Lista de Poemas
AINDA QUERO ALGO, MAS ELE NÃO EXISTE
... confesso que
eu ainda quero algumas coisas,
sabe?
Mas como o que
quero inclui a pureza emu ma beldade
que sempre sonhei,
sinto que
tenho, cada vez mais que
me isolar no deserto
e na ilha,
porque
só tenho visto pela minha frente
e nesta minha casa, quando passam
a voar lendo o que escrevo,
meretrizes,
bruxas que cozinham em caldeirões
de porras e demônias, louca
e ninfomaníacas
mascaradas
de nobilíssimos anjos!
eu ainda quero algumas coisas,
sabe?
Mas como o que
quero inclui a pureza emu ma beldade
que sempre sonhei,
sinto que
tenho, cada vez mais que
me isolar no deserto
e na ilha,
porque
só tenho visto pela minha frente
e nesta minha casa, quando passam
a voar lendo o que escrevo,
meretrizes,
bruxas que cozinham em caldeirões
de porras e demônias, louca
e ninfomaníacas
mascaradas
de nobilíssimos anjos!
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O DURO MANTO DA MORTE
... o que antes queria,
a tua quente matéria em carne,
a tua alva coragem em se colocar pura
acima do sapiens,
a tua dança
parecida com a das mais graciosas aves,
os teus desejos mais secretos
e excitantes,
o teu amor
por mim como se eu fosse a tua
última artéria, as suas asas e as eruas pernas
aberas a me convidarem para entrar;
e tudo mais que no infinito
das horas mortas construímos, não me cabem
mais, devido a este duro e frio
manto da morte,
que te cobre
de tal modo que nem mais
posso chamar-te, amar-te ou sequer
contemplar-te!
a tua quente matéria em carne,
a tua alva coragem em se colocar pura
acima do sapiens,
a tua dança
parecida com a das mais graciosas aves,
os teus desejos mais secretos
e excitantes,
o teu amor
por mim como se eu fosse a tua
última artéria, as suas asas e as eruas pernas
aberas a me convidarem para entrar;
e tudo mais que no infinito
das horas mortas construímos, não me cabem
mais, devido a este duro e frio
manto da morte,
que te cobre
de tal modo que nem mais
posso chamar-te, amar-te ou sequer
contemplar-te!
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CORTINAS FECHADAS
... ela partiu há
exatamente um ano, e ainda
faz frio;
a rua não
é mais iluminada, a rua em que
andávamos já nem mais
existe,
nem o céu
em que voávamos, nem o mar
em que navegávamos, nem a cama
em que nos amávamos;
ainda assim
manteno ao frigidíssimo inverno
até que, solitaria, ela se congeal e tudo
se me escureça como ocorreu
com ela!
exatamente um ano, e ainda
faz frio;
a rua não
é mais iluminada, a rua em que
andávamos já nem mais
existe,
nem o céu
em que voávamos, nem o mar
em que navegávamos, nem a cama
em que nos amávamos;
ainda assim
manteno ao frigidíssimo inverno
até que, solitaria, ela se congeal e tudo
se me escureça como ocorreu
com ela!
👁️ 162
ESCRAVOS DE NOSSA PRÓPRIA LIBERDADE
Da próxima vez
que forem elucubrar-me
ou julgar-me com seus afiados
verbos voláteis,
coloquem-se
diante de féis espelhos
- que vejo indícios de rotas sinuosas
ao caminho de todos -;
e atirem, com o mesmo vigor,
contra o próprio peito,
em suicídio dessas faustas luzes neon
que vivem a regozijar
por aí.
que forem elucubrar-me
ou julgar-me com seus afiados
verbos voláteis,
coloquem-se
diante de féis espelhos
- que vejo indícios de rotas sinuosas
ao caminho de todos -;
e atirem, com o mesmo vigor,
contra o próprio peito,
em suicídio dessas faustas luzes neon
que vivem a regozijar
por aí.
