Lista de Poemas

vivo do sonho...

os que não sonham nada sabem
movo-me à volta dum sonho
onde horas solitárias cabem
e já não sei
se vivo de sonho
ou se ele vive de mim
repito cenas eternamente
quase todas vindo de longe
vivas,
trazendo das rosas o carmim.

vão morrendo as pétalas finais
do meu rosto vazio e só
são pássaros os meus ais,
numa árvore adormecida
dança de sombras na poeira
duma memória já sem vida.

hei-de voltar-me para trás
escrever novo poema de amor
e se fôr capaz!?
escrever sobre o presente
o futuro...e o passado que jaz
adormecido.
hei-de voltar em outras primaveras
e sentir o sangue vivo
a arder!
para puder amanhã em paz morrer.

bate a chuva nos vidros
persegue-me a sombra da noite
sem luar
não quero meus sonhos cativos
quero amar, quero cantar
queimar de amor minhas palavras
com paixão,
esquecer a noite que é solidão.
sentir o solo, este chão
que é esperança,
alvorada do meu destino
manhã entreaberta
onde sou ainda menina sem tino.
com os pés nas sandálias
por entre jasmins de orvalho.

natalia nuno
rosafogo
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pedaços de mim...prosa poética

pequena prosa poética

Quem experimenta um tal amor pelo lugar onde nasceu, sente-se duplicado em tudo, é um amor perfeito que nos inspira e é como uma dávida benfazeja. As lembranças, são colheradas de açucar, que adoçam o coração, ainda vejo a vela acesa na lareira e as feições da mãe na penumbra, embora com alguma dificuldade, mas ainda assim fico plena de júbilo, e alimento a minha alma.
A minha musa é a natureza, a minha força é pensamento, e a memória não dorme...a inocência o sorriso a gargalhada a liberdade o alvoroço, imagens vivas que pulsam tal como meu coração.
Crescem dentro de mim árvores numa longa avenida onde me perco e me encontro, onde me inquieto, onde me comovo, sorrio e sonho, esquecendo a dificuldade da descida.
Dou guarida às aves, deixo esvoaçar as borboletas, ouço os delírios das flores, ancoram em mim as estrelas, meus olhos bravos olham o vermelho dos cravos, existirei na essência de todas as coisas?
Crescem as begónias no jardim interior, as tempestades serenam e eu subo ao céu...apenas assim!
Num vôo de gaivota, leveza de mim.

natalia nuno
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No exílio da memória...

No mar alto da minha vida
Há um marulhar incessante
Que me deixa esquecida
Numa solidão gritante.
Minhas horas solitárias
e fugidias
Povoadas de sombras
e agonias.

Mas as sombras se vão!
Foi apenas um sonho ruim,
agora tudo é leve.
Tudo floresce nos canteiros
secretos de mim.
Lembrei meu riso inundado
de pureza
Adormecido numa fotografia
Trazendo a mim a certeza
Que a vida já foi macia.
Se agora a vida definha
desabrida
Semeando no meu corpo
sinais.
Deixando minha pele ressequida
Já me iluminou o coração
por demais.

Confesso que sonhei
E nada mais há para ser contado
Neste meu silêncio entardecido
Da saudade não falarei
Fechá-la-ei no coração a cadeado.
Já nada do que escrevo faz sentido.
E à medida do que esqueço
No exílio da memória adormeço.

Neste silêncio empedernido,
nas palavras me aninho.
Sou como um menino perdido,
Ou pássaro sem ninho.

rosafogo
natalia nuno
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se adormeço...

O meu Mundo acaba, quando surge o desalento
Os sonhos deixam de esvoaçar, mas os reenvento.
Cresce em mim uma dúvida e é tal a obscuridade
Que adormeço num sono de morte
Aí imploro imortalidade.
Abandono-me neste sonho, caminhando sem norte.
Ao longe já as estrelas se apagaram.
Restam na minha alma rumores de vento
No seio do sonho, seres que me amaram
Tudo eu carrego para meu tormento.

Entro num rio de margens pouco seguras
Que me atraem na sua direcção
E lá volto às minhas loucuras
E a sofrer de novo, fica o coração.

Quando alguém me acorda para que regresse
Volto ao mundo real de onde minha vida depende.
Por ele passa o tempo a galope e me esquece.
E tampouco, nem ele, nem ninguém me entende.

natalia nuno


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pequena prosa poética...


deixa-me o sabor da tua boca, acaricia meu rosto fatigado na tarde lenta em que as minhas mãos tecem palavras de loucura, como se rezassem!...olha-me com espanto, como se eu continuasse a ser o teu encanto, nua ou vestida percorre a minha pele, poro a poro, afunda-me no teu peito com aquele jeito, com que eu sempre coro...não me deixes neste silêncio estranho, ou no vendaval onde me dobro para não quebrar, o tempo cruzou-se comigo nestas longas caminhadas pejadas de partidas e chegadas, deixou sinais que não posso esquecer e restos de esperanças que quero reter...há lembranças que se vão desvanecendo tal como a tarde, percorre-me o sonho na claridade do teu olhar, onde a felicidade e a ternura são canção de embalar...os meus dedos de menina escrevem umas linhas de amor, e nas tuas mãos, esconde-se a lua vestida a rigor...

natalianuno




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procuro o significado...

