Lista de Poemas
DESPEDIDA
Tempo de viver o outrora da vaidade
Deixo crescer os meus cabelos.
Meus olhos, no entanto, os veem velhos
Na desconexão das rugas e dos dedos;
Então olho para todos os espelhos
Faço-me cego para os reflexos
E ao olhar o teu rosto entristeço.
Até parece a noite levando nossos dias
Matando a beleza dos tempos de antanho
Instantes onde só em fome de paixão
Vivias dentro de mim e eu dentro de ti;
Então nossos olhos perdem o tamanho
De observadores argutos de nós
E ao vermos um ao outro zombamos.
E dizes adeus querendo marcar a tua volta
Para um dia qualquer de outro durante.
E eu digo adeus com o peito em revolta
Por não poder pintar um quadro diferente,
Pondo cores nos teus olhos e nos meus
E tentando vadiar maciamente
Em nós.
Damos adeuses...
Deixo crescer os meus cabelos.
Meus olhos, no entanto, os veem velhos
Na desconexão das rugas e dos dedos;
Então olho para todos os espelhos
Faço-me cego para os reflexos
E ao olhar o teu rosto entristeço.
Até parece a noite levando nossos dias
Matando a beleza dos tempos de antanho
Instantes onde só em fome de paixão
Vivias dentro de mim e eu dentro de ti;
Então nossos olhos perdem o tamanho
De observadores argutos de nós
E ao vermos um ao outro zombamos.
E dizes adeus querendo marcar a tua volta
Para um dia qualquer de outro durante.
E eu digo adeus com o peito em revolta
Por não poder pintar um quadro diferente,
Pondo cores nos teus olhos e nos meus
E tentando vadiar maciamente
Em nós.
Damos adeuses...
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REPULSÃO
Tenho repulsão às vozes dos poetas incoerentes
Orando desvairados ao pé de cruzes e de imagens
No mundo e neste agora eles vivem tão-somente
às fantasias de cristos, espíritos santos e miragens.
Não buscam ver a realidade milenar do mundo
E cantam nas entrelinhas as odes mais sacrossantas
Imenso é o medo de morrer e mergulhar no fundo
Do ódio do deus que rege seus versos de pilantras.
Orando desvairados ao pé de cruzes e de imagens
No mundo e neste agora eles vivem tão-somente
às fantasias de cristos, espíritos santos e miragens.
Não buscam ver a realidade milenar do mundo
E cantam nas entrelinhas as odes mais sacrossantas
Imenso é o medo de morrer e mergulhar no fundo
Do ódio do deus que rege seus versos de pilantras.
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TEMPO MARCADO
Quando a gente se achar por essas ruas do mundo
O que irá rolar?
Serão águas deslizando de cascatas gigantescas
Ou um pequeno rio correndo para o mar?
Quando meus olhos olharem dentro de teus olhos
O que irão falar?
Dirão talvez que teus piscares e olhares
Querem me decifrar?
Quando meus dedos enlaçarem os teus dedos
Como irão se apertar?
Esquentarão palma a palma as duas mãos
Para não acenar
Aquele adeus que se apresenta sempre perto
Querendo ser distante.
Duas mãos enlaçadas fazem um sonho irreal
Tornar-se delirante.
E assim a vida marca outra vida por esse caminho
De corpo e de olhos e de mãos.
Marcando horas e minutos esperados nesse tempo
Mesmo que sejam vãos.
O que irá rolar?
Serão águas deslizando de cascatas gigantescas
Ou um pequeno rio correndo para o mar?
Quando meus olhos olharem dentro de teus olhos
O que irão falar?
Dirão talvez que teus piscares e olhares
Querem me decifrar?
Quando meus dedos enlaçarem os teus dedos
Como irão se apertar?
Esquentarão palma a palma as duas mãos
Para não acenar
Aquele adeus que se apresenta sempre perto
Querendo ser distante.
Duas mãos enlaçadas fazem um sonho irreal
Tornar-se delirante.
E assim a vida marca outra vida por esse caminho
De corpo e de olhos e de mãos.
Marcando horas e minutos esperados nesse tempo
Mesmo que sejam vãos.
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UM DIA HAVERÁ
Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Irão cantar meus versos nos bares e nas ruas
E ouvidos surdos escutarão o pranto
Das solidões e dores tão cruéis e nuas
Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Meus versos serão cantados noite e dia
Nos botecos e nos piores antros
De onde os poetas buscavam calmaria
Haverá um dia! Não sei o onde e o quando.
Outro poeta lerá meus versos em seu viver
E a gritante emoção trar-lhe-á o pranto
Num soneto que pensou em escrever
Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Não estarei mais aqui para saber.
Uma mulher dos meus versos faz um manto
E nele cria novo espaço para renascer.
Um dia haverá
Não sei o onde
Não sei o quando
Um dia haverá
Irão cantar...
Irão cantar meus versos nos bares e nas ruas
E ouvidos surdos escutarão o pranto
Das solidões e dores tão cruéis e nuas
Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Meus versos serão cantados noite e dia
Nos botecos e nos piores antros
De onde os poetas buscavam calmaria
Haverá um dia! Não sei o onde e o quando.
Outro poeta lerá meus versos em seu viver
E a gritante emoção trar-lhe-á o pranto
Num soneto que pensou em escrever
Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Não estarei mais aqui para saber.
Uma mulher dos meus versos faz um manto
E nele cria novo espaço para renascer.
Um dia haverá
Não sei o onde
Não sei o quando
Um dia haverá
Irão cantar...
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Rafael Rocha, jornalista, escritor e poeta natural do Recife, capital do estado de Pernambuco-Brasil. Cinco livros já lançados em sua vida de escritor. Meio a Meio (poesias), A Última Dama da Noite (romance), O Espelho da Alma Janela (contos), Marcos do Tempo (poesias) e Olhos Abertos para a Morte (romance). Seu livro de contos O Espelho da Alma Janela foi agraciado no ano de 1988 pela Academia Pernambucana de Letras com o prêmio Leda Carvalho, mas antes, em 1986, recebeu Menção Honrosa da Academia de Letras e Artes de Araguari (Minas Gerais-Brasil) pelo seu conto Grãos de Terra Sobre. No ano de 2011 foi novamente agraciado com Menção Honrosa pela Academia Pernambucana de Letras, prêmio Vânia Souto Carvalho, pelo seu romance Olhos Abertos para a Morte.
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