Lista de Poemas
palavras leva-as o vento...
Ignoro onde me levam meus passos
Devo porventura desculpar a vida?
Como recuperar se só restam traços?
Em boa verdade, me sinto perdida.
Rompo com a própria vontade
Sozinha com pensamentos a esmo
Deixo-me a rememorar com saudade
Para não me esquecer de mim mesmo.
O tempo amadureceu este sentimento
De prosseguir, de me apressar no caminho
Não vá acontecer meu desaparecimento
Numa noite breve, dar-se meu descaminho.
Já nem sei com rigor nada a meu respeito
Só sei que estou numa idade diferente!?
Se é dia ou crepúsculo, a hora a que me deito!?
Se muitos ou poucos os passos em frente.
Face ao desconhecido, a imaginação é que tece
Não é medo não, só mau pressentimento!
Mas a Vida já nem aquece nem arrefece!
"Palavras, palavras leva-as o vento".
rosafogo
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=168156 © Luso-Poemas
Devo porventura desculpar a vida?
Como recuperar se só restam traços?
Em boa verdade, me sinto perdida.
Rompo com a própria vontade
Sozinha com pensamentos a esmo
Deixo-me a rememorar com saudade
Para não me esquecer de mim mesmo.
O tempo amadureceu este sentimento
De prosseguir, de me apressar no caminho
Não vá acontecer meu desaparecimento
Numa noite breve, dar-se meu descaminho.
Já nem sei com rigor nada a meu respeito
Só sei que estou numa idade diferente!?
Se é dia ou crepúsculo, a hora a que me deito!?
Se muitos ou poucos os passos em frente.
Face ao desconhecido, a imaginação é que tece
Não é medo não, só mau pressentimento!
Mas a Vida já nem aquece nem arrefece!
"Palavras, palavras leva-as o vento".
rosafogo
natalia nuno
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👁️ 441
memórias de mim...pequena prosa poética...
não havia excesso de afectos mas havia o suficiente para nos sentirmos seguros, ao mesmo tempo um respeito e uma ligeira distância quase intransponível entre pais e filhos. Fui até tarde uma criança crescida sempre pronta a sentar nos joelhos do pai, no colo da mãe ou a dormir com a avó paterna, estas lembranças são feitas de ternura e pertencem-me inteiramente, quando o dia começa a declinar e a aumentar o silêncio da noite, escrevo, escrevo para me proteger da saudade dos meus mortos e invade-me uma terna melancolia... e meu temperamento mantém-se no seio do silêncio e da solidão, e aí fico muda como uma flor, surda como pedra, sem ninguém, só eu e meus pensamentos a palavra escrita e o passar do tempo...escrevo com uma rapidez nervosa, e nem sempre corrijo e não sei muito bem o que escrevi para trás, e tudo fica tremendamente complexo, como nas sombras do crepúsculo, mas eu sei que está tudo lá, o rio, o céu, as árvores, a luz , a sombra, a inocência e eu canto tudo em minha poesia, a escrita é uma necessidade interior, vem ao encontro daquilo que desejo, sinto uma alegria instantânea que é gerada pela memória...assim recordar, chorar sorrir é essencial à vida, pois se convertem numa força que nos leva a caminhar. Como um pássaro recém-nascido volto sempre ao passado com vontade de voar...da vida pouco sabemos a não ser que é uma viagem caprichosa que fazemos e da qual não prevemos em que estação o combóio pára de vez...ai esta minha insónia que me deixa de olhos abertos.
natalia nuno
fiodamemoria.blogspot.pt
natalia nuno
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👁️ 236
transparências...
guardo palavras num frasquinho
como se fossem doce ou vinagre
as vou espalhando pelo caminho
vivendo esp'rança em tempo agre
e assim entre beijos inacabados
o olhar repouso, acalmo o desejo
trago os sonhos com nós atados...
e a esperança na promessa d' beijo
é já na hora tenra da madrugada
q' gritam os pássaros com ternura
na luz que avança leitosa azulada
a gente se ama, é nossa a ventura
amor me fio, janelas escancaradas
deixam entrar os ventos da aurora
e as vestes p'lo chão amarrotadas
é hora do amor... é do amor a hora!
