Lista de Poemas

Abraço que fala...



Caro Mario, me cai no colo agora, já amanhecendo, uma fala tua que me acalma e encanta.

Você versa sobre a ausência de vocábulo que traduza o que a mente, açoitada pelo coração, pensa e não sai da boca, pois que inexiste, uma única e certa expressão.

O abraço afetuoso, carinhoso, amoroso, mesmo que trêmulo ou acanhado, é, por certo, a única forma de se dizer tudo.

Obrigado Mario, achava que a falha era do Aurélio, mas não há culpados quando o coração inquieto, sutil e delicadamente ardiloso, encontra seus jeitos.

Abraço

"Abraçar é dizer com as mãos o que a boca não consegue porque nem sempre existe palavra para dizer tudo". (Mario Quintana)
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Rendições por amor...


Escolha as rendições que em sua vida se fazem mais do que necessárias, que estão ao seu alcance, aquelas em que você não sofre, não faz sofrer e fazem dos dias que te restam tempos mais leves e felizes, como o amar incondicionalmente, sem pedir nada em troca.
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Valores humanos num planeta em transformação...



Acompanhamos com perplexidade a tensão envolvendo a Coréia do Norte e Estados Unidos, num flerte impensável ante eventual conflito nuclear de resultados inimagináveis para a humanidade.

Já há grande sofrimento com as guerras em curso na Síria e tantas outras regiões do planeta, hoje, oficialmente, ocorrem cerca de 50 delas.

Além dessas guerras oficiais há outras tantas, como as que vemos resultado do narcotráfico nas grandes capitais do Brasil, notadamente Rio de Janeiro e São Paulo.

Fome, seca, frio, inundações, corrupção, homicídios e suicídios, frutos do descaso de autoridades e cidadãos do mundo desconectados de sua responsabilidade social, moral e espiritual para com educação, saúde, infraestrutura e saneamento básico planeta afora.

Os voluntários em ações pelo mundo levam alento e esperança aos que sofrem direta e indiretamente as consequências da insanidade do homem, mostrando o extremo apego ao ter de parcela proporcionalmente pequena de pessoas, especialmente aquelas que detém as riquezas monetárias.

Essas riquezas estão nas mãos de cerca de 3% da população mundial.

Há uma onda de amor, também em curso, fazendo frente ao que há de ruim nesse momento nos mostrando, esperança ativa é um antídoto extremamente eficaz e imprescindível nesses tempos.

Abracemos as causas que propõe o despertar humano para a inadiável ressignificação de valores extremamente materiais e egoístas que teimamos em cultivar, onde estivermos, coloquemos em prática o ensinamento universal aceito por todas as crenças, credos e doutrinas, o amor fraterno e solidário.

Nossas preces diárias fortalecem os que estão caídos.

Paz, amor, ternura e serenidade sempre.
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Esperança na terra seca...


Refazem o batido caminho pela velha e conhecida terra seca, o mesmo sol que lhes dá vida também lhes judia marcando-os, nos rostos, os poucos, mas já aparentes muitos mais anos de vida...

Intenso, escaldante, é secura demais...

Se a chuva vier o chão não lhes negará a vida adormecida...

Já faz muito, mas ainda se lembram do último ano onde o inverno foi bom, nessa memória tem cheiro da terra sendo encharcada...

Exaustos chegam ao açude ainda com um pouco de lama, olham para o céu com poucas nuvens...

O pai cai de joelhos e puxa os filhos, com os olhos rabisca no barro todos seus desejos e sonhos como se fossem sementes e suplica:

Meu divino São José,
Aqui estou a vossos pés.
Dá-nos a chuva com abundância,
Meu divino São José.
"O sertão é uma espera enorme",
Dá-nos chuva com abundância,
Meu divino São José.

Talvez nenhum de seus desejos se realize e nenhuma das sementes veja brotar...

Sabe que não há certezas na vida, mas precisa acreditar que haverá ainda uma próxima vez, pelo menos para os meninos...
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Sem exigências...



sem exigências ou ilusões,
apenas o possível,
mesmo que no todo irrealizável,
melhor assim,
ter alguém ao lado,
essência plena,
aquietando,
há que esperar,
a pressa não faz o coração mais leve...
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Tudo passa...


