Escritas

Lista de Poemas

longe de ser perfeita...

venho de longe, cheguei
trago minha alma acesa
ao cair da tarde oscilei
já dobrada na incerteza

vim do ventre da nascente
trago comigo a saudade
de todos fiquei ausente
num tempo já sem idade

no rosto trago a certeza
de que já mal me conheço
se um dia teve beleza?
ao olhá-lo me entristeço!

trago memória da viagem
e a esperança ainda arde
estandarte da minha coragem
se Deus ma deu me a guarde

fui começo e sou o fim
depois desta caminhada
já que o destino quer assim
seguirei a minha estrada

lembro bem de onde venho
mas não sei para onde vou
a esperança a que me atenho
... o tempo não esvaziou!

de flores ladeio a estrada
canteiro de rosas e jasmim
venho da terra semeada
lá atrás a chorar por mim

- trago traços de utopia
- e longe de ser perfeita!
olhos marejados de maresia
a saudade em mim se deita

meu sonho então tropeçou
o olhar já pouco enxerga
a voz que não canta, cantou
mas a vontade não verga.

os versos são companhia
o espanto de querer viver
e a inocência se associa,
a esquecer um dia, morrer!

natalia nuno
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a saudade és tu!

a saudade é meu tecto e meu chão,
é felicidade, é metade duma estrela,
que guardo nas algibeiras da memória,
sempre que a mente e o coração.
relembram nossa história...

na alma trago um caudal de sinos
que tangem sem pausas,
nestas letras que escrevo
como diamantes pequeninos.

hoje não bate o sono
aproximo-me da noite
e dum sonho de amor perfeito
nele me abandono,
e a saudade és tu!
toda a paz em mim, amando-te do meu jeito
a saudade é meu tecto e meu chão
e tu lá dentro a paz
do meu coração.

natália nuno
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alegria amealhada...

meu coração está distante
lá onde aprendi a amar-te
ele que sente, e não consente
- não me deixa libertar-te!
quando me aquece o sol,
ainda vivo,
e deixo-me levar nas asas
dum passarinho
em sonho,
ressuscito a adolescência
e por lá
dou-te a mão e caminho

sigo contigo mão na mão
hei-de enrolar ao meu,
- teu coração!
com corrente de prata e luar
e ter-te como nunca te tive,
desafio, os escolhos da vida
e o inferno da solidão
e fico nos meus sonhos, onde a menina vive,
envolta em nuvens de algodão,
até ao clarear da madrugada
com a alegria amealhada.

seja o sonho da noite
mais longa da vida,
a ele me entrego
como quem volta à terra prometida.

natalia nuno




👁️ 172

elegia...

a noite já desce
sobre  a pele dos sonhos
enquanto a solidão cresce,
acabou-se o fogo que me aquecia
e o cansaço se impõe
a fazer-me solitária a cada dia
como sombra desolada
e fria...
afirmo-me na minha loucura
os fantasmas são reais
a vida nem sempre foi dura
agora é por demais.

o tempo gravou sem piedade,
fecho-me em mim mulher
assim vou morrendo de saudade,
enfrento a verdade
venha o que vier.

nada procuro nem espero,
a vida é golpe de asa
logo se cai no abismo,
vem a morte e arrasa
versos  tristes, testemunhos
de tempos velhos,
sombras de mim...
odeio os espelhos
a olhá-los me oponho
olho o luar sem fim
agarro-me ao sonho!

natália nuno
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dou comigo a pensar...

Dou comigo a pensar em como gostaria de partir, viajar, experimentar novos horizontes, novos climas, olhar todos os mares e ter o céu por limite, olhar a lua brilhante, deixar fugir os pensamentos... se a sorte o permitir, talvez se transforme o pesadelo em sonho, certo é que tudo dói, mas vai-se esquecendo, voltaremos a olhar a vida e a lembrar que é preciso vivê-la... o tempo amedronta-nos no seu correr, o rumo certo é aproveitar cada momento, se ainda por cá estamos então, com mais ou menos estrada façamos o caminho, os tempos estão mudados mas, uma pessoa habitua-se a tudo, e como costuma dizer-se há mais marés que marinheiros, o que há-de ser, há-de ser, não se lhe pode fugir!... os liláses já floriram, não vou desistir...

natalia nuno
(a esperança é um sentir inexplicável)
 
 
 
 
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poesia que sou...

A poesia é a minha infinita
liberdade
Onde falo de vida , de morte
de alegria de tristeza
Falo de tudo um pouco à sorte
Falo da saudade
Do amor e sua beleza
A força me surge do pensamento
E sofro porque escrevo sentimento.

A poesia é o meu chão
o meu espaço
Esqueço até da vida as dificuldades
É a minha ilusão,
O fogo da minha imaginação
O meu cansaço
O rumo das minhas saudades.

A poesia é o meu desejo,
a minha ansiedade
A minha realidade,
O meu sonho incompleto,
A minha terra o meu céu
A poesia sou eu!

A poesia é o ar que respiro
Que guardo nos confins do coração
É a minha ambição
Por ela deliro.
E eu sou toda inquietação
Se não me sai na perfeição!