Para o passar das horas
procuro o significado
Palavras me vêem à mente
Trazendo-me sempre o mesmo recado.
Há ainda um Amor orvalhado
E uma saudade premente
Sei porque choro,
Só não sei porque me entrego
No frio dos meus dias
Nas minhas manhãs sombrias.

Ficam as palavras, que não me deixam só
São minha realidade, meu Universo
São o sabor da Vida,também a poeira o pó
Que deposito no fazer de cada verso.

Pó para onde meu corpo escorrega
Já me deixo ir,de mim faço entrega.
É esta a minha realidade.
No passar das horas, este tempo me pega
Me leva p'ra onde não há regresso
Só a saudade!
Então estrelas serão minha companhia.
A ti Vida já nada te peço
Já tão pouco te pedia?!

natalia nuno

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memórias de mim ...

Vinha aquela chuva pela tarde cinzenta, o ar abafado que mal se respirava, o trigo nas eiras perfumava a aldeia e mais à noitinha um enxame de pirilampos aparecia de todos os lados por sobre a folhagem das árvores vindo até à beirinha das nossas casas a testemunhar o silêncio e preocupação das gentes da aldeia que à soleira da porta descansavam da fadiga do tormentoso dia, mas a trovoada passava o eco dos trovões desaparecia e o dia voltava a ter uma insólita beleza já mostrando o entardecer...ali ao lado mesmo na esquina do quintal uma buganvília agradecida por ter saciado a sede, crescia a olhos vistos como querendo cumprimentar a lua, enquanto nos loureiros lá mais em baixo os pássaros já se aninhavam para passar a noite...no destino da tarde quantos segredos, quantas preocupações e quantos sonhos acariciados pelos jovens com tanto amor para dar. Nestas horas cresce a nostalgia e a lembrança traz-me o assombro daquela moça perdendo-se nos sonhos com perfume a rosa nos inolvidáveis dias da juventude...o dia chorou comovido mas, resplandece prontamente, só na minha memória solitária há sonhos perdidos para sempre. O tempo range nos meus ossos, e coloca uma subtil névoa nos meus olhos, com o seu sorriso hipócrita me deixa ainda sonhar, voltar no sonho à infância onde sou feliz com algo tão simples, às vezes traz-me uma mão cheia de recordações e me deixa num frenesim, recordações que zumbem aos meus ouvidos como abelhas em volta dos laranjais em flor e eu num tímido vôo lá vou lembrando a vida distante numa cega ilusão de matar o tempo permanecendo para sempre criança com a vela acesa na mesa verde onde para lá dos trabalhos de casa, sonhava! No quarto ao lado sinto ainda a ditosa presença de minha avó, lembro o seu rosto sulcado de rugas e só de lembrar me quedo numa nostalgia e os olhos de água se rompem.
Acordar o passado é amar o rio, a aldeia, aceitar a ausência dos que partiram, e trazê-lo ao presente com palavras de frescura e luz.

natalia nuno
do meu blog ... aqui...https://fiodamemoria.blogspot.pt
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amor....soneto

Quem disse ou crê que o amor é só agonia?!
Amor é uma bela rosa com pétalas de emoção
São cândidos os minutos ao amar-se dia a dia
É o madrugar dos olhos, saindo da escuridão.

Amor é uma chama ardendo, é puro incenso
É a dor real que não se vendo está presente!
É chama que ateia em delírio em fogo denso
Brasa que dói que se deseja de tão contente.

Assim quanto mais arde , posto que é chama?!
Mais inflama e não importa de amor morrer-se
Desejo na hora, coração sofrendo, assim se ama.

Ponte do amor à saudade, da saudade à agonia
Mais vale a ferida lenta do que amor perder-se!
Amor, sonho e emoção, entre um dia e outro dia.

rosafogo
natalia nuno
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pequena prosa poética...

não sei por quanto tempo vou caminhar, da garganta do tempo me vem esta solidão e é com ela que vejo meu mundo a desabar...ecos chegam de alguma voz distante e em lufadas de vento percorrem-me o pensamento, enquanto meus dedos crepitantes continuam a escrever, a agarrar-se à poesia como arpões, aos poucos morrendo de ilusões e nas janelas das minhas insónias procuro ainda o sonho e pequenas sensações que espalho em meu alento, sem que nada nem ninguém as destrua, porque o sonho é meu e nele eu sou tua...há uma sombra que surge denunciando passos e apesar da decadência eu sonho ainda com teus abraços...constante e cega, vivo nessa loucura da qual já não há volta, nesta fria obscuridade abro de par em par o coração deixo nele à solta para sempre a saudade.

natalia nuno
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ah... sei lá eu amor!

sonhos que invento
de fogo e ternura
em atiçado vento

abro-te os braços
e deixo-me amar
teu amor é cura
deixa-me a sonhar.

sou feita de chama
tenho sede de entrega
no linho da cama
meu corpo não se nega
e p'lo teu chama.

com louca vontade
caindo no cansado
quando chega a saudade.

amor eu não sei
se amor imploraste
ou fui eu que to dei,
ou coisa que inventaste,
se é uma canção gasta
que de mim te afasta...

ilusão ingénua
ou encantamento
despertando ardor
os sonhos que invento
ah...sei lá eu amor!

natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.