Lista de Poemas
ALMAS E CORAÇÕES
Deviam-se se cuidar
mais as almas e os corações
com os sonhos nuvem,
com os amores e ideais inexequíveis
e com as esperanças exageradas
nas imagens espraiadas
por aí.
Sim, deviam-se cuidar
mais as almas e os corações
com as pedras e lamas aos chãos,
com os espinhos de entre flores e folhas
e com as adagas escondidas
às mãos,
porque, às escolhas erradas,
não mais sustentam as póstumas
e voláteis palavras;
porque, das ilusões antes
projetadas, podem restar-lhes
- às almas e corações
descuidados -
tão somente dolorosos,
angustiantes e insolúveis descrenças
fortificadas aos inexoravelmente
secos e rígidos hiatos.
RENASCIMENTO INGLÓRIO
Essa noite tive
um sonho deveras estranho:
havia-me, e a quatro titãs e a meus três filhos,
todos a certa distância, entre planícies,
montes e estranhos horizontes.
E eu via dos titãs as barcas trincadas,
e eles viam-me com as asas machucadas,
enquanto as crianças viam-nos admirados
sem entenderem a nada.
Aos titãs - dois do gênero masculino
e dois do feminino - eu via os olhares de fogo,
os corações de pedra, as palavras-pluma
lançadas e as mãos a esconderem
fios de lâminas afiadas.
E eu lhes queria exterminar
as frinchas que sabiam haver, mas que omitiam
de suas barcas; e às crianças
eu queria recuperar
ainda intactas;
enquanto os titãs,
com suas crinas inclinadas,
suas poses heróicas, suas harpas mágicas
e suas soberbias incontroladas,
esparramavam imagens
tão fascinantes aos mambembes espetáculos
em que se apresentavam, que as iam
deixando encantadas.
E não sei por quê,
ficaram sabendo os titãs que,
depois de mais uma vez ao limite provado,
eu havia sido poupado do eterno
reino apagado;
e, embriagados de ira,
quiseram-me provar o maior dos erros
e meu pior castigo: minha pequenez
e minha morte viva na vã
e vil jornada.
De repente, tudo se convulsionou:
sobre terras, mares e reinos distantes
riscaram os céus com asas ainda
puras as crianças;
os titãs, em seguida,
pousaram-se um pouco além delas,
com suas barcas volantes; e eu me caí um pouco
antes, com as asas realmente
quebradas.
As crianças, então,
ergueram-se puras; os quatro titãs passaram
por elas, abreviando-se em dizerem
que eu era um ser negro que
decaiu em forma
humana,
e que, uma vez mais,
tinha escapado da ira inflamada dos deuses,
os quais esperavam pelo justo
acerto de contas;
e seguiram-se em meu rumo,
deixando à passagem flores de todas as cores,
e cheiros que perturbavam todos os sentidos
das águias e das formigas que
passassem por perto,
como dos pequenos
que se confundiam por entre
as florestas que plantaram entre delas
a visagem de mim.
Quando apontaram na esquina
de entre os tempos e espaços,
estava-me soerguido e já de tudo
conhecedor do que
haviam dito
e feito ao disseminarem
suas alvas figuras e seus belos, voláteis
e eficazes verbos por entre as searas férteis
das senciências e dos desvarios
sapiens.
E então,
vi quando as crianças iam-se
trnando adultas, cada vez mais confusas,
a caminharem por entre as flores e as árvores
que foram plantadas pelas ruas,
passeios e veredas
da vida;
e tão confusamente
que lhes chamei atenção para dois buracos
sob meus braços erguidos, tentando
lhes explicar o motivo de minha
grande ausência
e lhes mostrar
que não era - como lhes disseram os titãs -
as minhas disseminações; mas que,
como ocorreu comigo,
que se cuidassem,
porque pela palavra e pelas ilusões
de mitos e lendas criados é que
poderiam incorrer as maiores quedas
de suas vidas.
Sem ser ouvido, bradei, enfim:
"Sou eu, seu pai, meus filhos; sou eu!";
enquanto se riram desdenhando os titãs
que já lhes havia envenenado
os puros sacrários.
Neste momento,
pus-me a olhar a lendária barca,
por onde sempre voavam essas criaturas,
invertebradamente criadas por homens
tão inglórios como eu;
e me caminhei a ela
- à barca - com uma ira tal que deixava negro
o chão por onde passava.
