Escritas

Lista de Poemas

A ARTIFICIALIZAÇÃO DO MUNDO

... flores de plástico,
sofás de plástico,
___ camas de plástico,

poesia de plastico,
amores de plástico,
___ fodas de plástico,

febres de plástico,
granas de plástico,
___ honras de plástico;

enquanto isso,
crianças caem dos penhascos,
velhos morrem nos frios madrugados,
deuses se contorcem com a farra,
___ mas escondidos e calados,

senhores se masturbam
com suas puristas em grandes palácios,
há goteiras nas casas dos já
___ semimortos,

as janelas
dos sonhos são fechadas
aos bastardos, aos retardados
___ e aos desempregados;

ela não enxerga
mais que do nariz a um palmo,
e vive nessa lama de teatrações
___ esparramadas;

e para mim
só sobra foder os jumentos, os cães
e os vermes, como uma ameba
___ servidora,

em triste condenação
à inexorável morte na anarquia
___ dos plásticos.
👁️ 114

MAIS QUE DE COSTUME

Ultimamente,
mais que de costume

talvez pelo efeito
de tantos dias enfermo,
sob antibióticos que atiçam a calmaria
minha células
nervosas,

ou pela constante tosse
que, todas as noites, vem fazer amor
com minhas amígdalas,
ao solitário leito -,

tenho andando,
sem sonhos, vesanias ou chuvas,
a me pendular entre
vãos e nadas,

deixando o ar livre
para os vôos e para as dissimulações
dos outros pássaros
sapiens.
👁️ 106

DELÍRIOS

Sim, querida,
podes levar-me
ao delírio com teu
sonho nuvem,
ou ao martírio com tuas
chuvas de fogo;
e ali, entre as cinzas,
podes deixar-me,
solitária e angustiadamente,
jogado,
ou podes soprar-me,
ao coração,
uma cândida brisa
fênix;
mas eis uma coisa
que não podes
fazer:
matar-me
o amor que te tenho
em minh'alma.
👁️ 146

DENTRO DE MIM

... dentro de mim,
sinto a incessante chuva
cair,
o passado
já está morto, como se nem
se tivesse havido,
a tarde
está cinzamente nublada
e o caos se faz
presente,
e a grande
noite sque se me aproxim
ó me parece um triste
e inevitável fim,
para
as luzes que emanamos
nos dias de hoje.
👁️ 118

ELAS, AS FLORES

Elas,
caros amigos,
belas flores,
com seus cabelos
a caírem como
cachoeiras
sobre os delicados
ombros, costas
e seios;
flores andantes,
a maquearem
seus rostos, cílios
e lábios
sem receios;
flores mágicas
a esconderem, sob sutiãs
e calcinhas,
seus segredos
mais incendieiros;
flores oníricas,
a nos infiltrarem os sonhos
e a nos enlouquecerem
em amores e fulgores
alvissareiros.
👁️ 173

O SER É UM SÓ CORPO

... e quando
o céu se torna escuro,
negro como
o ardente inferno,
os anjos
e os puritanos
saem escondidos de
Seus paraísos
e vão
participar das promíscuas
sodomias e concupiscências dos cães
e dos demônios!
👁️ 168

MÁSCARAS INDECIFRÁVEIS

"... e o Sr. Baten Kaitos,
ou Thor Shaitan, ou Thor Menkent,
ou Archenar,
ou aldebaram, ou Beowulf,
de tantas palavras,
de tantos sonhos,
de tantas lendas,
de tantas coisas,
de tantos propósitos e nenhuma
verdade,
é, sim, um cão
do diabo";
disse-lhe
um anjo de branco
emplumado.
"Parabéns,
pela perspicácia, nobre anjo,
mas é exatamente
desses pseudoestares mentais,
que por covardia evitas cultuar
e te limitas em apenas
dos outros
reparar,
é que não
te é permitido sentir também
de minhas angústias, de meus receios
e de minhas dores.
👁️ 146

SOMOS INALIENAVELMENTE SEMPRE O FRUTO DE NOSSAS ESCOLHAS!

