Lista de Poemas

I-XV Jaezes de vida e morte

Não perdemos as cabeças, as arremessamos sem importarmos com onde cairiam, e se lá continuariam.

Já não tinha a minha nem quando a tinha, e para mim, perde-la só me fez diferença por fazer diferença a vocês.

Alguns com juízo, outros sem:

É menos sobre culpa ou querer culpar, e mais sobre viver as ideias que nos fazem apaixonar.

A adrenalina desta queda livre que nunca se vê o chão,

não há cabeça para que, pela boca, saia meu coração.

 

E assim, sem importar por quem, nasci apaixonado.

Em busca da alma gêmea que aflija-me encontrar, temo dia e noite esta aventura acabar.

Morreria eu por qualquer Julieta que se finja de morta, e por qualquer irmão que me erga com pregos e cordas.

Se sobre a paixão sabem algo, agradeçam a nós como agradecemos a quem, com muros, do destino tem nos separado.
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I-X Jaezes de vida e morte

Se és fraco por não seres forte,

não serás mudo por seres fraco,

pois há quem morto gabe-se por tanto perder,

evitando correr do que tende a ser.

 

E seria da conta de quem, se não de quem nada sabe? Que, então, dito seja o todo aos que já ouviram sobre ele.

Por todos condenado, por poucos destes perdoado, lincho eu mesmo, pois temi quem ser quem, e esqueci-me de quem age como não é. E mesmo na morte, não hei de falar o que não sei, mas direi quem sabe:

Genitor, este que vê-me procurar o leste no oeste, para então pergunta-lo sobre o sul.

Não há racionalidade que me leve além do que existe, e, como fruto do princípio que nos quer de volta, não há coisa alguma que, sobre o norte, faça-me lembrar.
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I-VIII Jaezes de vida e morte

Nesta terra que merca, generosamente, a inteligência dos homens que felizes desejam-se.

Com um golpe que dois coelhos mata, perde-se o que obriga a pensar e ganha o que faz-te querer comprar.

Quanto a vergonha, perde-se sem que saiba.

E diante do medo do que digo, acreditas eu roubar o que pouco foi te cedido.

 

Por ora, do que tens, pouco me instrui, e se em algo me fascina, basta-me lembrar do que fascinam me mais.

Nas dores vendidas, alguns felizes se tornam por deixarem de te-las, outros pelo ouro que tanto cortejam.

E aos que nem com olhos enxergam, que menos alegrias tenham então, pois a dor é oráculo para a real dimensão.
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I-XI Jaezes de vida e morte

Intermináveis beijos vossos que minha juventude arruína,

não explico de melhor forma se não franzindo o que tenho de rosto.

Ferve-me o sangue.

Recorda-me das estradas que me lembram não estar em outras.

Ouço bobagens do que tenho sido e fatalidades que me aguardam.

E diante de ti, que rancor algum ouves, és mais feliz do que deveria.

Retornarei então, talvez, com uma carta ou duas, lembrando-nos desta cidade que, nascida de mim, tanto esquece-me das boas coisas. E o silêncio que aos outros significa, nos soa como desculpas de almas distraídas.

 

Odiando-o não me despeço, pois viveria por ti apenas para que eu não viva por mim.

Seus sonhos, faria-os meus dois ou três, esperando, da fé, algo bom.

E diferente do épico lírico baiano que, no português, tanto acreditam propositar seus erros, vivo crucificado,

às vezes por menos, muitas vezes por menos ainda.

Mas não temo a morte que só ameaça, lembro-me de ti, que aqui faz-se de graça.

 

Aos que, lendo-me, desacreditam na justiça, vejam destas ofensas justiça que faço por mim.

Santifico-me por guiar quem mal compreende, os dizendo: besteira essa de querer entender egos contundentes.

Aprendam o caminho de casa ao sair dela, orando para que os livrem do que, de volta, os levem a ela.

E livrem-me destes homens que, de todos os tempos, têm gastado apenas o meu.
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I-IX Jaezes de vida e morte

É embaraçoso.

Como defender quem, morto, mais se confunde?

Superestimada tal fábula de que o mundo tanto guardam, pois tropeçam sem as pernas, e com suas bocas nunca falam.

 

Durmo então sem que permitam,

esquecendo no corpo joias que nada justificam.

Teria eu que, menos que tu, novamente viver apenas para mais noção ter?

Treinar esses paços barulhentos para próximas vidas assombradas, pois sei que a carne ferve mesmo quando abandonada.

Crescemos e nos apaixonamos, convencendo-nos que perdemos apenas o que não aproveitamos.

E como testemunha de tamanhas besteiras, digo que a raiva serve-me apenas para que vexames eu tenha,

fazendo da Terra apenas terra, do inferno menos inferno, e de mim alguém à parte, escondendo-me de meu resgate.
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I-III Jaezes de vida e morte

Procurando por você, encontrei o que tem feito-me esquecer. Vi-me amaldiçoando os dias e as escolhas, dando-me em partes a quem dá-me por inteiro. E onde guardo o que tenho de bruto, nada me serviu de joia. Envergonho-me deste homem que, há tanto, escreve anseios que já não mais têm.  Quis ver-me feliz aqui, e noto que, feliz, tudo esqueci. E és tu que denotas o que, por desrespeito, tenho feito. Perdoa-me amor por tanto inspirar-me em dor, e que sejas tu a exceção desta vida, rotineira e reprimida.   
    