E me pus a destruí-la
e a desmantelava quanto mais se riam os titãs
e mais choravam meus filhos
pela inconteste prova de minhas imanências
abnormais e espúrias,
sem perceber que estava, assim,
condenado pelo resto de meus tempos, a lutar
e a me prostrar, mesmo na frente
dos que mais amo,
contra os reflexos avessos
de mim mesmo.
mais as almas e os corações
com os sonhos nuvem,
com os amores e ideais inexequíveis
e com as esperanças exageradas
nas imagens espraiadas
por aí.
Sim, deviam-se cuidar
mais as almas e os corações
com as pedras e lamas aos chãos,
com os espinhos de entre flores e folhas
e com as adagas escondidas
às mãos,
porque, às escolhas erradas,
não mais sustentam as póstumas
e voláteis palavras;
porque, das ilusões antes
projetadas, podem restar-lhes
- às almas e corações
descuidados -
tão somente dolorosos,
angustiantes e insolúveis descrenças
fortificadas aos inexoravelmente
secos e rígidos hiatos.
RENASCIMENTO INGLÓRIO
Essa noite tive
um sonho deveras estranho:
havia-me, e a quatro titãs e a meus três filhos,
todos a certa distância, entre planícies,
montes e estranhos horizontes.
E eu via dos titãs as barcas trincadas,
e eles viam-me com as asas machucadas,
enquanto as crianças viam-nos admirados
sem entenderem a nada.
Aos titãs - dois do gênero masculino
e dois do feminino - eu via os olhares de fogo,
os corações de pedra, as palavras-pluma
lançadas e as mãos a esconderem
fios de lâminas afiadas.
E eu lhes queria exterminar
as frinchas que sabiam haver, mas que omitiam
de suas barcas; e às crianças
eu queria recuperar
ainda intactas;
enquanto os titãs,
com suas crinas inclinadas,
suas poses heróicas, suas harpas mágicas
e suas soberbias incontroladas,
esparramavam imagens
tão fascinantes aos mambembes espetáculos
em que se apresentavam, que as iam
deixando encantadas.
E não sei por quê,
ficaram sabendo os titãs que,
depois de mais uma vez ao limite provado,
eu havia sido poupado do eterno
reino apagado;
e, embriagados de ira,
quiseram-me provar o maior dos erros
e meu pior castigo: minha pequenez
e minha morte viva na vã
e vil jornada.
De repente, tudo se convulsionou:
sobre terras, mares e reinos distantes
riscaram os céus com asas ainda
puras as crianças;
os titãs, em seguida,
pousaram-se um pouco além delas,
com suas barcas volantes; e eu me caí um pouco
antes, com as asas realmente
quebradas.
As crianças, então,
ergueram-se puras; os quatro titãs passaram
por elas, abreviando-se em dizerem
que eu era um ser negro que
decaiu em forma
humana,
e que, uma vez mais,
tinha escapado da ira inflamada dos deuses,
os quais esperavam pelo justo
acerto de contas;
e seguiram-se em meu rumo,
deixando à passagem flores de todas as cores,
e cheiros que perturbavam todos os sentidos
das águias e das formigas que
passassem por perto,
como dos pequenos
que se confundiam por entre
as florestas que plantaram entre delas
a visagem de mim.
Quando apontaram na esquina
de entre os tempos e espaços,
estava-me soerguido e já de tudo
conhecedor do que
haviam dito
e feito ao disseminarem
suas alvas figuras e seus belos, voláteis
e eficazes verbos por entre as searas férteis
das senciências e dos desvarios
sapiens.
E então,
vi quando as crianças iam-se
trnando adultas, cada vez mais confusas,
a caminharem por entre as flores e as árvores
que foram plantadas pelas ruas,
passeios e veredas
da vida;
e tão confusamente
que lhes chamei atenção para dois buracos
sob meus braços erguidos, tentando
lhes explicar o motivo de minha
grande ausência
e lhes mostrar
que não era - como lhes disseram os titãs -
as minhas disseminações; mas que,
como ocorreu comigo,
que se cuidassem,
porque pela palavra e pelas ilusões
de mitos e lendas criados é que
poderiam incorrer as maiores quedas
de suas vidas.
Sem ser ouvido, bradei, enfim:
"Sou eu, seu pai, meus filhos; sou eu!";
enquanto se riram desdenhando os titãs
que já lhes havia envenenado
os puros sacrários.
