Lista de Poemas
QUANDO O DESEJO FALA, DOBRAMOS OS JOELHOS!
Era nítido
todo o arranjo
com quem ela veio
me encontrar:
toda bem penteada
arrumada, maquiada e perfumada,
como princesa de belos
contos de fada.
Mas havia, entre outras,
uma diferença: deixara a coxa seminua
e, com os gestos, ora se cobria
ora se insinuava,
até que seus lábios
me tocaram em inocente despudor;
prenúncio de que, naquela noite,
acabaríamos nos deleitado
em realidade úmida.
todo o arranjo
com quem ela veio
me encontrar:
toda bem penteada
arrumada, maquiada e perfumada,
como princesa de belos
contos de fada.
Mas havia, entre outras,
uma diferença: deixara a coxa seminua
e, com os gestos, ora se cobria
ora se insinuava,
até que seus lábios
me tocaram em inocente despudor;
prenúncio de que, naquela noite,
acabaríamos nos deleitado
em realidade úmida.
129
MIRAGEM AO DESERTO
Na miragem desértica,
a ausência de tua alva nuvem
em minhas noites vazias
e taciturnas;
no leito solitário,
a ausência de teu corpo
em minhas inércias
carrancudas;
na mente demente,
a constante chuva a inundar-me
as ilusórias horas mortas e as excitadas
luzes dos néons:
e tudo o mais,
misturado com faustos e falsos sabores
de infinitos, por onde (antes de
te perder)
me escorri,
ensandeci-me e me enferrujei assim,
tão enlaivecidamente
fecundo,
com minhas asas
inválidas, com minhas peles queimadas
e com minhas merdas defecadas
pedras afiadas.
a ausência de tua alva nuvem
em minhas noites vazias
e taciturnas;
no leito solitário,
a ausência de teu corpo
em minhas inércias
carrancudas;
na mente demente,
a constante chuva a inundar-me
as ilusórias horas mortas e as excitadas
luzes dos néons:
e tudo o mais,
misturado com faustos e falsos sabores
de infinitos, por onde (antes de
te perder)
me escorri,
ensandeci-me e me enferrujei assim,
tão enlaivecidamente
fecundo,
com minhas asas
inválidas, com minhas peles queimadas
e com minhas merdas defecadas
pedras afiadas.
134
AMOR EFÊMERO
A efemeridade do que
fomos se provou no que não
mais somos:
o sonho
à nuvem nos encantou
tal como,
quando
da descoberta do engano,
ao nublar-se
ao céu colocou-nos à beira
de um escuro abismo!
fomos se provou no que não
mais somos:
o sonho
à nuvem nos encantou
tal como,
quando
da descoberta do engano,
ao nublar-se
ao céu colocou-nos à beira
de um escuro abismo!
171
O CAMINHO DE UMA LÁGRIMA
Quando chegar a hora,
quero me escorrer em teu rosto nuvem
como uma chuva incontida
de lágrimas,
descer pelo teu peito
desnudo, invadir tua alvecida alma
e me morrer ao
teu lado.
186
ETERNAMENTE
Sofri como ela disse
que eu ia sofrer,
lutei como ela disse
que eu ia lutar,
chorei como ela disse
que eu ia chorar,
sangrei como ela
disse que eu ia sangrar
e, quando todos
os médicos diziam que eu não
tinha mais nenhuma
chance,
sobrevivi como ela
disse, antes de partir, que eu iria
sobreviver!
que eu ia sofrer,
lutei como ela disse
que eu ia lutar,
chorei como ela disse
que eu ia chorar,
sangrei como ela
disse que eu ia sangrar
e, quando todos
os médicos diziam que eu não
tinha mais nenhuma
chance,
sobrevivi como ela
disse, antes de partir, que eu iria
sobreviver!