Vivemos dias de turbulência em nosso querido Brasil.
Estamos ansiosos e apressados para que essa tormenta chegue ao fim.
Podemos evitar que nossos pensamentos coloquem mais tensão nesse ambiente alimentando um círculo vicioso de mais mágoa e ódio.
Óbvio que não somos insensíveis ou indiferentes e temos o livre arbítrio para fazermos o que bem entendermos, temos nossas opiniões e convicções.
Mas, de que adiantará lançarmos mais pressão negativa no que está a ponto de se resolver?
No tempo certo, de um jeito ou de outro, seremos chamados a exercer o voto novamente, ratificando o processo democrático em nosso país, com todas suas imperfeições e a necessidade permanente de aperfeiçoamentos.
Fato, nada cai do céu, toda conquista é resultado de trabalho, convicção, comprometimento e perseverança.
Esse tempo de tensão passará, alimentemos a possibilidade real de que o seja sem soluções traumáticas que tragam sequelas de difícil superação.
As pessoas que estão a dar causa a esse turbilhão também e certamente passarão.
O que ficará para seguirmos em frente será uma maravilhosa oportunidade de fazermos diferente para os pequenos que estão chegando com novas ideias de ser e como fazer.
Tudo passará, que seja este novo período de paz e sem nossa contribuição imediatista para um efeito manada de tristes resultados.
Toda crise é uma oportunidade de evolução, o novo ciclo a se iniciar pode e será virtuoso, estamos no limiar de novos tempos que trarão outras formas de dificuldades a serem superadas.
Estamos nesse plano para nos melhorarmos e vencermos nossas tendências que, em passado recente, nos igualavam aos seres brutos, esse tempo já passou.

Calma, tudo passará.
Deus ilumine nossas escolhas.
Fraterno abraço a todos.
Paz, amor, ternura e serenidade.
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Gratidão à brisa que dói e alivia...



Grato aos artistas poetas e pintores, senhores das letras e das tintas, guardiões das muitas formas de expressão dos sentimentos de todos que não passam pela vida indiferentes, a vivem plenamente, celebrando-a e a sofrendo em todos seus amores e perdas.

Grato por darem voz àqueles que alimentam saudades de pessoas e situações sonhadas que nunca puderam ser, mas, tal e qual brasa inflamada pela brisa inocente as sofrerão enquanto a lucidez deixar.

Grato por traduzirem a dor que dói gostosa, fruto de um único momento de um olhar que ficou, nunca mais visto, guardado no coração de quem a sofre sem querer perdê-la.

Grato por suas solidões transformadoras onde encontram o ânimo das criações imortalizadas pela força de sublimes e delicados beijos não revelados e flores não entregues às belas e belos que ficaram no tempo.

Grato por versarem que todas as formas de amor valeram, valem e valerão a pena, pois vivem em almas não pequenas.

Grato por contemplarem pessoas que nunca se viram ou se verão e se amam e continuarão se amando em todas as vezes que mirarem os céus e suas guardiãs, as estrelas, depositárias de todas suas confissões.

Grato aos poetas que nunca pegaram em armas para transformarem almas e mentes.

Grato aos poetas, senhores das letras e das tintas, sobreviventes imprescindíveis aos tempos de fanatismos, perseguições, violências, intolerâncias e pseudoverdades absolutas, estão e serão guardados eternamente.

Grato ao artista, pacificador e humano maior, Jesus Cristo, que plantou a ideia imortal da necessidade do amor universal entre a família humana, sem distinção de credos ou raças.


"Temos saudades do que não existiu, e dói bastante". (Carlos Drummond de Andrade)

"Não existe nada mais artístico do que amar verdadeiramente as pessoas". (Vincent van Gogh)

"Não há você sem mim. Eu não existo sem você". (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

"Eu protegi o teu nome por amor, em um codinome beija-flor, não responda nunca meu amor para qualquer um na rua beija flor" (Cazuza).

"Que seja doce a dúvida a quem a verdade pode fazer mal". (Michelangelo)

"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jesus Cristo).
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Gilda's...


Hoje conversei com a minha mãe querida, com a certeza de que ela está bem, sem sofrimentos e em paz.

