pode estar o poema mais lindo do mundo. Trata-se de um belo alerta para o nosso exercício cotidiano de escolhas, nem sempre as mais sábias, mas as possíveis em cada momento que atravessamos.
O mais complexo e interessante dessa jornada é que a vida é sinônimo de transformação. Portanto, o que jogamos ao lixo ou o que dele recuperamos varia ao longo do tempo. E não adianta pensar que vivemos apenas nosso tempo terreno. Somos a soma dos que viveram antes de nós – e nós somos, de uma forma ou de outra, a base do futuro.
A meninice, como alertam os poemas de Zafalon, também artista plástico, traz consigo amores e a jornada do viver se consolida como uma errata permanente. Nesse contexto, o poeta alerta que versos nascem de hiatos e esses breves instantes são prelúdios de sonhos. Assim se instaura a magia da escrita, da existência e da vida.
Oscar D’Ambrósio[1]
(São Paulo - SP, 02 de Outubro de 2019)
[1] Jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
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Raiz em mim
Ipê aflorado sem primavera
Doçura ao mundo dera
E nada mais se espera
Em tão tortuosa era
Não há neste mundo
Tortuoso
Profundo
Onde todos circundam
Bastava ela
Múltipla aquela
Cá caminha bela
E todos fitam a força dela.
Doçura ao mundo dera
E nada mais se espera
Em tão tortuosa era
Não há neste mundo
Tortuoso
Profundo
Onde todos circundam
Bastava ela
Múltipla aquela
Cá caminha bela
E todos fitam a força dela.
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Biografia do autor
Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.
Titulação
A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor:
RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA
Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.