tudo que tem sombra é sombrio
quando não se alcança o sol à mão
e a vida ás vezes presa por um fio
e aí nos amarra d' dor e solidão
no pomar tão brilhantes as cerejas
nas moitas sol aceso nos azevinhos
brilham mais m' olhos se os cortejas
acolho o cortejo dos teus carinhos
natalia nuno
como se fossem doce ou vinagre
as vou espalhando pelo caminho
vivendo esp'rança em tempo agre
e assim entre beijos inacabados
o olhar repouso, acalmo o desejo
trago os sonhos com nós atados...
e a esperança na promessa d' beijo
é já na hora tenra da madrugada
q' gritam os pássaros com ternura
na luz que avança leitosa azulada
a gente se ama, é nossa a ventura
amor me fio, janelas escancaradas
deixam entrar os ventos da aurora
e as vestes p'lo chão amarrotadas
é hora do amor... é do amor a hora!
tudo que tem sombra é sombrio
quando não se alcança o sol à mão
e a vida ás vezes presa por um fio
e aí nos amarra d' dor e solidão
no pomar tão brilhantes as cerejas
nas moitas sol aceso nos azevinhos
brilham mais m' olhos se os cortejas
acolho o cortejo dos teus carinhos
natalia nuno
👁️ 287
pensamento...
...no caminho da memória,
o prazer lento da nostalgia puxa o fio das lembranças,
e, surpreende o coração.
natalia nuno
o prazer lento da nostalgia puxa o fio das lembranças,
e, surpreende o coração.
natalia nuno
👁️ 292
sonho de primavera...
um tímido vôo,
porque as asas já são estorvo,
a PRIMAVERA da vida
deixou de ter amendoeiras em flor,
agora tem apenas nostalgia,
ergo os olhos ao céu e agradeço
por ela ainda em certos dias me visitar...
horizontes que despertam da obscuridade,
fecho minhas pálpebras
cativa em mim a felicidade
cedo ao desejo de sonhar...
ser falcão atravessando o céu,
e deixar
a solitária flor de sempre ao agora...
natalia nuno
porque as asas já são estorvo,
a PRIMAVERA da vida
deixou de ter amendoeiras em flor,
agora tem apenas nostalgia,
ergo os olhos ao céu e agradeço
por ela ainda em certos dias me visitar...
horizontes que despertam da obscuridade,
fecho minhas pálpebras
cativa em mim a felicidade
cedo ao desejo de sonhar...
ser falcão atravessando o céu,
e deixar
a solitária flor de sempre ao agora...
natalia nuno
👁️ 318
doce recordação...
é este o tempero da vitória
escrever palavras enzeitadas
lembranças açucaradas
retidas na memória...
solto-as como uma revoada
de pássaros por sobre
as folhas do milheiral,
e o sol que tudo doura
na minha imaginação,
é açucar e é sal
tempero do meu coração
olho o dia de ontem
como doce recordação
mesmo se o destino parece adverso
eu canto a vida num verso
ponho todo o meu afâ
e com pezinhos de lã
a palavra trato com fulgor
de esperança adoço sonhos
e basta-me só um pouco d' amor.
natalia nuno
escrever palavras enzeitadas
lembranças açucaradas
retidas na memória...
solto-as como uma revoada
de pássaros por sobre
as folhas do milheiral,
e o sol que tudo doura
na minha imaginação,
é açucar e é sal
tempero do meu coração
olho o dia de ontem
como doce recordação
mesmo se o destino parece adverso
eu canto a vida num verso
ponho todo o meu afâ
e com pezinhos de lã
a palavra trato com fulgor
de esperança adoço sonhos
e basta-me só um pouco d' amor.
natalia nuno
👁️ 315
onda de alegria...trovas
meio dia, meio da tarde
do tempo encruzilhada
a primavera de verdade?
é saudade relembrada.
olho no areal a gaivota
ao mar não vai mais voar
Deus meu sou tão devota
fazei meu sonho voltar
guardo as minhas penas
neste tempo de nevoeiro
saudades trago do cheiro
da minha terra de açucenas
na viagem bate o coração
Deus tropecei no outono
onde deixei o verão?