216
QUANDO A CASA CAIU
Acreditava naquela história
de que ela contava que era pura,
pura, puríssima
e que sempre fora
e seria eternamente minha;
eu me considerava
um homem inteligentemente
arrogante dando-me o poder de contrariar
a condição sapiens para vê-la
assim:
agora sei
que sou um abnômalo burro
como outro qualquer, que amo, que desejo,
que me masturbo,
que tremo,
que deliro, que gozo e que choro
como outro qualquer!
de que ela contava que era pura,
pura, puríssima
e que sempre fora
e seria eternamente minha;
eu me considerava
um homem inteligentemente
arrogante dando-me o poder de contrariar
a condição sapiens para vê-la
assim:
agora sei
que sou um abnômalo burro
como outro qualquer, que amo, que desejo,
que me masturbo,
que tremo,
que deliro, que gozo e que choro
como outro qualquer!
151
INFELIZMENTE SOU POUCO
Infelizmente
só tenho três pernas
e um invisível par de asas;
e isso me deixa frustrado
por não poder desfrutar de mais
amores vermelhos,
de mais secretos
desejos e de mais dissimulações
teatrais sob as nobres e enigmáticas
luzes dos sapiens!
só tenho três pernas
e um invisível par de asas;
e isso me deixa frustrado
por não poder desfrutar de mais
amores vermelhos,
de mais secretos
desejos e de mais dissimulações
teatrais sob as nobres e enigmáticas
luzes dos sapiens!
154
NEGROS UMBRAIS
Quando te adentrei
os umbrais, imaginando
haver-te a candidez
tantas vezes regozijada
aos ventos que me
tocavam,
descobri, exausto,
que em tuas bordas internas,
omissamente,
havia vermes e ratos,
abrigados em tênebras
sombras;
e foi a essa visão
que decidi fazer cessar-nos
o sonho,
silenciando-me a voz
do coração,
parando-me a incontinência
das chuvas
e providenciando os velórios
dos alucinados.
169
ENLOUQUECES-TE
Enlouqueces-te
ao veres que o cão, ao amar na noite,
é viril como o orvalho que
lhe é fiel
e que ele
não nega, em suas sombras,
nem o frescor do amor nem o quentume
do desejo em gula irresistível;
um dia, porém,
quando o tempo estiver próximo de findo,
tu não te lembrarás de mais
nada
e não sobrará
de mim nenhuma mensão a nosso amor,
nenhuma máscara a ser
usada,
nenhuma confissão
de queda ou de traição por ti
ainda hoje tão esperada,
nenhum poema romântico,
nenhum poema niilista,
nenhum poema erótico,
nem nada mais
que o vazio que ficar, o qual estará,
sem sombra de dúvidas,
ratificando
o que
realmente foi minha vida
vã!
ao veres que o cão, ao amar na noite,
é viril como o orvalho que
lhe é fiel
e que ele
não nega, em suas sombras,
nem o frescor do amor nem o quentume
do desejo em gula irresistível;
um dia, porém,
quando o tempo estiver próximo de findo,
tu não te lembrarás de mais
nada
e não sobrará
de mim nenhuma mensão a nosso amor,
nenhuma máscara a ser
usada,
nenhuma confissão
de queda ou de traição por ti
ainda hoje tão esperada,
nenhum poema romântico,
nenhum poema niilista,
nenhum poema erótico,
nem nada mais
que o vazio que ficar, o qual estará,
sem sombra de dúvidas,
ratificando
o que
realmente foi minha vida
vã!
167
O MODO DE AMAR É TOTALMENTE FEITO POR ESCOLHA
... por que,
de repente, parece
que tudo que vivemos naquele
longo amor, parece
imperfeito?
porque
eu via flor antes e agora vejo também
os espilhos da flor?
por que
nos amávamos sob luas estreladas
e agora, ao olhar para cima,
vejo somente escuridão
cria?
Por que
mataste o sol de nossos dias
deixando-se assentar um mortal
inverno frio?
Por que,
sempre que penso em alguma tentativa
de apaziguamento e reconquista,
sinto o vento da tempestade
escondido atrás
da esquina?
de repente, parece
que tudo que vivemos naquele
longo amor, parece
imperfeito?
porque
eu via flor antes e agora vejo também
os espilhos da flor?
por que
nos amávamos sob luas estreladas
e agora, ao olhar para cima,
vejo somente escuridão
cria?
Por que
mataste o sol de nossos dias
deixando-se assentar um mortal
inverno frio?
Por que,
sempre que penso em alguma tentativa
de apaziguamento e reconquista,
sinto o vento da tempestade
escondido atrás
da esquina?
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*