Escritas

Lista de Poemas

Pêlo da água

Barco me leva
Me leva pra longe
Lá onde só água é que há

E o meu medo é maior
Do que o que tenho no peito
Daquilo que me faz chorar.
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Flores de sonhos

São flores de sonhos
Me beije meu bem

São flores de sonhos
Você e mais ninguém

São flores de sonhos
E murcham no fim

São flores de sonhos
Não esqueça de mim

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Estrela Oculta (à A hora da Estrela)

Lágrima Lacrima

Lava a minha
alma

Me purifica
de ser quem sou

Rasga
Devasta
(Explosão)

Fio que corre
Parado
Paradeiro
Paralelepípedo

O sangue
O rio
lá gri ma

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Canto

I

Na distancia do reencontro
As águas turvas cavam o chão
Do meu rosto na minha mão

As marcas do céu infinito
Sobre mim desaba inteiro
Em meus olhos rios corriqueiros

A criação do mundo belo
A visão do mar tranquilo
Fantasia do meu idílio!

Oh! Como sofre meu peito
Como das mágoas coberto pesa!
Funda e só é minha tristeza.

II

São meus sonhos ilusões perdidas?
São meus olhos fantasmas vazios?

Na solidão que existo
Chove lágrimas tristes;

Meu peito aperto
Meu dia mentira
Tristeza! Me deixe livre, me deixe rir!

III

Cantava o dia pelo bico do passarinho
Prometia alegrias para o meu destino;
Cantei sozinha minha canção verdadeira
A minha solidão de forma inteira.

Frio meu corpo geme por um carinho
Mesmo falso mesmo indigno;
De forma qualquer, de qualquer maneira
Um sol que me aqueça e me queira.

Sigo agora em meio às folhas do caminho
Canto um canto novo feito de vinho;
Triste meus dias passam na beira
Do abismo que chama pela minha caveira.

2009
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Falácia

Arrisco mais em ser sozinho o meu olhar
Não pertenço a vagas mortas do mar
Habituei meu corpo ao som de luas
Não entreguei mais meu coração às putas
Sou marca do impensado abismo
Por mais que eu cante não encontro siso
Agora as noites desprendem luz pelos galhos
Agora não tenho a sorte de um céu de estrelas
Só por ser aventurado anonimo vagando
Quero o disco da música sobre o mundo
Pelos recantos vagos em murmúrios vazios
Espero das ondas certeiras o aviso do fim
Não me espero em mim
Sou outro nada habitado
Cavando o buraco
Aturdindo meu coração vadio
As longas histórias do homem a me devorar
O texto, a ficção, o meu lar
Distante no tempo, vaga-lume
Sons, luz, escuro.
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Som do mar

As vezes o som do mar chega tarde
e os olhos brilham gotas de sangue
vagas aguadas ao longe
emudecem meu corpo

As vezes o som do mar chega tarde
e os vagos suspiros se perdem
ondas marinhas no cais de fogo
rasgam túmulos d'água

As vezes o som do mar chega tarde
e nem sóis de maracujá
cruzam pelos céus cinzentos
marcas dos escombros em pedaços

As vezes o som do mar chega tarde
e o coração entristecido morre
nas sombras obscuras dos sonhos
parados um frente ao espelho

As vezes o som do mar chega tarde
e os colírios ondulantes despencam
sobre cabeças vazias de dor
só ilusão sobre cores azuis

As vezes o som do mar chega tarde
e não conta mais mistérios de amor
sobrando histórias usadas e lavadas
caindo os adornos e as flores

As vezes o som do mar chega tarde
e o cão da corrente prende o ar
nos pulmões soltando bolhas
sabões alados instantes do não mais

As vezes o som do mar chega tarde
e a vida se esvai vazando óleo
preto, sofrimento, excremento
olhos de brasas cinzas

As vezes o som do mar chega tarde
e Eu despenco do abismo
dou adeus a todas as coisas
encerro os passos sobre nãos enlameados
As vezes o som do mar chega tarde ...
As vezes o som do mar chega tarde
As vezes o som do mar chega tarde
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Corporis

Eu sou o rosto que te cruzou
Teu sonho pequeno
Eu sou o marco que não ficou
Areia ao vento

O rastro do teu destino,
A boca torta
A te perseguir pelos becos
Os fantasmas em tua cama
Sou eu em tudo ao mesmo tempo

O sustento de caveira e ossos
A luz e a escuridão
Eu sou a própria sorte
A tua própria encarnação

Sou a chama que te arde
A bailar sobre as almas do passado

Sou nada e somente nada
A dançar a valsa dos Vasos Quebrados
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FloresBelas

"Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito."

Versos de Orgulho
Florbela

Lindo sonho de flores cândidas eternas
Vasos elevados em alturas aéreas
Rosas escarlates, magnólias belas
Perfeito o murmúrio do teu sabor

Enlevada em som de harmonia
Canta o obscuro da tua agonia,
Nas bordas delicada jaz a solidão...
São flores perdidas cândidas eternas
em flores que se vão.
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Pequena metamorfose

Mesmo sopro derramado
Lágrima vertida em pó
Secaram no meu rosto
Sulcaram o meu rosto,
Resta a aresta que me fica no canto
da boca
O gosto amargo do fel na boca
Viro pedra, me pedrifico
Pedra bruta
Muda
Fria
Só.
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Abandono

O que canta e o que me consome
Aqui estou
Abandonado novamente
Na roda dos enjeitados
O que canta e o que me consome
Por que canto
E fui consumido...

A roda roda
em mim.
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