Escritas

Lista de Poemas

EU ME CONSAGRO AO SUBLIME NIHILO!

Quando eu morrer
vai ser exatamente como quando
nasci:

alguns continuarão
a dizerem se amar reciprocamente,

alguns se foderão,
em traições abrasadas, um ao outro
debaixo das escadas,

alguns comporão mais
e mais poemas, mais e mais canções,
mais e mais figurações
em artes máximas,

alguns continuarão
exercendo a soberbia máxima
e angariando poder, status e genitálias
escaldadamente excitadas;

sim,
quando eu morrer
volto a ser exatamente como antes
de nascer,

deixando
toda essa ilusória loucura de lado
e voltando a ser absolutamente
nada!
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O DESFILE DOS SOBERBOS

Margaridas e tentilhões fediam
ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas
pelos canteiros e terreiros
da cidade.

Dentre eles,
a fulga flor de inverno (com seu tridente
dourado), que vivia a cantarolar:
"sou pura, pura, pura",

como que se
não tivesse nascido entre as demais,
como se não conhecesse
o próprio rabo;

como se também
já não tivesse a vulva (por todo tipo
de pássaro que se imaginar)
já rasgada.
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VALES PROFUNDOS

Bocas regurgitam lumes
tão sublimes que despertariam
anjos e deuses

(se estes existissem),

enquanto úmidos
ventres guardam orgíacos desejos
e anguladas insânias,

em um tudo que se julga
possível o "ser", que pensa poder fazer
alguma diferença,

jogando incautamente
suas faustas e falsas luzes
em meio a nadas.
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EU FICO COM AS PUTAS TRISTES, OBRIGADO

Os anjos
e os menestréis amam as flores
primaveris, as nuvens que se assemelham
a branquíssimos algodões,
as beldades
mais lindas, mais gostosas e mais rimetizadas
de todos os lugares e estações,
os voos das águias
mais esbeltas, espertas e sensualmente
vadias,
o poder de poderem
ritimar, amarrar, sodomizar e foder
como querem as mansas e meigas putas
que querem arrancar-lhes um pouco
de dinheiro e de status.
Ora, pois, é por isso
que existe o cão, que ignora deles as vaidades,
os grandiosos soluções e as fétidas
cagadas
e vai servir,
com satisfação, flores consideradas pore les
menos nomes ou putas sem recurso,
mas que, na verdade,
põe-lhes na algibeira quando se trata
de amor, de desejo, de emoção,
de respeito e de educação!
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NO AMOR NÃO VALE TUDO!

NO AMOR NÃO VALE TUDO!

Dizem que
(quando se ama) tudo vale
aos aquiescidos leitos
brancos,

onde se esporram
esparramam em luminescências insones
e extáticas carnes?

Ora, então o que fazer
quando chega o tempo de navalhar sombras
ou de chover chuvas
de lágrimas?

E o que realmente
resta enforcado aos desérticos vales,
a não ser as interrompidas
imensidões,

outrora plantadas
(com palavras voláteis, ilusões espectras
e porras espirradas)
ao nada?
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A DIFERENÇA ENTRE UMA PURITANA CONSELHEIRA E UMA PUTA ASSUMIDA

Pobre purista
culta:

só se parece mesmo
com um anjo,

quando está em uma
mortalha forçada

de dor, silêncio
e angústia.
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EU SEI LIDAR COM A COISA!

Entre imagens,
sonhos, fantasias, devaneios
e paredes excepcionalmente bem inaurugradas
e pintadas,

entre ruas,
jardins, mares, casas e leitos
onde falam sobre o amor e sobre
coisas libidinosas sem o menor receio
de que suas mascaras
caiam,

sigo como niilista,
nasce sol, entra noite, hora megulhando
na tediosa solidão que tem só
quem sente a famigerada
condição humana,

ora apenas
me canibalizando, também humanamente,
entre as calcinhas, os seios e as xanas
das beladonas puristas,

sempre, claro,
com o cuidado de lhes tapar a boca
com a mão para que não contradigam,
em uma cama, os belos ensinametos que dão
em seus claríssimos e soberbos
plantões!
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INALIENAVELMENTE

... fui concebido
como abnomalia em meu
centro;

todo o resto
do que pensam, sonham, dizem
ou fazem

não são
para mim mais do que
sombras de semelhantes abnormidades
alheias!
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OS ANJOS NÃO EXISTEM

Já era essa estória
de crer em anjos puristas que vivem
em meio cáfilas de bocas
e cus contaminados:

agora, ando vendo apenas
(de minha janela ao deseto) os fervorosos
labores das formigas
terreiras,

as exíguas ilusões
das santas sacramenteiras, e as recorrentes
quedas das águias
trepadeiras.
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ONDAS APOCALÍPTICAS

Num átimo,
o sonho se transforma:

os mares antes cheios
se secam em frios e angustiantes vazios;

choram, em espasmos invisíveis,
os desertos que ficam.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!