Lista de Poemas
A espera
Dizemos frequentemente esta frase no dia-a-dia, para atenuar a circunstância do momento ou o tema da conversa.
A espera é um engano e são imensas as desculpas que damos a nós próprios, quando não temos a coragem para virar a página ou quebrar um hábito, …
Aqui não só a vida, mas essencialmente o tempo é mestre nos argumentos da preguiça e do medo.
Esperar por um tempo novo é um erro.
pmariabotelho
20210306
Passado
E lamentos
Se olhar para trás
Já significa ontem
15.06.2014
pmariabotelho
Outono
Precede de grande beleza todas as cores
A prece dos aflitos
as folhas que jazem na terra e que tu teimas em calcar
natureza inerte
tudo tem o seu equilibrio, é certo
Em verdade já não existem estações do ano assinaladas no calendário
existe a simbiose dos elementos na natureza que freneticamente persistem em marcar dias de chegada.
Choramos porque o choro faz parte da vida e por vezes o choro funciona como uma onda de coragem.
Senta-te encosta a cabeça e acaricia os pés com as tuas mãos... Os nossos pés são muito corajosos.
Ainda é cedo e o outono
provoca em todos uma espécie de silenciosa alma abandonada
O Outono é esse misto de amor
dor
sorriso e choro
pmariabotelho
27.09.2021temposilêncio
Bem e mal
Um dia
De surpresa abrirei a tua porta
e a dialética deixará de ser luta
Um dia
O bem e o mal
irão marcar passo
e o tango
será por todos os séculos
luz ao invés de trevas
pmariabotelho
Lamento
Nem sorrisos, nem abraços
Estar assim
Entre paredes
Não identificadas
Painéis de sufoco
lamento
15.06.2014
pmariabotelho
A ideia
feliz ideia
És tu que preenches a nossa alma de paz.
Tu preenches a nossa alma de paz.
O nosso olhar ganha visão periférica
Tu és poderoso e nós pequenos
Mar e grãos de areia.
Revivemos quase sempre o verão.
Os mergulhos pelo fim da tarde
Quando todos recolhiam a toalha da praia, nós chegávamos.
Mergulhávamos sem medo nas tuas águas frias
Em cada onda o corpo trespassava o teu por inteiro
Sensação de liberdade
Depois, ficávamos ali na areia fina da praia para ver o sol cair no mar
As gaivotas rodopiavam por cima das nossas cabeças
um frenesim faminto de peixe agora migalhas de pão
Não existe alma viva que não te admire e te tema
Que te respeite e admire
Caminhadas e longas conversas sobre a essência das coisas,
E a essência sempre esteve lá
pmariabotelho
04032023 temponovo
Viragem
Não direi nunca que passei ao lado de uma grande carreira vida é esta aqui e agora o passado já está morto e enterrado, quem viveu quem falou, o que dás hoje à tua boca, aos teus ouvidos, aos teus olhos, a todos os teus sentidos vivem em harmonia ou engano desamparo ignorância vaidade o tempo urge e a garra é sempre a mesma esta que me remexe as entranhas e vai em frente consciente e madura deixei de dar para muitos peditórios haja a coragem do não da verdade deixai-vos de fogueiras de vaidade saber esperar é um dom passei anos de espera. Lufadas de ar fresco e de sal não existindo prefiro a morte que má sorte uma praça vazia à azia. Não quero fazer parte da procissão dos renegados erguer uma bandeira de paz quando a luta contínua. Serei raiva crescendo nos dentes se tiver que ser morderei. Serei sempre uma manhã de abril em cada etapa da vida. Flores e riso Espelho e abraço. Esta é de sempre a minha mais pura ambição. Um dia rebelde cheiro a terra, pés e areia molhada. Papel lápis aguarela e trapézio vertigem.
pmariabotelho
21/9/2021
Eis que chega o dia
Eis que chega o dia e que o espelho não reflete o sorriso de uma criança feliz. Eis que chega o dia em que os dias se formam em sucessivas notas de piano perpetuando um dia a dia sem diferença. Eis que chega o dia em que resumes o teu dia numa linha de paragrafo e ponto final. Eis que chega o dia que afinal tanto esperavas para pensar e refletir. Eis que chega o dia em que o passado e o presente se encontram no aconchego de uma palavra, amor. Sim sempre fui, sou e serei amor. Um amor que sinceramente não sei de que parte de mim nasce e vive. Não sei se do coração, das mãos, dos pés, dos braços, de todo o meu ser, não sei, …
Deixei-me chorar porra!
Deixei-me chorar porra!
Deixei-me desmaiar ondas nas faces
e colhê-las com as mãos!
Que venham os cinco oceanos
tragam ondas e vendavais
pois sempre que
a saudade
suster a minha respiração
eu irei chorar porra!
pmariabotelho
13-02-018
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