Já decorridos 42 anos de sua passagem para um plano melhor que este nosso, ainda tão rude e grosseiro, onde muitos ainda sofrem com a falta do mínimo para sua sobrevivência, passando fome, frio e sede diariamente.

Gilda era seu nome, lhe caía tão bem, pois que ela era uma mulher que se esmerava de maneira plena nos cuidados para com a família, acolhendo outros mais que podia e não podia e se não tinha nada a lhes oferecer materialmente, entregava-lhes o sorriso contido e nas mãos gentis, com cuidado e sem alarde, a doação da maior energia do mundo, a do amor.

Não há como não voltar no tempo que se faz tão vivo e sentir novamente suas mãos deslizando pela minha face e com suavidade desalinhando meus cabelos em momento de absoluta paz, eu sempre queria mais um pouquinho.

À minha mãe querida e a todas as mães deste mundo, ainda entre nós ou que já partiram, as de sangue e as do coração, criaturas abençoadas pelo seu desprendimento e desapego, um beijo nos seus corações.

As histórias de amor de mãe e filho não tem fim, simplesmente se misturam às energias que nos conectam ao que ainda não conseguimos dimensionar e compreender...

Até breve minha mãe querida, obrigado por continuar olhando por nós.
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Jeito e cara nova...


Angulando com visão precária e mãos grossas,
desenhadas nas asperezas dos seus dias,
apanha estimado cinzel e começa,
do nada,
naquele pedaço de pedra bruta,
assim como outros tantos,
guardados e empilhados há tempos,
a dar forma a uma escolha antiga,
conhece bem as sutilezas do tocar em bruto,
a rudez é apenas dum primeiro olhar,
o golpe inicial quebra o silêncio,
mas ele mantém,
em absoluta quietude,
a mesma determinação,
realimentar a cada novo dia,
a esperança,
mas e sempre,
com jeito e cara nova.
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Porções de vida e afetos...


Logo pela manhã ela ajeita sua pequena filha, agasalhando-a bem para enfrentar o frio de um inverno mais rigoroso que o de outros anos.
Sai pelo bairro dirigindo seu velho fusca, no interior há muitas sacolas com um pouco do que tem, fruto de suas economias e do garimpo em casa de amigos que já a conhecem de há muito e sabem de seus hábitos e que ela faz questão de não divulgar.
A primeira parada é em uma casa simples, onde mora um casal de amigos de velha data, Dona Maria e o companheiro, Chico, ambos já velhinhos, ele bem conhecido na região. Ali, quando ainda haviam campinhos de futebol, goiabeiras, pessegueiros e muitas amoreiras, "Seo Chico" ensinava a molecada a não fazer arapucas que pegavam rolinhas, sanhaços, canarinhos e pardais, estilingue ele trocava por bolinhas de gude e piões de madeira.
A segunda visita é em outra casinha que fica nos fundos de um antigo mercadinho, agora fechado, ali moram uma senhora com quatro filhos pequenos, de sete, nove, onze e doze anos, enviuvou jovem e tragicamente quando seu marido sofreu acidente ao fazer bicos de ajudante de pedreiro.
A terceira pausa do dia é num abrigo com uma dezena de velhinhos esquecidos por suas famílias, mantido por instituição não religiosa e que vive de doações da comunidade.
A última parada do dia é numa praça onde alguns moradores de rua a recebem demonstrando conhecê-la e fazem festa com sua chegada.
Ainda arranja mais uns minutinhos para rever o mais novo morador da rua, um recém-nascido, filho de uma jovem adolescente que mal sabe trocar fraldas e dar banho na criança, a situação está tensa pela não aceitação dos pais com quem ainda mora, o pai desse pequeno não é bem visto no lugar por suas amizades pouco confiáveis e algumas passagens pela polícia por prática de pequenos furtos e desinteligências com desafetos dali e acolá.
Finalmente, ao chegar em casa, conversa com a filha enquanto prepara o jantar, logo o marido e o filho chegarão do trabalho e com muita fome de seu saboroso arroz e feijão.
Mais valiosas que os donativos que entregou são as ricas porções de afeto, carinho e atenção que delicadamente lhes deixou.
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