Lista de Poemas
trovas...quem mais jura mais mente
vermelho é o azevinho
ao pé da fonte água pura
não retrocedo caminho
levo a vida com bravura
não calo o pensamento
falo de quem muito amei
é grande este sentimento
o amor que te entreguei.
não me trates com desdém
que meu amor já perdeste
era teu... de mais ninguém
e foi pouco o que me deste!
agora que me não queres
não voltes à minha estrada
amor de esmola se queres
não te posso dar mais nada!
enquanto a ti estive presa
era amor... era paixão...
agora trago a certeza
quero de volta o coração.
esquece lá a tua jura...
quem mais jura mais mente
basta a saudade que tortura
meu coração doidamente...
natalia nuno
rosafogo
quadras de 2001
ao pé da fonte água pura
não retrocedo caminho
levo a vida com bravura
não calo o pensamento
falo de quem muito amei
é grande este sentimento
o amor que te entreguei.
não me trates com desdém
que meu amor já perdeste
era teu... de mais ninguém
e foi pouco o que me deste!
agora que me não queres
não voltes à minha estrada
amor de esmola se queres
não te posso dar mais nada!
enquanto a ti estive presa
era amor... era paixão...
agora trago a certeza
quero de volta o coração.
esquece lá a tua jura...
quem mais jura mais mente
basta a saudade que tortura
meu coração doidamente...
natalia nuno
rosafogo
quadras de 2001
👁️ 267
pensamento...
confundida às vezes me afasto de mim e choro, mas logo depois o sonho me move e apaga qualquer vestígio de turbulência...
nataliarosafogo
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/6/
nataliarosafogo
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/6/
👁️ 330
silhueta esguia...memórias de mim...pequena prosa escrita faz tempo...
hoje envolvida pela brisa do mar e o grito das gaivotas, despertam em mim gratas recordações da praia da minha infãncia a Nazaré, tudo o que possuía nessa altura era poder desfrutar de quinze dias de férias que a mãe tinha geralmente em Agosto, esforçava-me por aguentar a camioneta que nos levava até lá mas sempre ficava com o estômago dando voltas, passava todo o dia na praia de manhã à noitinha, vejo-me ainda criança silhueta esguia, olhos verde alga, cabelo aos caracóis, rosto magro, pernalta como ave da planície, dessa idade restam algumas fotografias a preto e branco, já desmaiadas mas onde eu imagino o infinito mar à minha frente a perder de vista, azul e verde esmeralda. As vozes das mulheres da praia elevavam-se em oração quando o mar embravecia e os homens andavam na faina, os verões por norma eram bem soalheiros e as pessoas aglomeravam-se na areia junto às barracas de lona a conversar umas com as outras sobre as suas vidas e também porque não sobre a vida dos outros, eu deixava-me ficar de lado na esperança de arranjar amizade com alguma criança para poder partilhar a minha alegria, as brincadeiras e repartir afectos. Na pacatez da aldeia, aí sim, tinha as amigas de sempre com quem contava, pois na aldeia não há estratos sociais, todos estamos no mesmo patamar, daí que a amizade e a partilha sejam um bem comum, ali não há ilhas humanas somos demasiado unidos. Não tinha consciência de mais mundos, o meu era aquele, onde existia um rio com margens frondosas e açudes cantantes, uma praça aos meus olhos de criança enorme, um adro onde adorava jogar à malha, uma igreja onde gostava de ir à oração das seis e duas ou três mercearias onde gastava os tostões em chocolates envolvidos em pratas coloridas. Os meus bisavós já tinham nascido na aldeia, meus avós, meu pai e eu também tivemos esse privilégio... orgulhosamente, aprendi muito com eles, era frágil como um ramo de salgueiro, mas forte de raiz e sentimentos, apesar de nesse tempo os afectos serem comedidos, sentia-me menina mimada... a mãe comprou-me um vestido branco com bolinhas rosa-pálido, e um laço para colocar no cabelo também ele rosa...como me lembro bem! Ai a força que a saudade tem...
natalia nuno
do meu blog http://fiodamemoria.blogspot.pt/
👁️ 313
doce tempero...
Tempero
pão nosso de cada dia
que a mãe coze no forno
com esmero...
porque tudo se perdeu,
menos a hora de saciar
a fome na saudade.
hora que funde nas entranhas
saudades tamanhas,
realidade perdida
doutro tempo
doutro espaço
que ainda respiro, que ainda abraço
respiro o cheiro da terra
ouço as vozes nas ruas desertas
olho a mesma lua crescente
o mesmo sol ardente
as janelas abertas
a mesma sombra no chão deitada
a menina desajeitada
o mesmo chão fecundo
e ali é o meu mundo.
fecho a porta à chave
à saudade
e parto num vôo de ave
sonho...sonho... invento a fantasia
esqueço as rugas que me sulcam
o rosto...e,
enfrento mais um dia,
caminhos onde me cruzo
com a realidade.