... deveria a vida,
___ por breve que nos é,

mais bela,
sem demasiadas ambições,
com mais adequada divisão
___ das coisas,

com mais
carinhos, amores, sexos
___ e compreensões,

sem muitas
glórias, angústias e dores
___ cruciantes;

mas
o verdadeiro fato
é que, por escolha nossa,
___ não é!
👁️ 165

LÁGRIMAS PASSADAS

Naquele dia
ela foi se deitar com lágrimas
aos olhos e sem nada
dizer;

eu desconfiei
do esplanado silêncio e da assentada
dor da hora, mas a perguntar
por que,

como que
se previsse a sentença,
não ousei:

dias depois,
a notícia, seguida da dura luta
e, quando a vi da última vez, quem
chorava era eu:

ela estava
na esplanada da meia-noite!
👁️ 115

OS BELOS CÉUS DO SAPIENS!

Algumas escolhas que fazemos pode nos levar a céus permeados de sombras; outras a céus limpos e azuis, desde que não se lhes coloquem as próprias visões turvas.



É que constumamos nos blindar de forma drástica, sem nenhuma explicação lógica, em alguns encontros casuais, ou mesmo em compromissos mais duradouros.



São tendências naturais da abnormalidade. E a melhor defesa para o ego costuma ser a inversão de valores e o acúmulo de merdas no outro ser, a quem julgamos amar ou odiar, ou de quem nos dizemos amigos.



Se levarmos em contra esse paradoxo de o ser se ver bem, e não tão bema o próximo, a tendência, pelo ceticismo, é o devaneio pela busca no outro do que, na verdade, nem nós temos: a sublime condição de não mentir, de não jogar e de nao ludibriar.



Haveria algum porto Salvador de nós mesmos, se empurramos nossas próprias culpas nos outros?



Não. Definitivamente não. O devaneio é nato e, se a vida tem tanto de sorrisos como de choros, e tanto de alegrias como de angústias a tendência clara é de se desfazer do lixo. E o modo mais fácil de se fazer isso, mesmo inconscientemente é os jogado aos outros.



Se juntarmos tudo isso com os traumas da infância e da fase adulto, tudo fica ainda mais difícil. Se juntarmos o virtualismo atual, ainda mais complicado, chegando mesmo a beirar a insanidade, a partir do ponto onde nos achamos bons demais e aos outros por demais ruins, buscadores de desejos de vãs punhetas.



E não é de se julgar nada. Nós mesmos somos vítimas dos mesmos atropelos, mas se nos masturbamos, colocamos nossos egos em disputa e juramos amores a quem mal conhecemos para, depois, com combates violentos, chover-lhes ataques e chuvas, não deveríamos ter o direito de ainda nos autoconsiderar puros, ou sequer melhor que eles.



De modo que o virtualismo aumenta sobremaneira a tendência ao devaneio que é, logicamente, fruto de nossas próprias frustrações, fraquezas e desejos. Ainda assim, ali a vida chora, brinca e sorri, mas para nós mesmos, quando há dor, culpamos alguém por ela, nunca assumindo que somos um corpo e que nós e que, em certas situações, somos a célula cancerígena.



Não que me intente vestir de sábio ou de egocêntrico, por outra, coloco-me no mesmo nível dos demais, propício, portanto, às mesmas vesanias, às mesmas fantasias, ao mesmo avesso exercício do ego e às mesmas quedas covardes, com o afiado verbo aos demais atirados.



A questão é muito mais profunda. Na verdade, não se importa onde a pessoa se enocntra, ela tende a andar nas margens. No virtualismo, entretanto, tais marges ou desaparecem, deixando tudo parecer possível ou são ignoradas, sendo as coisas quase sempre diferentes do que nos ocorre na realidade.



Concluindo, o devaneio é imanente e precise ser autocontrolado. É maior no meio cibernético e não creio que se vestir de erudição, de anjo, de herói imbatível, de doutrinador com alguma autoridade, de dons huans valha absolutamente nada.



Tal qual na realidade, a participação pelo virtualismo é pessoal; e as responsabilidades por ultrapassar as margens devem também ser pessoais, e nao jogadas ao mundo, como se o mundo fosse nosso depósiti de destroços, de lixos e de porras.



Assim, acho que jamais encontraremos um meio etério e puro, porque a grande barreira está dentro de cada um de nós. Ou vós achardes fácil encontrar alguém em quem possais colocar um diferencial de luz e reconhecê-lo como puro e bom, sem que elas vos sejam e também vacilem como humanos?
👁️ 192

Comentários (7)

Iniciar sessão ToPostComment
fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!