Lista de Poemas
pespontando sonhos...
minhas mãos ficam ávidas
em delírio, enquanto as palavras sobem
e afloram veementes
ganhando raízes no pensamento
em cachos dourados
provenientes
dos cinco sentidos,
ali me aguardam pacientes
como recém-nascidos
a refrescar-me os dedos
a calar-me os medos
a olhar-me como quem olha
um espelho quebrado
despido de sedas,
vestido de máscaras
espectáculo de outono sem cor,
acabado.
e logo as mágoas retornam como chuva
extraviada...
enquanto o vento frio esvoaça a cortina
e eu já de tudo despojada
numa ternura cega
às palavras me faço entrega
quase alegre como se as minhas mãos
fossem asas de frescura...
em serena felicidade
estou grata por envelhecer na saudade
ainda que seja longo o inverno na minha janela
e eu navio perdido entre a bruma
a palavra subirá sempre mais bela
e será meu sonho que p'la noite se esfuma.
natalia nuno
em delírio, enquanto as palavras sobem
e afloram veementes
ganhando raízes no pensamento
em cachos dourados
provenientes
dos cinco sentidos,
ali me aguardam pacientes
como recém-nascidos
a refrescar-me os dedos
a calar-me os medos
a olhar-me como quem olha
um espelho quebrado
despido de sedas,
vestido de máscaras
espectáculo de outono sem cor,
acabado.
e logo as mágoas retornam como chuva
extraviada...
enquanto o vento frio esvoaça a cortina
e eu já de tudo despojada
numa ternura cega
às palavras me faço entrega
quase alegre como se as minhas mãos
fossem asas de frescura...
em serena felicidade
estou grata por envelhecer na saudade
ainda que seja longo o inverno na minha janela
e eu navio perdido entre a bruma
a palavra subirá sempre mais bela
e será meu sonho que p'la noite se esfuma.
natalia nuno
👁️ 340
não demores...
não demores
vem ver nascer os lírios
não pode haver tempo perdido
vem olhar o alecrim
a rosa brava,
está amarela a giesta
tudo faz sentido
até nosso amor está em festa.
não demores
para não me sentir só
vem sem demora
já está raiando a aurora.
o sol ilumina as frontarias
sabe tudo sobre nós
do pranto em que nascemos
da viagem dos nossos dias
das cicatrizes da viagem
anda não demores
antes que esqueça tua imagem
quero suportar a travessia
quero ter-te por companhia.
natalia nuno
vem ver nascer os lírios
não pode haver tempo perdido
vem olhar o alecrim
a rosa brava,
está amarela a giesta
tudo faz sentido
até nosso amor está em festa.
não demores
para não me sentir só
vem sem demora
já está raiando a aurora.
o sol ilumina as frontarias
sabe tudo sobre nós
do pranto em que nascemos
da viagem dos nossos dias
das cicatrizes da viagem
anda não demores
antes que esqueça tua imagem
quero suportar a travessia
quero ter-te por companhia.
natalia nuno
👁️ 281
choviam ventos no pensamento
pequena prosa poética
Quem me dera fechar os olhos, deixar-me adormecer naquele lugar onde os sonhos parecem reais, a escrita é o meu espaço, as palavras por vezes são hesitantes, outras deixam de ser minhas amigas, mas também me fazem reencontrar emoções e eclodem em mim visões daquele outro espaço, daquele outro tempo que eu gosto de voltar a sentir. Lúcida carrego dia a dia o fardo de ver-me envelhecer que é assim uma espécie de tortura, e à medida que escrevo minhas lembranças, os pensamentos carregados se atenuam e eu com subtileza aproveito esses momentos, e é então que crio um elo mais forte com o passado e com o lugar onde nasci.
Absorvo-me na contemplação, de coisas infantis algumas bem insignificantes, como por exemplo quando ficava seduzida pelo vento que passava por mim e me dizia coisas ao ouvido, inventava conversas com ele e com leveza me deixava ir, sonhando ser pássaro voando no imenso céu azul, ou então abrindo pequenos botões de papoila para ver se eram meninos ou meninas consoante a cor com que me deparava, se rosa menina, se branco menino, ingenuidade atravessada de alegria, trazia o sol na boca, meus anéis e colares eram de flores, e meu coração era um barco que navegava no sonho.
Tocava as estrelas com os olhos, apaixonava-me pelas cores do arco-íris, era maré inquieta em rebentação, trazia em mim o odor da maresia e a poesia já p'la mão.
natalia nuno
Quem me dera fechar os olhos, deixar-me adormecer naquele lugar onde os sonhos parecem reais, a escrita é o meu espaço, as palavras por vezes são hesitantes, outras deixam de ser minhas amigas, mas também me fazem reencontrar emoções e eclodem em mim visões daquele outro espaço, daquele outro tempo que eu gosto de voltar a sentir. Lúcida carrego dia a dia o fardo de ver-me envelhecer que é assim uma espécie de tortura, e à medida que escrevo minhas lembranças, os pensamentos carregados se atenuam e eu com subtileza aproveito esses momentos, e é então que crio um elo mais forte com o passado e com o lugar onde nasci.