A poesia dorme sobre o meu peito
Eu a sinto a toda a hora
Com ela me realizo e deleito
Estará comigo até ao destroçar
da memória.


natalia nuno
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Trovas soltas...

Amor perfeito de verdade
É sublime e ideal!
Lembra amor da mocidade
Amar assim quanto vale?

Trago os dias encobertos
Nem o sol os vem espreitar!
Meus braços bem abertos
Com saudade de te abraçar.

Deixa-me uma doce emoção
Conversar contigo... amor!
Quando me dás a tua mão?
Dou-te a minha com ardor.

É bem doída a dor!
Se olho pra ti de frente
Já não vejo em ti o amor
Que mendigo docemente.

O amor é um tormento
Ainda que seja perfeito!
É ânsia..mais sofrimento
A machucar-nos o peito.

Nas recordações de amor
Deixo-me nelas embalar
Na solidão do sol-pôr...
A lembrança me faz sonhar.

Neste passar de tarde
Sorvo a vida devagar
Ela passa! É a verdade!
Quem a consegue parar?

Para acalmar o coração
Oh...que ardente acalmia!
Ao amor não se diz não...
Haja amor de noite e dia.

rosafogo
natalia nuno
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memórias...recordar é viver...

vinha aquela chuva pela tarde cinzenta, o ar abafado que mal se respirava, o trigo nas eiras perfumava a aldeia e mais à noitinha um enxame de pirilampos aparecia de todos os lados por sobre a folhagem das árvores vindo até à beirinha das nossas casas a testemunhar o silêncio e preocupação das gentes da aldeia que à soleira da porta descansavam da fadiga do tormentoso dia, mas a trovoada passava o eco dos trovões desaparecia e o dia voltava a ter uma insólita beleza já mostrando o entardecer...ali ao lado mesmo na esquina do quintal uma buganvília agradecida por ter saciado a sede, crescia a olhos vistos como querendo cumprimentar a lua, enquanto nos loureiros lá mais em baixo os pássaros já se aninhavam para passar a noite...no destino da tarde quantos segredos, quantas preocupações e quantos sonhos acariciados pelos jovens com tanto amor para dar...nestas horas, cresce a nostalgia e a lembrança traz-me o assombro daquela moça perdendo-se nos sonhos com perfume a rosa nos inolvidáveis dias da juventude...o dia chorou comovido mas, resplandece prontamente, só na minha memória solitária há sonhos perdidos para sempre...o tempo range nos meus ossos, e coloca uma subtil névoa nos meus olhos, com o seu sorriso hipócrita deixa-me ainda sonhar, voltar no sonho à infância onde sou feliz com algo tão simples, às vezes traz-me uma mão cheia de recordações e deixa-me num frenesim, recordações que zumbem aos meus ouvidos como abelhas em volta dos laranjais em flor, e eu num tímido vôo lá vou lembrando a vida distante numa cega ilusão de matar o tempo permanecendo para sempre criança com a vela acesa na mesa verde onde para lá dos trabalhos de casa, sonhava...no quarto ao lado sinto ainda a ditosa presença da avó, lembro o seu rosto sulcado de rugas e só de lembrar me quedo numa nostalgia e os olhos de água se rompem...
acordar o passado é amar o rio, a aldeia, aceitar a ausência dos que partiram, e trazê-lo ao presente com palavras de frescura e luz.

natalia nuno
👁️ 122

noite sem fim....

Crédula de sorrisos e encantos
é a mocidade
Agora a olho com olhar de incredulidade
Presa aos sorrisos e encantos
Caprichos e sentimentos tantos.
Quanto tempo durou?
Quanto tempo passou?
Estranho é o mundo que povoa
a minha solidão.
Porquê se tem saudade,
talvez nunca se saiba a razão.

Tempo memorável e festivo
Tão diferente deste agora
que vivo.
O tempo me esmaga
me gasta...
Mas meu coração não se afasta.
A vida não enjeita
e nem a saudade rejeita.

Cada hora voa no seu correr altivo
E a lembrança me surge
com infantil ardor
E assim vivo...
Dando à vida valor.
E dito e feito o tempo reduz-se a nada
Sinto-o no mais profundo de mim
A hora boa que um dia me foi dada
É noite longa agora...noite sem fim.

natalia nuno
poema de 2012
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Meu Amor...

Meu Amor
Disse-te um dia
Que em meu coração ateaste
Um fogo luminoso.
Apagado e triste o deixaste
Num sopro doloroso.
Não te afastes de mim
Deixa-me ser,
Do teu sol, o último raio
Deixa ser a tua flor de jasmim,
Florescida no mês de Maio

Meu amor
Quero ser o teu poente
O teu mistério ou segredo
O teu rio ou afluente
O teu clamor, o teu medo.

Meu amor
Deixa-me ser
o cansaço onde adormeces
O teu júbilo ou pesar
O sonho onde tudo esqueces
E só lembras de me amar.

Meu amor
Deixa que seja
o rítmo do teu viver
Tudo o que o teu corpo deseja
Deixa-me amar-te enquanto o
coração bater.


natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.