Lista de Poemas
Secopoema
O poema está seco
Não há uma gota dáagua
Em sua palavras.
A aridez roubou-lhe
Essa possibilidade
Quiçá no futuro
Haja
Uma gota de sangue
Em cada poema
E do sangue brotará vida
E então teremos novamente
Uma gota dáagua
Em cada palavra
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O Mosquito
Às vezes sem asa fica
Pois o tapa é certeiro
Despedaça-o inteiro
Pobre do morto, o mosquito
Outras vezes, ele esperto
De supetão antecipa
Voando ele participa
Da frustração do freguês
Mas logo vem o veneno
A luta é desigual
Rouba-lhe energia, a moral
Sem vida jaz o mosquito
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SEDUÇÃO
Era humano o olhar
Fiquei desnuda.
Me fez fluído...
E o olhar compreendeu tudo.
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Poesia
Minha poesia
É de uma força bruta
De quem não delapida palavras.
Delapidar palavras
É como depurar sentimentos
É retirar das coisas sua essência primeira
A sua completude
É ver, não com os olhos
Virgens do encantamento
Mas com os olhos enuviados
Da cultura.
Minha poesia se propõe
Ser chão seco e tórrido
Mas também ser chuva benfazeja
E temporal.
Minha poesia é vento, ventania
Quie a tudo leva
Inclusive a si mesma
Minha poesia são todos os lugares
E também lugares nenhum
É de uma força bruta
De quem não delapida palavras.
Delapidar palavras
É como depurar sentimentos
É retirar das coisas sua essência primeira
A sua completude
É ver, não com os olhos
Virgens do encantamento
Mas com os olhos enuviados
Da cultura.
Minha poesia se propõe
Ser chão seco e tórrido
Mas também ser chuva benfazeja
E temporal.
Minha poesia é vento, ventania
Quie a tudo leva
Inclusive a si mesma
Minha poesia são todos os lugares
E também lugares nenhum
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O Olhar de Tereza
O olhar é magro, pedinte
E rivaliza com a foto no jornal.
O prato colorido, suculento
Aguça o mais primitivo desejo.
O olhar é aflito,
A boca escancarada
Não emite som.
Inexiste a palavra naquele instante
Como também inexiste a saciedade
Da alma e da carne.
O corpo franzino, mal nutrido
Está envolto por uma pele negra
Já murcha, grudada aos ossos.
50 anos lhe dão,
Tem apenas dez...
Dez anos de cabelos ralos,
De pele ressequida,
De pés retorcidos
E de cabeça desproporcional.
Dez anos de desesperanças, necessidades
E cinco séculos de história
De maus tratos, submissão
E agruras.
Sim...
We are the world
Mas dele ela faz parte,
Ou definhará lentamente
A caminho da morte?
Será num breve futuro
Apenas a percepção
De estar parada nos corpos
Das frases ou das fotografias,
Sendo observada
Por outros olhos,
Olhares...
De outras tantas Terezas.
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Soneto da passagem
Nestes incertos caminhos que é vida
Cheio de rumores, lágrimas e pesares
Encontro-me eu, nas páginas não lidas
Do tomo Um dos livros dos mares
E sobre as brisas não vindas em vão
Envolto-me todo de alegria afável
Nos perdidos sonhos encontro-te as mãos
Que das agonias a prazeres traz-me
Mas poucos segundos de vida me resta
Que de tão distante já ouço a sonora
Música funesta que a todos abala
E que só a mim é meiga senhora
E com olhar frio e suor na testa
Fecho os meus olhos por tarde demora
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Samsara
O corpo
Sem movimento
Sem desejo
Quedou-se
O corpo
Nulo...
Ficou exposto
O corpo
Seviu para desvendar
O invisível
O corpo
Apodreceu, decompôs
Foi comido pelos vermes
Os vermes
Findaram seu ciclo
Transformaram-se em humos
Dos humos surgiram
Novos corpos
Novas vidas
O corpo, em suma
é fonte de vidas
Infindas
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