Escritas

Lista de Poemas

Mais um dia

Vem de longe o som do batuque e da alegria.
Quiçá bebida e dança, não sei.
Tem gente que se diverte e deixa que a fogueira queime as mágoas desta passagem.
Tão sentida para uns e tão ignorada por outros
O silêncio é absoluto na partida daqueles que nos fazem tanta falta
Por estes dias, absorta na inércia
Apoquentava-me a falta de coragem para seguir em frente
Mas até o mais ignóbil ignorante e ser não pensante
Dizia e reforçava a ideia de que seguir em frente
Seria a solução ideal para superar emoções tristes
Por ventura não será errado.
Contudo, revejo-me não no som do batuque e da alegria estonteante.
Mas no encontro da minha pessoa
Quieta e sossegada, tranquila e segura.
Hoje mais um dia vivido no presságio da boa nova!
Liberdade e faculdade lúcida
Do que sou e do que pretendo.
Assim os dias se completam.
E os filhos esses deixaram a casa vazia.
E a vida vai prosseguindo no seu percurso normal.
Do que foi e já não é mais.

pmariabotelho
07.10.21
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Também quero

Também quero
Também quero
Independência e calma
Ser autónomo e responsável
Sorridente e livre
Também quero
Incluir a minha vida em dois passos de dança
Ser aventura e sucesso
Serão precisos abraços 
E mãos na minha mão
Ideias e regressos
Solidariedade e carrinho
Porque eu também quero
O batimento do teu coração
Nesta aventura 
Assiste-me no dia-a-dia 
Ampara-me quando visto uma camisola
Que seja 
Serei sempre aquele desigual igual a outros desiguais
Mas serei sempre mais e melhor
Assiste-nos ao direito de uma vida
Independente 
Em família 
Sem ti não posso continuar
Serei demasiadamente frágil
Também quero
Também quero
Independência e calma
Ser autónomo e responsável
Sorridente e livre
Também quero
Agora em tuas mãos
Reside a coragem das minhas
E depois serei aquilo que conseguirei
Ser e fazer
Mas de todos os percalços
Sei agora que a tua ajuda 
É única.
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Efemêro

Na minha vida

Entra e sai

Quem eu deixo

Na minha vida

Não existe o eterno

O imutável

A vida morre e nasce todos os dias

 

pmariabotelho
Inpensamentosdia1
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30 de Novembro de 2020 In folhasembranco de pmariabotelho

Somos seres estranhos e por vezes mudamos o rumo das nossas vidas em uma fracção de segundos. Muitas das vezes destruímos num ápice de vaidade e raiva, tudo aquilo que levamos uma vida inteira a construir. Somos seres estranhos e muitos de nós não sabemos analisar o que reflecte o espelho. O lado errado.
Tempos estranhos e seres estranhos estes de agora.

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12 De Julho de 2018 In folhasembranco

12 De Julho de 2018 In folhasembranco de pmariabotelho

Desequilíbrios.
Porque é que a vida dói? Dói! Mas, porque dói?
Porque fazemos e dizemos o que não merecemos? E porque o fazemos e porque o dizemos, se não o queremos?
O que nos move dia após dia e faz de nós seres alegres e tristes?
Completos e incompletos.
Desejados e detestados.
Amados e sofridos.
Felizes! Tristes.

A vida, parece-me um jogo de bolas lançadas ao ar aleatoriamente.
Por vezes elas voam tão alto, tornando-se inalcançáveis. Outras vezes ficam á deriva e umas outras estáticas e em silêncio, suspensas no ar, na espera de um milagre ou de um resgate.·
Fechamos todos os sentidos entre paredes não caiadas. Ver/ ouvir /falar.
Porque dói a vida?
Porque é sentida!
Sentida...




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12 De Dezembro 2018 In folhasembranco de pmariabotelho

Para aqueles que dizem, que a vida tem de continuar e seguir em frente! Sim, é certo.
Eu acrescento, tem de continuar, mesmo não sendo nunca mais a mesma vida até ali. A perda de alguém que faz parte da nossa vida no seu todo é como uma ferida incurável. É uma ferida crónica, que ora cura ora infecta e dói as entranhas, ora aquece e adormece, ora fica curada e até sorri, sei lá eu,.. Mas, todos sabem que só existe vida, porque existe morte e uma não fica distante da outra, caminham lado a lado, passo a passo.
Não existem palavras na medida certa para escrever emoções, sobre a dor da perda.
Cada um saberá da sua dor, costumo dizer eu, …
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E assim ao longo das nossas vidas

E assim ao longo das nossas vidas
vamos cultivando dentro de nós esta sensação de perda
que parece lenta
desencadeamos o grito e aprendemos de imediato a abafá-lo
ou então no desespero desmaiamos  e aguardamos o amparo
e depois remexemos as nossas entranhas e ganhamos a "tal" força e coragem
seguimos em frente

agora
um dedo
das mãos que se cruzaram imensas vezes
agora
um pé
das pernas que caminharam lado a lado
e agora
o coração

o que fazer
o que pensar
por onde começar
o que virá a seguir

E assim ao longo das nossas vidas
vamos cultivando dentro de nós esta sensação de perda
que parece lenta
desencadeamos o grito e aprendemos de imediato a abafá-lo
ou então no desespero desmaiamos  e aguardamos o amparo
e depois remexemos as nossas entranhas e ganhamos a "tal" força e coragem
seguimos em frente

pmariabotelho
tempoausencia
16012020
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outubro

Outubro é o meu mês, porque nele nasci

Quando as folhas caíram, eu nasci
Quando as primeiras chuvas deram de si e o céu ficou cinza, eu nasci
Quando o cheiro da terra molhada se sente no ar que respiras, eu nasci
Quando o poente virou rubi, eu nasci
Quando os livros fizeram desfolhadas e os poemas foram uvas colhidas, eu nasci
Nasci
No mês em que algo morre e hiberna
tanto mais que nasce, renasce, cai do céu,
corre nos rios, vive no ar 
adormece
emerge no brilho do meu olhar
 
Assim é outubro e algo mais

Pmariabotelho
0181016
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Rios

Existem rios que correm e que não  conheço
desconheço as suas águas, e os seus leitos 
Sabemos das suas águas , pelas imagens que correm 
Uma verdadeira doçura translúcida 
Mas a verdadeira essência dessas águas 
eu não canto
eu não sinto 
apenas sonho
Quem sabe um dia
apenas exista as estrelas 
e a água 
e eu

pmariabotelho 
0181008
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Por hoje


Nas tuas mãos
Ficaram
Passeios cruzados
Os dedos
E longas conversas
Ditados, sumários e cópias
Das tuas mãos
Obras
Edifícios tão altos
Que poucos podem alcançar
Das tuas mãos
Flores e frutos
Tiveram vida
E fizeram alguém feliz
Caminho
Caminho com a sonoridade
Dos teus ensinamentos
E em cada dificuldade
Pergunto-te
E tu, meu querido pai
Que farias, que me aconselharias?
Assim, como uma voz off, um som acústico, uma nota de piano solta, livre…
Quantas vezes penso e sonho-te do meu lado
Sinto a tua presença em luz e alegria
Foi na terra que mexeste e remexes-te, que plantei, também o teu cato no meu jardim.
Não existem mais palavras
Não tenho mais palavras
Por hoje
Apenas deixo nestas páginas
A felicidade de lembrar-te
Por bem imensa a saudade…

Pmariabotelho
02.10.018

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