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=245936 © Luso-Poemas
pão nosso de cada dia
que a mãe coze no forno
com esmero...
porque tudo se perdeu,
menos a hora de saciar
a fome na saudade.
hora que funde nas entranhas
saudades tamanhas,
realidade perdida
doutro tempo
doutro espaço
que ainda respiro, que ainda abraço
respiro o cheiro da terra
ouço as vozes nas ruas desertas
olho a mesma lua crescente
o mesmo sol ardente
as janelas abertas
a mesma sombra no chão deitada
a menina desajeitada
o mesmo chão fecundo
e ali é o meu mundo.
fecho a porta à chave
à saudade
e parto num vôo de ave
sonho...sonho... invento a fantasia
esqueço as rugas que me sulcam
o rosto...e,
enfrento mais um dia,
caminhos onde me cruzo
com a realidade.
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=245936 © Luso-Poemas
👁️ 394
menina...trovas
lábios são cor de amora
belos sorrisos de romã
o cravo a rosa namora
logo cedo... p'la manhã
luz dos olhos são estrelas
a realçar na face bonita
é um regalo só de vê-la
q' ao ver nem se acredita
nas mãos papoilas trazes
no teu coração um trigal
e é com beijos que fazes
que o sol seja o teu rival...
cintura é de primavera
delgada e de pele tão fina
Ai quem te dera quem dera
Pra sempre seres menina.
natalia nuno
belos sorrisos de romã
o cravo a rosa namora
logo cedo... p'la manhã
luz dos olhos são estrelas
a realçar na face bonita
é um regalo só de vê-la
q' ao ver nem se acredita
nas mãos papoilas trazes
no teu coração um trigal
e é com beijos que fazes
que o sol seja o teu rival...
cintura é de primavera
delgada e de pele tão fina
Ai quem te dera quem dera
Pra sempre seres menina.
natalia nuno
👁️ 337
trovas...memórias incompletas...
de memórias sou feita
memórias na solidão...
saudade em mim se deita
vinca-me a pele e coração
as memórias no caminho
a trazerem-me sentimentos
são rosas e nelas espinho
que ferem meu pensamento
no meu corpo, corpo inteiro
um silêncio, silêncio d'amor
a lembrar, lembrar primeiro
que o silêncio afaga a dor
marcas largas de sorriso
que são como terapia
são a força que é preciso
prós momentos que antevia.
porventura é só ilusão
todas as dores d'hoje
gastam o meu coração
enquanto a vida lhe foge
no clamor da tempestade
anda o olhar moribundo
recordando com saudade
o que deixo p'lo mundo
natalia nuno
rosafogo
orvalhadasdesaudade.blogspot.pt
memórias na solidão...
saudade em mim se deita
vinca-me a pele e coração
as memórias no caminho
a trazerem-me sentimentos
são rosas e nelas espinho
que ferem meu pensamento
no meu corpo, corpo inteiro
um silêncio, silêncio d'amor
a lembrar, lembrar primeiro
que o silêncio afaga a dor
marcas largas de sorriso
que são como terapia
são a força que é preciso
prós momentos que antevia.
porventura é só ilusão
todas as dores d'hoje
gastam o meu coração
enquanto a vida lhe foge
no clamor da tempestade
anda o olhar moribundo
recordando com saudade
o que deixo p'lo mundo
natalia nuno
rosafogo
orvalhadasdesaudade.blogspot.pt
👁️ 310
um poema atrás do outro...
Reuni coragem
deixei de implorar, de chorar
não vou deixar de lutar
até ao fim
se a morte me aguardar
pois que aguarde...
Ter medo não faz mal
ter medo é tão natural,
o coração bate no peito
como pássaro preso numa gaiola
mas eu não peço esmola
hei-de morrer com dignidade
todos morremos mais cedo
ou mais tarde
essa é que é a verdade.
O entrechocar de ideias
me revigora
às vezes preciso duma oração
um poema atrás do outro
até chegar a hora.
Às vezes também me estremece a mão
quem sabe se este dia é o último?
Em remoinhos de vento
trago o pensamento
como uma tempestade
onde se precipita a saudade.
Seja até que Deus quiser
a vida é como o vento de nortada
com a força que me levará cansada
ofegante.