Neste momento,
pus-me a olhar a lendária barca,
por onde sempre voavam essas criaturas,
invertebradamente criadas por homens
tão inglórios como eu;
e me caminhei a ela
- à barca - com uma ira tal que deixava negro
o chão por onde passava.
E me pus a destruí-la
e a desmantelava quanto mais se riam os titãs
e mais choravam meus filhos
pela inconteste prova de minhas imanências
abnormais e espúrias,
sem perceber que estava, assim,
condenado pelo resto de meus tempos, a lutar
e a me prostrar, mesmo na frente
dos que mais amo,
contra os reflexos avessos
de mim mesmo.
108
EU SEI QUE É DIFÍCIL II
Claro que
a visão nua do ser é a mais
absurda e abnômala
que existe;
claro que,
para amenizar ta visagem,
que mais nos remete a um grande
pesadelo do que a qualquer
outra coisa,
temos
de nos vestir de roupas, de rímeis,
de maquiagens e de cintilantes
máscaras;
mas é claro
que eu sabia que, ao optar
por andar nu neste deserto, ia feder
a ponto de a mim mesmo desagradar
diante de um espelho,
e é claro que,
por consequência, como fora com Ana,
nuvem e tantas outras beldades eu sabia
que teria de voltar ao deserto para,
com o preço, mais uma vez
padecer!
a visão nua do ser é a mais
absurda e abnômala
que existe;
claro que,
para amenizar ta visagem,
que mais nos remete a um grande
pesadelo do que a qualquer
outra coisa,
temos
de nos vestir de roupas, de rímeis,
de maquiagens e de cintilantes
máscaras;
mas é claro
que eu sabia que, ao optar
por andar nu neste deserto, ia feder
a ponto de a mim mesmo desagradar
diante de um espelho,
e é claro que,
por consequência, como fora com Ana,
nuvem e tantas outras beldades eu sabia
que teria de voltar ao deserto para,
com o preço, mais uma vez
padecer!
146
ESPETÁCULO PREVISTO
... nunca gostei
de anjinhos, sempre falei
o que é o ser;
e quando falo,
falo tão sincero e rasgado
que costumam me chamar de
cão do diabo.
Agora vejam,
quanto tempo perdem com direitas
e esquerdas na política
brasileira,
onde aos palanques
pousam como salvadores e,
às escondidas enchem
as algibeiras.
Alguém aqui
já me viu perdendo tempo
com políticos de belas palavras
e de cu sujos,
piores, muito piores
do que as putas que comem
e de que falam com o dinheiro
público?
Alguém tem
que carregar o fardo mais pesado
e ultrapassar siglas políticas e correntes
idealistas de merda
e dizer,
que abnomalia, como sempre falei,
é originária e nenhum cu
está livre da avessa
porcalhada!
de anjinhos, sempre falei
o que é o ser;
e quando falo,
falo tão sincero e rasgado
que costumam me chamar de
cão do diabo.
Agora vejam,
quanto tempo perdem com direitas
e esquerdas na política
brasileira,
onde aos palanques
pousam como salvadores e,
às escondidas enchem
as algibeiras.
Alguém aqui
já me viu perdendo tempo
com políticos de belas palavras
e de cu sujos,
piores, muito piores
do que as putas que comem
e de que falam com o dinheiro
público?
Alguém tem
que carregar o fardo mais pesado
e ultrapassar siglas políticas e correntes
idealistas de merda
e dizer,
que abnomalia, como sempre falei,
é originária e nenhum cu
está livre da avessa
porcalhada!
185
EU SEI QUE É DIFÍCIL
Antes de me julgares
novamente, em algum outro momento,
seja com o coração
autopurificado que julgas a ter,
seja com a sabedoria
que julgas ter conseguido,
seja com a moralidade
e a ética que julgas ter atingido,
seja com os rios
que te correm inocentemente aos olhos,
eu sugiro que,
primeiramente, tentes provar
mesmo que
tenhas de fazê-los em meus lábios,
em minhas carnes e em minha
alma,
um pouco só
de minhas angústias
e dores!
novamente, em algum outro momento,
seja com o coração
autopurificado que julgas a ter,
seja com a sabedoria
que julgas ter conseguido,
seja com a moralidade
e a ética que julgas ter atingido,
seja com os rios
que te correm inocentemente aos olhos,
eu sugiro que,
primeiramente, tentes provar
mesmo que
tenhas de fazê-los em meus lábios,
em minhas carnes e em minha
alma,
um pouco só
de minhas angústias
e dores!
167
Comentários (7)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!






Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*