Anda o coração sem dono.
nos olhos as sardinheiras
que cresciam nas janelas
trago cheiro das laranjeiras
deixei por lá as estrelas.
e nos caminhos da utopia
minha saudade fez-se beijo
e numa onda de alegria
escrevo versos feitos desejo.
natalia nuno
rosafogo
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=245996 © Luso-Poemas
do tempo encruzilhada
a primavera de verdade?
é saudade relembrada.
olho no areal a gaivota
ao mar não vai mais voar
Deus meu sou tão devota
fazei meu sonho voltar
guardo as minhas penas
neste tempo de nevoeiro
saudades trago do cheiro
da minha terra de açucenas
na viagem bate o coração
Deus tropecei no outono
onde deixei o verão?
Anda o coração sem dono.
nos olhos as sardinheiras
que cresciam nas janelas
trago cheiro das laranjeiras
deixei por lá as estrelas.
e nos caminhos da utopia
minha saudade fez-se beijo
e numa onda de alegria
escrevo versos feitos desejo.
natalia nuno
rosafogo
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=245996 © Luso-Poemas
👁️ 283
já nada me derrota...
memórias....infância,
o pulsar do tempo alucinado
e cego de obscuridade
como o rumor de palavras que se perdem...
saudade... saudade
vôo lento duma gaivota
silêncio e nostalgia
já nada me derrota!
nem o rosto reflectido nas águas
nem a noite nem o dia
nem as mágoas
nem a morte,
nem sonhos nem pesadelos
nem o medo ou a loucura
faço de tudo aceitação
enquanto palpitar o coração
nesta avidez do tempo
dentro de mim um apagão
a memória foge como o vento
ficam só, pedaços de recordação.
natalia nuno
o pulsar do tempo alucinado
e cego de obscuridade
como o rumor de palavras que se perdem...
saudade... saudade
vôo lento duma gaivota
silêncio e nostalgia
já nada me derrota!
nem o rosto reflectido nas águas
nem a noite nem o dia
nem as mágoas
nem a morte,
nem sonhos nem pesadelos
nem o medo ou a loucura
faço de tudo aceitação
enquanto palpitar o coração
nesta avidez do tempo
dentro de mim um apagão
a memória foge como o vento
ficam só, pedaços de recordação.
natalia nuno
👁️ 308
pequena prosa poética...
ouve as marés nas areias mordidas pelo sol, e ali encalhadas ficam-lhe as ideias, procura então renovar-se dando asas ao seu vôo, sonha , palpita de saudade, agarra-se à vida com tenacidade, estende o olhar ao dia que ainda lhe pertence...há dias em que a existência lhe parece obscura, tem o desejo e a necessidade fremente de claridade, do sol primaveril, e num despertar absorver o ar puro e fresco que lhe chega do mar...e nessa luz matutina recordar a menina, ouvir o galo cantar notas duma bela sinfonia, olhar o infinito com o ouro a queimar, tudo a penetrar-lhe a consciência, deixar-se a flutuar num céu lavado e límpido por entre os salgueiros, e os cheiros das rosas selvagens... o vento traz-lhe mil recados, mil imagens que voam com leveza dentro dela...e a maré recua, no céu, em êxtase a lua.
natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
natalia nuno
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👁️ 294
pequena prosa poética...
a sombra parte abandona a parede cinzenta, amanhã estará de volta, os ninhos ficam tristes, só a memória dela acalenta, que as asas dos sonhos hão-de voltar para novas palavras talhar...mas que beco sem saída é esta vida...volta lá atrás, emigra na aventura do sonho, olha as abelhas que dormem a sono solto, as lágrimas que o rio solta pelas hortas, as flores já mortas, os amores perfeitos que a mãe gostava tanto... é o desencanto, não suporta tanta violência , desarmada pelo tempo, sente o peso da herança, esmigalha tudo o que lhe tirou a esperança, encosta-se ao que lhe resta ainda, e fica a magicar...deixa as palavras partir, ignora a descida sem luz e na inocência...quem lhe dera ficar...regressar às papoilas, cheirar as mimosas, esperar o próximo orvalho sobre as rosas, como se tudo estivesse certo nestas palavras vazias, exaustas, pobres andorinhas tardias...
natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
natalia nuno
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👁️ 212
Comentários (11)
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natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!