👁️ 168
O QUE ESTÁ OLHANDO?
"... por que
você está olhando, porque não vem
deitar?"
perguntou-me
ela, com sua linda calcinha enfiada
no cu, após darmos umas baitas
trepadas;
"Não querida,
podes dormir tranquila,
eu só estou reparando
como, tão diferentemente
dos dias em que tu andas, voas
e trepas nos duros paus
da vida,
tu te pareces
tão angelicalmente pura
descansando
assim!
👁️ 131
NÓS NOS AMAMOS IGUAL A VÓS PURITANOS. FOI SEMELHANTÍSSIMO!
... queríamos
sermos e nos amarmos absurdo
e infinito,
certamente
sofríamos algum tipo de distúrbio
psíquico
porque, enquanto
queríamos e nos prometíamos isso,
sempre escondidos, ela ia caçar picas
para dar
e eu ia caçar xotas para
comer!
sermos e nos amarmos absurdo
e infinito,
certamente
sofríamos algum tipo de distúrbio
psíquico
porque, enquanto
queríamos e nos prometíamos isso,
sempre escondidos, ela ia caçar picas
para dar
e eu ia caçar xotas para
comer!
👁️ 143
O QUE POSSO FAZER?
... nem comer bocetas
tira essa dor tão acentuada!"
... lembrar de ti é dolorido,sonhar contigo é horrível,
lembrar-me de ti é extremamente
angustiante,
eu eu sinto,
após tanto tempo, que estou
mesmo completamente
ferrado,
porque contigo
o esquecimento é impossível!
👁️ 126
DORES DE PARTO
... como uma chaga
negra que dizima sonhos
e esperanças,
dentro de mim
está as lembranças soídas
daqueles vívidos tempos
de outrora;
e o pior
é que, mesmo que os deuses
transformem as borboletas e as mariposas
que ficaram por aqui em belos
e sensuais anjos,
eu não consigo
me livrar da angústia, do sofrimento
que me gaz escorrer assim sangue, angústias
e dores de parto!
negra que dizima sonhos
e esperanças,
dentro de mim
está as lembranças soídas
daqueles vívidos tempos
de outrora;
e o pior
é que, mesmo que os deuses
transformem as borboletas e as mariposas
que ficaram por aqui em belos
e sensuais anjos,
eu não consigo
me livrar da angústia, do sofrimento
que me gaz escorrer assim sangue, angústias
e dores de parto!
👁️ 197
FLORES, PEDRAS E ÍCAROS
De meu solitário quarto,
à madrugada, pus-me a viajar
ao cume de uma alta
montanha;
e, dela,
foi que vi imensas florestas
enverdecidas, com suas flores, frutos
e animais
- de toda espécie -
em alvoroçados
frenesis: alguns se matavam,
a garras e dentes, para saciarem suas fomes
ou para estabelecerem,
brutalmente,
seus territórios;
enquanto outros gorjeavam,
tentando fabricar algum encantamento tal,
que lhes permitissem seduzir
as vulvas das bicharadas
fêmeas,
onde lhes era,
instintiva e irresistivelmente,
necessário enfiar
seus paus.
Ao longe,
vi outra floresta,
de pedras e cimentos,
onde habitavam
sapiens,
com duas únicas
diferenças: estes tinham uma abnormal condição
que a tudo lhes permitia (re) inaugurarem
com suas sencientes
razões;
e um sublime
e onipotente deus
para lhes aliviar dos crimes
e pecados.
à madrugada, pus-me a viajar
ao cume de uma alta
montanha;
e, dela,
foi que vi imensas florestas
enverdecidas, com suas flores, frutos
e animais
- de toda espécie -
em alvoroçados
frenesis: alguns se matavam,
a garras e dentes, para saciarem suas fomes
ou para estabelecerem,
brutalmente,
seus territórios;
enquanto outros gorjeavam,
tentando fabricar algum encantamento tal,
que lhes permitissem seduzir
as vulvas das bicharadas
fêmeas,
onde lhes era,
instintiva e irresistivelmente,
necessário enfiar
seus paus.
