Escritas

Lista de Poemas

DESPEDIDA

Tempo de viver o outrora da vaidade
Deixo crescer os meus cabelos.
Meus olhos, no entanto, os veem velhos
Na desconexão das rugas e dos dedos;
Então olho para todos os espelhos
Faço-me cego para os reflexos
E ao olhar o teu rosto entristeço.

Até parece a noite levando nossos dias
Matando a beleza dos tempos de antanho
Instantes onde só em fome de paixão
Vivias dentro de mim e eu dentro de ti;
Então nossos olhos perdem o tamanho
De observadores argutos de nós
E ao vermos um ao outro zombamos.

E dizes adeus querendo marcar a tua volta
Para um dia qualquer de outro durante.
E eu digo adeus com o peito em revolta
Por não poder pintar um quadro diferente,
Pondo cores nos teus olhos e nos meus
E tentando vadiar maciamente
Em nós.

Damos adeuses...
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REPULSÃO

Tenho repulsão às vozes dos poetas incoerentes
Orando desvairados ao pé de cruzes e de imagens
No mundo e neste agora eles vivem tão-somente
às fantasias de cristos, espíritos santos e miragens.
Não buscam ver a realidade milenar do mundo
E cantam nas entrelinhas as odes mais sacrossantas
Imenso é o medo de morrer e mergulhar no fundo
Do ódio do deus que rege seus versos de pilantras.
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TEMPO MARCADO

Quando a gente se achar por essas ruas do mundo
O que irá rolar?
Serão águas deslizando de cascatas gigantescas
Ou um pequeno rio correndo para o mar?

Quando meus olhos olharem dentro de teus olhos
O que irão falar?
Dirão talvez que teus piscares e olhares
Querem me decifrar?

Quando meus dedos enlaçarem os teus dedos
Como irão se apertar?
Esquentarão palma a palma as duas mãos
Para não acenar

Aquele adeus que se apresenta sempre perto
Querendo ser distante.
Duas mãos enlaçadas fazem um sonho irreal
Tornar-se delirante.

E assim a vida marca outra vida por esse caminho
De corpo e de olhos e de mãos.
Marcando horas e minutos esperados nesse tempo
Mesmo que sejam vãos.
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UM DIA HAVERÁ

Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Irão cantar meus versos nos bares e nas ruas
E ouvidos surdos escutarão o pranto
Das solidões e dores tão cruéis e nuas

Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Meus versos serão cantados noite e dia
Nos botecos e nos piores antros
De onde os poetas buscavam calmaria

Haverá um dia! Não sei o onde e o quando.
Outro poeta lerá meus versos em seu viver
E a gritante emoção trar-lhe-á o pranto
Num soneto que pensou em escrever

Um dia haverá! Não sei o onde e o quando.
Não estarei mais aqui para saber.
Uma mulher dos meus versos faz um manto
E nele cria novo espaço para renascer.

Um dia haverá
Não sei o onde
Não sei o quando
Um dia haverá
Irão cantar...
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