Absorvo-me na contemplação, de coisas infantis algumas bem insignificantes, como por exemplo quando ficava seduzida pelo vento que passava por mim e me dizia coisas ao ouvido, inventava conversas com ele e com leveza me deixava ir, sonhando ser pássaro voando no imenso céu azul, ou então abrindo pequenos botões de papoila para ver se eram meninos ou meninas consoante a cor com que me deparava, se rosa menina, se branco menino, ingenuidade atravessada de alegria, trazia o sol na boca, meus anéis e colares eram de flores, e meu coração era um barco que navegava no sonho.
Tocava as estrelas com os olhos, apaixonava-me pelas cores do arco-íris, era maré inquieta em rebentação, trazia em mim o odor da maresia e a poesia já p'la mão.
natalia nuno
👁️ 270
hoje atardei-me...
extingue-se a luz do crepúsculo
e os aloendros já adormecem
caem as trevas da noite
sobre o salgueiro abandonado
e a minha mão caída sustém
um livro fechado...
meu olhar permanece quimérico
olhando o poente vou sonhando
as recordações sobrepõem-se
quando mergulho no passado...
os traços escapam-se e as interrogações
se apoderam de mim, que fiz eu deste meu tempo,
que fez este tempo de mim?
debato-me em meditações
hoje atardei em chegar
fiquei-me pelo sonho... a sonhar
para não sentir o declínio das próprias forças
crio ilusões,
estendida numa álea florida
tocando as cordas da memória
agora já sem gestos de doçura
a voz sem melodia
a fazer-se sentir o silvo da agonia
mas habita-me ainda a saudade
e no coração a agitação
ainda, de alguma felicidade
natalia nuno
e os aloendros já adormecem
caem as trevas da noite
sobre o salgueiro abandonado
e a minha mão caída sustém
um livro fechado...
meu olhar permanece quimérico
olhando o poente vou sonhando
as recordações sobrepõem-se
quando mergulho no passado...
os traços escapam-se e as interrogações
se apoderam de mim, que fiz eu deste meu tempo,
que fez este tempo de mim?
debato-me em meditações
hoje atardei em chegar
fiquei-me pelo sonho... a sonhar
para não sentir o declínio das próprias forças
crio ilusões,
estendida numa álea florida
tocando as cordas da memória
agora já sem gestos de doçura
a voz sem melodia
a fazer-se sentir o silvo da agonia
mas habita-me ainda a saudade
e no coração a agitação
ainda, de alguma felicidade
natalia nuno
👁️ 339
desejo...
desvario do corpo abandonado
na cegueira do desejo,
coração que de paixão
estremece, é a doçura dum beijo,
é paixão tão grande como o mar
no olhar...
é o arrepio secreto da pele
é o sortilégio do amor
é do pulsar do sangue o rumor
é o estarmos a sós
num encontro cúmplice
é em nós
o extase do enamoramento.
canta em nós a felicidade
e já nos comove a saudade
é belo reviver com arrebatamento
amando-nos livremente e na memória
guardarmos a nossa história.
natalia nuno
na cegueira do desejo,
coração que de paixão
estremece, é a doçura dum beijo,
é paixão tão grande como o mar
no olhar...
é o arrepio secreto da pele
é o sortilégio do amor
é do pulsar do sangue o rumor
é o estarmos a sós
num encontro cúmplice
é em nós
o extase do enamoramento.
canta em nós a felicidade
e já nos comove a saudade
é belo reviver com arrebatamento
amando-nos livremente e na memória
guardarmos a nossa história.
natalia nuno
👁️ 293
liberto os poemas...
pensei queimar todas as folhas
há só um senão
nada restará, nem o sonho
que ainda ouço de noite às vezes,
que a seu tempo acabará
quando a respiração for sustida
ao final desta alameda que é a vida
aos poemas dou nova oportunidade
retiro a condenação,
mas há um senão
que faço da saudade?
poemas ilusões por mim geradas
fazem parte de mim mesma
são mais fortes que todas as razões
são minha carne, meu pão
meu prazer, minha paixão
ilusões? pois que sejam ilusões!
o bálsamo com que mitigo a dor
o azevinho com que enfeito o natal
a quietude e o vendaval
a corda que me prende ao cais
custa-me a acreditar
que os queimaria e não os sentiria vivos
jamais...
vou mantê-los em liberdade
como o perfume das flores pela campina
e dizer-lhes da minha saudade
desse tempo de menina.
as flores encherão a terra
os versos flutuarão alheados ao tempo
só o eco da adolescência passada
virá ao ouvido ainda
derradeiro eco
neste poema que finda.