   Faria de ti a pretensão dos anos que me fui casto, e ter-me-ia louco, pois serias um garoto. Então basta-me louco aqui, no confim entre mim e ti. E se fujo do que poderia ter sido, lembro-me que mais disso temos tido. Faço, então, do que quero o que tenho, a fim de livrar-me dos anseios. E espero, tímido e covarde, que me tenhas sempre por sua vontade. Assim encerro dizendo amar-te, temendo descredibilizar esta arte que, no fim, bastaria ser lida por mim.
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I-IV Jaezes de vida e morte

Há nisto humor desde sempre, ainda que agora menos aparente. Poderia eu ter escrito ontem, quando sentia o que agora finjo sentir. Se tanto gabo por assaltar o tempo, o que me impede? Anseio de ti o que não preciso, e cogito o que o substitua a fim de menos sentir. Também, menos, sinto-me entregue a ti, e mais ao pior que carregas como alma. És dono das mãos que esculpiram as mágoas em mim inspiradas. Graças a nós, a vida tem sido, pelo menos, ridícula. Faço de ti, então, ninguém sendo alguém, vulto dos que têm foco, dia sim, dia não. 

Sorte tens se para mim és algo, pois te garanto que és nada a tudo que seu nome fala. Não desejo que inexistas, pois manter-me-ia em versos bobos que lembrar-me-iam tão pouco. Que o destino venha, então, contar-me sobre mim e como repus seu fim. Se melhor ou pior, não importa, desde que preenchido não lembrarei do que, por tanto, fui vazio. E que finalmente a vida seja assim, sobre mim.
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I-VI Jaezes de vida e morte

No instante em que aqui piso sinto fome,
é como tanto impedem-me de prosseguir. 

Acredito em infinitos contextos de vida, mas nesta página já não há o que eu não tenha dito ou vivido.
Tenho debruçado-me sobre diferentes mesas, ainda vindo de romances sem quem me queira.
É que a ambição pela vida é grande, sermos um do outro é só o mínimo para sermos amantes. 

Repulsa-me a forma que me ouço, e não me quero calado.
Escuto-me para não ser você quem escuta.
Inconsistência é um presente dado-me de graça para que a esperança nada faça.
Sou, mais uma vez, subestimado por quem superestimo.
O amanhã dos positivos vem fazendo deles apaixonados, e, como piada, mortos pelo acaso. 

Sua loucura combina com minha escrita, sua agonia com minha vida.
E que sentimentos são estes que escrevo sem existir? Há, aqui, muito por ti.
Estou certo que esperando por mim estás, pois é sempre minha vez de falar.
E como qualquer outro erro, durmo, sem que eu algo diga, pois para mim és mais uma besteira da vida.
Vida que de nada adianta tirar-me, pois me enlouqueço como quem vive de arte.
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I-II Jaezes de vida e morte

Desejo instruir-me pelos erros, mas não pelos mesmos, exceto tantas vezes repetir amar, e por fim falhar para recomeçar. E quando eu socorro gritar, quando eu no fim do poço me mostrar, não me acuda. Deixe que eu vá, para que eu arrependa e volte, não tão breve como imaginas, mas ainda assim breve. Não tenho todo tempo do mundo aqui, o tenho lá, onde não quero estar. Então como não me desesperar? Há adrenalina no que passo, no que duvido, no que defendo, há prazer em esclarecer si mesmo. Sinto-me viver o que não tem preço.

   É atormentador, é físico, é você que sente. O melhor prostíbulo para o pior dos narcisos. Um mundo feito para fazer-te herói, vítima, do início ao fim, sem que haja fim. Acordo, não por mim, mas por promessas, ética e, algumas vezes, curiosidade. A esperança que tanto move montanhas, coisa alguma tem movido. Forçadamente, tenho isto feito sozinho. 

   Não importa o sentimento, se está no palco dará ao público o que mostra-se ser, que tu te doas se há o que doer. Se neste mundo adaptado ainda duvide: deixe de sentir e o aniquile, pois não há realidade sem quem a sinta. Tão rápido quanto critica, haverá quem o atiça, garanto. Sob disfarces, está em ti, o todo imbuído, fazendo de ti aposta, se irá e se crerá. Retornar seria deixar de entender, e como poderia eu deixar de saber se não sabendo mais? Por conhecimento já fui entorpecido, já demais comprometi-me ao pressuposto de quem são e o que são. Não há vitória contra quem vê além do que vê. Encurvo-me pelo peso do que sei e, com o peso do que piso, sinto-me premido. Amado sei de ser pelos que daqui são, pois se há quem ouça, deve haver quem entenda.
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I-I Jaezes de vida e morte

Falho por ingrato ser, certo por orgulho ter,

e se honra alguma resta, que eu não a perca por você.

Todavia, por amor, à prova me poria,

pois são as contradições e as questões que sustentam meus gritos

que faz-me soar convicto.

 

Honra mantida para ser perdida.

A minha salta, do peito e da alma,

querendo largar-me nesta vida abalada.

É cobiça por calor mundano.

 

E se és tu quem queimas, morro eu então congelado, eternamente apaziguado.

Pobre carcaça que, por paixão, foi traída neste fim, e até ao fim foi leal a mim.

Matar-me-ia se algo assim a fizesse passar, pois sei que de fato faço.

Contradigo-me querendo viver por você, e querendo pela arte morrer.

E são estas as besteiras que estendem meu tempo,

fazendo de mim um maribundo sem vencimento.

 

Assim vivo inapto ao que apta tanto vives, amando presentes sem futuros e, Deus, como podes ser feliz?

Quero escrevendo estar como se aqui algo pudesses notar.

Faria de mim todas as vítimas de teus futuros.

Que haja então, um dia, misericórdia que me livra de, nisto, tanto ver coisas,

coisas que servem de pólvora à honra que me fora outrora.
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