Ao longe,
vi outra floresta,
de pedras e cimentos,
onde habitavam
sapiens,
com duas únicas
diferenças: estes tinham uma abnormal condição
que a tudo lhes permitia (re) inaugurarem
com suas sencientes
razões;
e um sublime
e onipotente deus
para lhes aliviar dos crimes
e pecados.
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DESÍGNIOS
Por que me lês a caminhar em ebriedade inóspita, se, assim como minhas tormentas de outrora, ao contemplar teus estouvados e arguciosos voos, poder-te-iam evitar tantas quedas recorrentes; os versos tristes que salivo de meu retiro ermo poder-te-ão sedimentar dores lancinantes nos pensamentos que se perdem entre um, e outro, e inúmeros reinos que inventaste em enlaces inexequíveis entre tantas lendas?
Contempla, então, o meu vagar entre areias estéreis, porque, de tudo que dizias do fausto fecundador de sonhos, o improvável se tornou inevitável em meu veio ressequido, sem que possas sentir a solidão nua em que naufrago.
Mas eis que, para teu alívio em leitos nobres e para tua liberdade em horizontes argamassados, melodio, de meu desterro, uma triste oração que a Brisa te segredará em alguma madrugada insone:
"Ó grande reino de ébrios enlaces em quimeras insanas contra o qual ainda me debato em invencível compêndio, não espalheis mais sonhos incautos em meus céus acinzentados para que eu não os desdenhe em esquálida descrença.
Ó grande ego senciente, implacável e degenerado, como a inocência outrora perdida, mortificas-te em mim para que não me volte ao conforto das flores de alvas pétalas nem aos confrontos com os magníficos menestréis do mundo.
Ó regozijadores de todos os tempos e adventos, mantende-vos longe de minha retirada paz no deserto para que não vos exponha os intrínsecos espúrios com o bruto ceticismo me assola em enferma resignação.
E, por fim, ó poderoso deus da flor de inverno, cuida de tua filha à qual vi caminhar perdida.
E afasta-a de mim, que conheço dela os maculados segredos, pois aprisioná-la-ia em minha alma entenebrecida e amá-la-ia em plena e dolorosa eternidade!"
Contempla, então, o meu vagar entre areias estéreis, porque, de tudo que dizias do fausto fecundador de sonhos, o improvável se tornou inevitável em meu veio ressequido, sem que possas sentir a solidão nua em que naufrago.
Mas eis que, para teu alívio em leitos nobres e para tua liberdade em horizontes argamassados, melodio, de meu desterro, uma triste oração que a Brisa te segredará em alguma madrugada insone:
"Ó grande reino de ébrios enlaces em quimeras insanas contra o qual ainda me debato em invencível compêndio, não espalheis mais sonhos incautos em meus céus acinzentados para que eu não os desdenhe em esquálida descrença.
Ó grande ego senciente, implacável e degenerado, como a inocência outrora perdida, mortificas-te em mim para que não me volte ao conforto das flores de alvas pétalas nem aos confrontos com os magníficos menestréis do mundo.
Ó regozijadores de todos os tempos e adventos, mantende-vos longe de minha retirada paz no deserto para que não vos exponha os intrínsecos espúrios com o bruto ceticismo me assola em enferma resignação.
E, por fim, ó poderoso deus da flor de inverno, cuida de tua filha à qual vi caminhar perdida.
E afasta-a de mim, que conheço dela os maculados segredos, pois aprisioná-la-ia em minha alma entenebrecida e amá-la-ia em plena e dolorosa eternidade!"
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Comentários (7)
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fernanda_xerez
2018-08-17
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
fernanda_xerez
2018-02-26
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
2018-01-09
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
fernanda_xerez
2017-12-23
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
fernanda_xerez
2017-12-23
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*