Lista de Poemas

A FALHA DO CÃO NIILISTA

... humano como qualquer
outro!
... seus olhos firtos,
seus seios lindos, seu corpo deliciosamente
curvilíneo, a firmeza nos gestos
e na fala,
uma musa a tratar
um velho niilista poeta como
um anjo-menino;
seus gestos
diziam, suas mãos diziam,
sua boca dizia, seu sexo dizia
e o niilista a tudo queria,
e tanto,
e por tanto tempo esperou que,
mesmo sendo um cão, ali naquele momento,
diante de tanta formosura
e disposição,
vacilou!
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ALTA TENSÃO: QUANDO TUDO PARECE DIFÍCIL

Desde fim de semana passada,
dias difíceis,
e contra dias
difíceis, desses dificílimos
que vez em quando nos ocorrem,
costumamos
buscar algum refúgio, algum alívio,
algum porto mais seguro,
seja na ilusão
do amor, seja no desejo ou em sua tentativa
quando tudo parece desabar,
seja viajando,
seja como for, mas há dias
tão severos e difíceis
que somente
uma flor do deserto, consegue
em algo nos aliviar!
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CHUVAS

Já tive amigos,
ominosos marimbondos com aparências
de inocentes pardais
a se balouçarem

nos fios
da vil existência tentando erigir montes
sobre vazios;

já estive em jardins
onde costuma haver fulgas flores,
de acetinadas pétalas e cândidas
palavras,

que se balouçavam
ao vento, com venenosos espinhos
sob suas alvas folhas,

o que não mais há
porque promovi seus enterros
nas solidão angustiante
de meu desterro;

mas,
do que quero
falar neste momento, não é de amigos
nem de flores;
​​​​​​​
é que,
às vezes, quero gritar,
e tenho medo de alagar o deserto
com minhas chuvas
e cinzas!
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O SER EXISTENCIALISTA

Penso que erraram os grandes imperativistas, ao tratarem do "Ser" e das coisas onde ele está inserido, isso se dá porque, em seus excelsos discursos, preteriram a análise da abnormidade que surgiu em misteriosa singularidade no Cosmo, e concentraram-se tão somente em seus estudos sobre o "Ser", e o que dele emerge ou o que nele adentra; na verdade, tudo que há concretamente passou a nos servir, abstratamente, de alguma forma, compondo toda a cena ao modo único que as percebemos com nossas egolatrias sencientes e inalienáveis, assim, não mais há dissociabilidade entre abnormal e as coisas em que ele está inserido, pois estas se condenam a seus modos de ver e a seus poderes de inaugurações cernientes; as raízes de nossas existências são muito mais profundas, e delas é que surgem as árvores, - avaliadas nas exaustivas reflexões daqueles que se propuseram a este estudo -, com suas magníficas imagens postas num grandioso e vil palco a que chamamos de vida. Bem sei que podereis dizer que sou louco e que não me entendeis, e eu compreendo isso por uma simples questão: de nossos galhos e folhas a alcançaremos céus figurados, não podemos contemplar as raízes acidentais, ou sequer supor um antes delas ou, ainda, um depois da morte de nossos frondosos egos, a não ser que também, de alguma forma, criemos algo para nos servir, como os deuses dos paraísos idílicos onde nos imaginamos poder morar algum dia, ou os demônios dos infernos entenebrecidos onde nos podemos ser castigados por pecados que não podem haver, exteriorizados, à grande e indecifrável singularidade que nos gerou.
Eu poderia dizer que somos incautos, despercebidos ou descautelosos, diante uma visão mais honesta de nós mesmos; poderia dizer que samos, e que nos atemos, a um poder de escolha - que só existe em nossas folhas a bailarem em nossos ares inaugurados, - para tentar nos explicar posturas quaisquer, de acertos ou de erros, de ilustres enlevos ou de abissais quedas; poderia dizer que fomos, - e até creio nisso, discordando tão somente da forma como ocorreu, do modo como nos ligamos a elas, e das consequências de tal singularidade ocorrida - , jogados num mundo de coisas, preterindo a visão do apagamento violado, que um dia voltará a haver independente das abstrações neandertais; poderia continuar mostrando, exaustivamente, como tentamos nos livrar, individualmente, do que chamamos de mal", sobretudo quando usamos o verbum volat, com o qual egozijamos com nossos "eus" nossos enredos, sonhos, idolatrias, glorificações, entre uma infinidade de inaugurações que vivemos a nos fabricar de modo singelo, enquanto defecamos todo tipo de misérias verborrágicas e de ações mortais, - que também nos pertencem-, a nossos dissidentes irmãos de abnormidade; mas estou cansado e com vontade de me desterrar definitivamente, - como se me fosse possível, - ao deserto silente.
Por isso, vou dizer apenas o que penso que somos: tão somente células de uma mesma singularidade, estranha e indecifrável por natureza de condenação nos limites da infinda barreira dentro da qual não mais podemos ver concretudes do apagamento de antes de nossos adventos. sem que inauguremos abstrações a nossos modos de ver e de perceber; e é disso que tenho dito sem que podeis entendeis.
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PÁSSARO DE MORTE

