Escritas

O Olhar de Tereza

Pedro Olavo II




O olhar é magro, pedinte

E rivaliza com a foto no jornal.

O prato colorido, suculento

Aguça o mais primitivo desejo.

O olhar é aflito,

A boca escancarada

Não emite som.

Inexiste a palavra naquele instante

Como também inexiste a saciedade

Da alma e da carne.

O corpo franzino, mal nutrido

Está envolto por uma pele negra

Já murcha, grudada aos ossos.

50 anos lhe dão,

Tem apenas dez...

Dez anos de cabelos ralos,

De pele ressequida,

De pés retorcidos

E de cabeça desproporcional.

Dez anos de desesperanças, necessidades

E cinco séculos de história

De maus tratos, submissão

E agruras.

Sim...

We are the world

Mas dele ela faz parte,

Ou definhará lentamente

A caminho da morte?

Será num breve futuro

Apenas a percepção

De estar parada nos corpos

Das frases ou das fotografias,

Sendo observada

Por outros olhos,

Olhares...

De outras tantas Terezas.







730 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.