Lista de Poemas
açúcar
De longe via meu pai, me esperando no portão da escola, ao me ver suja de terra sorria, logo pensava: hoje é dia de tortinha de morango ou salgadinho? Era um ritual. Minha mãe não comprava nada e dizia que não podia abusar do açúcar.
Subíamos a rua, e perto da estação de metrô aquela doceria me chamava, meu pai dizia:
- Pode escolher...
Nem pensava: tortinha de morango, agora!
O açúcar sempre esteve por aqui, mesmo depois de adulta, continuo usando.
Acho que busco nele algum contentamento, conforto….acho que se tornou meu porto.
fenecimento
E alguém presencia
Passa um período de dias
A pessoa simplesmente some
Isso mesmo, some…
Devo ser medonha
Bizarra
A parte mais triste
É acreditar: ‘ — dessa vez será diferente…’
Nunca é
E tudo bem
Nunca pertenci a lugar algum
Não me encaixo
Se tento
Me desfaço
Se sou eu mesma
Sou deixada pra trás
Tratada como um tanto faz
Vivo em constante dèja-vu
Conhecer
Simpatizar
Relacionar
Perdurar (mero engano)
Afastar
Faltar
Vivo num roteiro
Na primeira vez
Senti uma dor dilacerante
Parecia que estava sendo cortada
Cada lembrança
Era um golpe
Incapacitante
Hoje, bem, hoje tô anestesiada
Vazia
Não tenho lágrimas
Os remédios não me deixam falhar
Sofro sem sentir
Há tempos cansei de existir
Volta e meia sempre voltam aqueles pensamentos
Partir seria a solução ou a desolação?
inexpressiva
Um vazio pesado
Que turva minha visão
Não existe dor
Nem furor
Apenas sonolência
E torpor
Difícil explicar
Me perguntaram: e seus planos?
Ri
Pra começo de conversa
Queria nem estar aqui
Nesse planeta
Mas estou
Então
Não me faça perguntas difíceis
Se puderes me sentir
Verás todo meu fluir
leite fermentado
Tinha vezes que passava em frente duma lanchonete, sempre olhava aquele balcão refrigerado, e lá estava ele: o leite fermentado.
Certa vez pedi pra minha mãe comprar...não dava...passava vontade…
Não questionava.
Mesmo pequena achava que a vida era assim: por vezes querer mas sempre carecer!
clareza
as várias vezes que iniciei algo
por acreditar piamente que aquele era meu caminho
Mas não, não era
Não era ‘o caminho’
E sim uma das muitas ferramentas pra chegar nele
Hoje sei!
Em muitos anos parece que encontrei
Consigo vislumbrar algum futuro
Sei que não há certezas
As coisas são fluídas
Não há permanência
Mas ao menos serve de alento
Nessa minha breve existência
amortecido
sempre espero por algo
mas nada acontece
é sempre o mesmo vazio
e descontentamento
olho ao meu redor
não tenho coragem de chamar alguém
ser um peso morto não é fácil
cansada de nadar
acho que vou deixar a maré me levar
amparo
que ajude a despertar aquela sensação de estar apaixonada
é loucura!
acabo lembrando dos amores pretéritos
e o que me causavam
hoje, não me reconheço
a fantasia está apenas nessa minha cabeça oca
essa é a minha fuga
que só me afunda
infusão
Separava distraidamente o pó de café
Pensando na possibilidade da água fervida dissolver as minhas fixações
Quem me dera isso fosse possível
Renderia muitos litros de uma bebida lancinante e singular
hiato
Mas meus pensamentos estão desordenados
Ideias desconexas
Até o simples som me incomoda
Parece que tenho um buraco negro
Nada me completa
esquadrinhar
de tanto esforço que fiz
tentando arrancar
aquilo que tem raiz
pra não falhar
fugi da frustração
busquei pela eterna atenção
sempre com paixão
tudo em vão
tentei controlar o incontrolável
busquei sempre pelo mais favorável
num caminho onde tudo era tátil
usei da força
e não do sentido
e assim me tornei este ser perdido
Comentários (3)
Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: info@farlleyderze.com Estou te seguindo lá no MEDIUM também.
espetacular!
Me senti dentro das escritas!
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