A morte... aproveitará o instante.
natalia nuno
deixei de implorar, de chorar
não vou deixar de lutar
até ao fim
se a morte me aguardar
pois que aguarde...
Ter medo não faz mal
ter medo é tão natural,
o coração bate no peito
como pássaro preso numa gaiola
mas eu não peço esmola
hei-de morrer com dignidade
todos morremos mais cedo
ou mais tarde
essa é que é a verdade.
O entrechocar de ideias
me revigora
às vezes preciso duma oração
um poema atrás do outro
até chegar a hora.
Às vezes também me estremece a mão
quem sabe se este dia é o último?
Em remoinhos de vento
trago o pensamento
como uma tempestade
onde se precipita a saudade.
Seja até que Deus quiser
a vida é como o vento de nortada
com a força que me levará cansada
ofegante.
A morte... aproveitará o instante.
natalia nuno
👁️ 338
range o tempo...
trago um poema a rasgar-me
o peito sem luz nem brancura
perturbador, perdido
num choro sentido,
traz-me presa à solidão
e o coração é um cavalo desbragado
neste poema que eu sonhava dourado
poema que se evade e me deixa
na saudade,
um dia sonhei o que nunca veio
e a felicidade perdeu-se p'lo meio
folhas moribundas morrem já na
obscuridade ali na terra fria,
no meu sonho sou um instante já perdido
saudade morrendo dia após dia...
natalia nuno
o peito sem luz nem brancura
perturbador, perdido
num choro sentido,
traz-me presa à solidão
e o coração é um cavalo desbragado
neste poema que eu sonhava dourado
poema que se evade e me deixa
na saudade,
um dia sonhei o que nunca veio
e a felicidade perdeu-se p'lo meio
folhas moribundas morrem já na
obscuridade ali na terra fria,
no meu sonho sou um instante já perdido
saudade morrendo dia após dia...
natalia nuno
👁️ 291
trovas... me atrevo ou não atrevo...
já o vento molda a areia
e o tempo a face do rosto
não sou bonita...nem feia!
madrugada ora sol-posto
ficou o tempo embaciado
novelo em emaranhamento
tal qual o amor cansado
no coração feito tormento
vou revisitar os lugares
e as aves ocultas no ramo
que lembram de m'amares
tanto quanto eu te amo...
vão-se as horas somando
e o papel onde eu escrevo
sempre para mim olhando
se me atrevo ou não atrevo
dei-me ao tempo sem exigir
que me deixasse ficar assim
deixou marcas pra me ferir
levou tanta coisa de mim
escrevo de dentro do coração
à folha vou-me revelando
pode até parecer que não
nela os olhos vão pingando.
natalia nuno
e o tempo a face do rosto
não sou bonita...nem feia!
madrugada ora sol-posto
ficou o tempo embaciado
novelo em emaranhamento
tal qual o amor cansado
no coração feito tormento
vou revisitar os lugares
e as aves ocultas no ramo
que lembram de m'amares
tanto quanto eu te amo...
vão-se as horas somando
e o papel onde eu escrevo
sempre para mim olhando
se me atrevo ou não atrevo
dei-me ao tempo sem exigir
que me deixasse ficar assim
deixou marcas pra me ferir
levou tanta coisa de mim
escrevo de dentro do coração
à folha vou-me revelando
pode até parecer que não
nela os olhos vão pingando.
natalia nuno
👁️ 315
escrevo o que sinto...
sem saber como
levo a vida esgotada
ainda agora era manhã
já é noite cerrada
passou o alvoroçer
já lá vai a madrugada
a tarde deixou de ser
fico nesta suavidade
fundo-me com a minha sombra
eternamente a saudade
no silêncio da alma
tudo acalma e serena
nesta estação amena
e o feitiço da lua
faz-me reencontrar a paz
escrevo o que sinto
e o coração se satisfaz.
na minha alma há musica
porque a esperança em mim germina
amanhã serei de novo menina...
natalia nuno
levo a vida esgotada
ainda agora era manhã
já é noite cerrada
passou o alvoroçer
já lá vai a madrugada
a tarde deixou de ser
fico nesta suavidade
fundo-me com a minha sombra
eternamente a saudade
no silêncio da alma
tudo acalma e serena
nesta estação amena
e o feitiço da lua
faz-me reencontrar a paz
escrevo o que sinto
e o coração se satisfaz.
na minha alma há musica
porque a esperança em mim germina
amanhã serei de novo menina...
natalia nuno
👁️ 373
Comentários (11)
Iniciar sessão
ToPostComment
natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
Português
English
Español
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!