... quando sucumbe
faminta a terra, a água das chuvas
e dos mares já não
lhe basta,
o verde
das matas e o azul dos céus
já não lhe bastam,
os cantos
e as cores dos pássaros de todos
os tipos já não lhe bastam,
as monalisas
e as beldades de um mundo inteiro
já não lhe bastam,
as tempestades
e os abismos mais profundos já
não lhe escabram:
somente
a morte, com seu frio, eterno
e manso beijo, consegue aliviar o seu
extremo cansaço!
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OS LABIRINTOS DA PSIQUÉ

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APÓS UMA SEMANA INFERNAL, NÃO QUERER PERDER A OPORTUNIDADE FOI MEU GRANDE ERRO

"... mas me havituei
às tempestades, como aos afogamentos
​​​​​​​que delas advêm!"


... ja nada mais é leve,
sim, tudo pesa, do problema do filho
à pirraça da mulher,

e o vento
já não mais pega leve,
geralmente tempestua a esta
altura do deserto:

um oásis
parece tão necessário que, mesmo
quando as rochas nos cortam a pele,
ainda assim queremo-lo,

com receio
de depois não mais o ter:
ledo erro, tudo deve ter a sua certa
hora!
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TEU NOME SERÁ HONRADO

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LUZE-LUZES

Os homens,
geralmente,
temos medo de dizermos
tudo aquilo que
somos,

mas não nos
privamos de dizer
tudo o que nossos semelhantes
são.

Assim,
há um enigma
nas verdades havidas por detrás
dos verbos voláteis;

e árdua,
diria eu impossível,
é a tarefa de discernir, da essência trancada
do ser, quando há sinceras fluorescências
emitidas, ou quando são apenas
sombras travestidas.

Por isso,
cansado de lumes às avessas,
e também de doar meus turvos e imanentes
reflexos,

poderia eu dar
uma severa ordem de restrição
a meus semelhantes;

mas não farei isso
porque eu sei, ou penso que sei,
que, da abnomalia acidental que não se
aceita em plenitude,
​​​​​​​
ao fim,
tudo se metamorfoseia
em nada.
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A FALHA DO CÃO NIILISTA

... humano como qualquer
outro!
... seus olhos firtos,
seus seios lindos, seu corpo deliciosamente
curvilíneo, a firmeza nos gestos
e na fala,
uma musa a tratar
um velho niilista poeta como
um anjo-menino;
seus gestos
diziam, suas mãos diziam,
sua boca dizia, seu sexo dizia
e o niilista a tudo queria,
e tanto,
e por tanto tempo esperou que,
mesmo sendo um cão, ali naquele momento,
diante de tanta formosura
e disposição,
vacilou!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!