Escritas

DESPEDIDA

Rafael Rocha
Tempo de viver o outrora da vaidade
Deixo crescer os meus cabelos.
Meus olhos, no entanto, os veem velhos
Na desconexão das rugas e dos dedos;
Então olho para todos os espelhos
Faço-me cego para os reflexos
E ao olhar o teu rosto entristeço.

Até parece a noite levando nossos dias
Matando a beleza dos tempos de antanho
Instantes onde só em fome de paixão
Vivias dentro de mim e eu dentro de ti;
Então nossos olhos perdem o tamanho
De observadores argutos de nós
E ao vermos um ao outro zombamos.

E dizes adeus querendo marcar a tua volta
Para um dia qualquer de outro durante.
E eu digo adeus com o peito em revolta
Por não poder pintar um quadro diferente,
Pondo cores nos teus olhos e nos meus
E tentando vadiar maciamente
Em nós.

Damos adeuses...
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