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273403 © Luso-Poemas
há só um senão
nada restará, nem o sonho
que ainda ouço de noite às vezes,
que a seu tempo acabará
quando a respiração for sustida
ao final desta alameda que é a vida
aos poemas dou nova oportunidade
retiro a condenação,
mas há um senão
que faço da saudade?
poemas ilusões por mim geradas
fazem parte de mim mesma
são mais fortes que todas as razões
são minha carne, meu pão
meu prazer, minha paixão
ilusões? pois que sejam ilusões!
o bálsamo com que mitigo a dor
o azevinho com que enfeito o natal
a quietude e o vendaval
a corda que me prende ao cais
custa-me a acreditar
que os queimaria e não os sentiria vivos
jamais...
vou mantê-los em liberdade
como o perfume das flores pela campina
e dizer-lhes da minha saudade
desse tempo de menina.
as flores encherão a terra
os versos flutuarão alheados ao tempo
só o eco da adolescência passada
virá ao ouvido ainda
derradeiro eco
neste poema que finda.
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273403 © Luso-Poemas
👁️ 256
haverá pássaro e flor...
lanço os anos ao esquecimento
deixo-me como a água errante
que segue perdida
cujo destino é desbravar
caminho
que a levará ao mar...
vivo a minha hora
aqui e agora
meu tempo sempre principia
já com séculos de nostalgia,
hoje brota prodigioso
e eu o acolho gota a gota
e a minha memória é
como uma gaivota
voando na ilusão
de manter a harmonia
em meu coração.
soalheiros estão os trigais
como o encanto da vida
ao passado volto uma vez mais
dou à saudade guarida.
e haverá pássaro, flor,
e do vento rumor
que isso não pode morrer!
serei a chama da distância
que me queima o coração,
e este sonho que é ilusão
o elo entre o presente e o
passado.
o pensamento recriado,
cada palavra novo caminho,
semeando sementes de carinho
e sempre na incerteza
serei tudo o que sou sem ser,
na surpresa de ver
o sonho dia após dia renascer.
natalia nuno
deixo-me como a água errante
que segue perdida
cujo destino é desbravar
caminho
que a levará ao mar...
vivo a minha hora
aqui e agora
meu tempo sempre principia
já com séculos de nostalgia,
hoje brota prodigioso
e eu o acolho gota a gota
e a minha memória é
como uma gaivota
voando na ilusão
de manter a harmonia
em meu coração.
soalheiros estão os trigais
como o encanto da vida
ao passado volto uma vez mais
dou à saudade guarida.
e haverá pássaro, flor,
e do vento rumor
que isso não pode morrer!
serei a chama da distância
que me queima o coração,
e este sonho que é ilusão
o elo entre o presente e o
passado.
o pensamento recriado,
cada palavra novo caminho,
semeando sementes de carinho
e sempre na incerteza
serei tudo o que sou sem ser,
na surpresa de ver
o sonho dia após dia renascer.
natalia nuno
👁️ 318
sem ti ...
me abandono em ti
saio do meu casulo
és o espelho onde me deito
o porto onde eu acosto
contigo a vida regulo
sem ti,
eu morro...aposto!
cansei da palavra
a memória escura
trago fome de ternura.
natalia nuno
saio do meu casulo
és o espelho onde me deito
o porto onde eu acosto
contigo a vida regulo
sem ti,
eu morro...aposto!
cansei da palavra
a memória escura
trago fome de ternura.
natalia nuno
👁️ 306
gota de saudade...
pequena e delicada lágrima
cai sempre no poema
se de saudade é o tema
inunda a praça da poesia
e meu coração se alivia
canto à terra
lembro a enxada
e a terra arada
e as palavras vão crescendo
boquiabertas com a beleza
pois também canto a natureza
canto a minha aldeia
ao meu lugar
onde um dia vou retornar.
natalia nuno
cai sempre no poema
se de saudade é o tema
inunda a praça da poesia
e meu coração se alivia
canto à terra
lembro a enxada
e a terra arada
e as palavras vão crescendo
boquiabertas com a beleza
pois também canto a natureza
canto a minha aldeia
ao meu lugar
onde um dia vou retornar.
natalia nuno
👁️ 288
outono...
aproxima-se a monótona chuva de outono
os vidros das janelas embaciados
a surpresa dos tons embelezados
folhas caídas ao abandono
e nós viajantes nesta estação
num silêncio insistente
aprendendo a sobreviver
com a vida a desaparecer,
às vezes com o coração
aos ais...
o vento faz-se ouvir nos ramais
como mensageiro da intempérie
expectantes nos deixamos ficar
no aconchego do lar
levanta-se a noite
quem sabe amanhã o sol nos espera?
transbordando ardente
trazendo-nos de novo o sonho...a quimera.
natalia nuno
os vidros das janelas embaciados
a surpresa dos tons embelezados
folhas caídas ao abandono
e nós viajantes nesta estação
num silêncio insistente
aprendendo a sobreviver
com a vida a desaparecer,
às vezes com o coração
aos ais...
o vento faz-se ouvir nos ramais
como mensageiro da intempérie
expectantes nos deixamos ficar
no aconchego do lar
levanta-se a noite
quem sabe amanhã o sol nos espera?
transbordando ardente
trazendo-nos de novo o sonho...a quimera.
natalia nuno
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Comentários (11)
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natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
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Español
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!