Lista de Poemas
A Descoberta da Poesia
Assim um dia, descobri que posso ver o que a foto não revela
A residir no horizonte interno, invernal e oculto pela pálpebra
Tantos navios naufragados, deserdados neste poço de solidão
Ventos avaros, de um verão já distante, solenes como ícones
Assim um dia, descobri que o mistério maior que eu já escondi
São fragmentos olvidados de mim, dos antigos silêncios carmim
Dos perfumes ociosos de jasmim, absolvidos de todo o pecado
Só por estarmos juntos, duas almas a habitar uma só paisagem
Assim um dia, descobri que não se conhece da vida pela janela
Mas a imergir o império das esperas melancólicas dos domingos
Perscrutar nos porões que se velaram as mais densas tristezas
Ouvir as vozes anônimas da verdade que desafia nossa higidez
Assim um dia, descobri o poema, amigo ora sublime, ora cruel
A retratar o martírio de quem se abandonou a sonhar o amor
Em vocábulos ceifados do peito, ancorados na folha de papel
Cristalinos como as auroras ou sombrios quais noites sem luar
O poema dilacera os mistérios da linguagem, santa ou meretriz
Fere de morte a inércia da língua e salta da página ao coração
A residir no horizonte interno, invernal e oculto pela pálpebra
Tantos navios naufragados, deserdados neste poço de solidão
Ventos avaros, de um verão já distante, solenes como ícones
Assim um dia, descobri que o mistério maior que eu já escondi
São fragmentos olvidados de mim, dos antigos silêncios carmim
Dos perfumes ociosos de jasmim, absolvidos de todo o pecado
Só por estarmos juntos, duas almas a habitar uma só paisagem
Assim um dia, descobri que não se conhece da vida pela janela
Mas a imergir o império das esperas melancólicas dos domingos
Perscrutar nos porões que se velaram as mais densas tristezas
Ouvir as vozes anônimas da verdade que desafia nossa higidez
Assim um dia, descobri o poema, amigo ora sublime, ora cruel
A retratar o martírio de quem se abandonou a sonhar o amor
Em vocábulos ceifados do peito, ancorados na folha de papel
Cristalinos como as auroras ou sombrios quais noites sem luar
O poema dilacera os mistérios da linguagem, santa ou meretriz
Fere de morte a inércia da língua e salta da página ao coração
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Segredo
A noite se fez em cinzas sobre as nuvens
O dia azul puro naquela manhã, sem garras
Com a doçura da simetria lenta e selvagem
O inverno germinou em meio ao silêncio
Um áspero silêncio é o consolo esperado
Das fotos amareladas dos sinos infância
Derramando lágrimas entre maçãs sonolentas
Pelos círculos selvagens e noturnos
Oh, que visão! O fogo está de luto
A neve bate nas ramas como mar de sal
Na sombra extravagante do oblívio
Ele sabe que a fúria é o outro lado do som
Que a areia ferida sangra a terra abaixo
Os trovões e seus cantos assustadores
São escravos noticiando o vazio da chuva
Eu sei! Porque de tristeza, dançam
Eu sei... dessa amargura vertical
No espanto do alfabeto derretido
Que torna o poema imprevisível
Impossível e gentil no segredo que guarda
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A Lenda do Alquimista e sua busca inquietadora.
Sou o poeta nascido nos céus, lançado ao inferno, que teu amor ressucitou
Quem, pelo sortilégio próprio da poesia, tem a chave das portas do tempo
Quem, pelo sortilégio próprio da poesia, tem a chave das portas do tempo
Ora vem contar a lenda do peregrino que rompeu o vazio com seus passos
O alquimista faz seu sonho viajar por anos luz de distância, sem cessarNum segredo que jaz oculto no vento, ele carrega o negrume nebuloso
O fogo dos lampejos, ao som dos trovões, risca o negro do céu da noite
São memórias em ouro que jamais serão perdidas no poço do oblívio
Todo acontecimento têm seu ritmo interior e vem cercado de mistério
Que à tênue, e tanto amarga, fábula da vida não é dado compreender
Que à tênue, e tanto amarga, fábula da vida não é dado compreender
A tarde se foi carregando uma busca de respostas, um jogo de porquês
Em nossa voz há mil palavras impronunciadas num poema não escrito
Irá decompor o espelho metamorfo das nossas pretensas estabilidades
A real face de nosso desejo, ocultamos atrás das máscaras que vestimos
Contudo tentamos dar à trama vã um sentido, ontem se por vias paralelas
Hoje convergentes, quiçá a nos resgatar do lago das escassas conquistas
A real face de nosso desejo, ocultamos atrás das máscaras que vestimos
Contudo tentamos dar à trama vã um sentido, ontem se por vias paralelas
Hoje convergentes, quiçá a nos resgatar do lago das escassas conquistas
Anteponho-me aos obstáculos, luto contra o vácuo e o sonho irrealizado
Na minha luta me faço incansável no meu voo além dos nus horizontes
Na minha luta me faço incansável no meu voo além dos nus horizontes
Voarei com o vento a abrir nos limbos caminhos de ausentes presenças
Abro os espaços em círculo, onde sou análogo à medida de teu corpo
Vou trocar as fechaduras, grilhões, correntes e tudo que negar a fábula
Ou nos ligue às convenções, pelo cheiro de terra úmida após a chuva
Assim te guardarei, de sorriso fácil e cabelos dourados num futuro melhor
Assim me acompanharás invisível, todo tempo, nessa busca inquietadora
Assim te guardarei, de sorriso fácil e cabelos dourados num futuro melhor
Assim me acompanharás invisível, todo tempo, nessa busca inquietadora
Atravessando as inúmeras portas por onde só a palavra haverá de passar
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Perfeição
Neste teu dia, queria escrever um poema que te descrevesse
Mas, temo não atinar palavras tão belas que te façam justiça
Para que estes versos não pareçam desertos diante do que és
Pois és a semente de tudo que germina, és a fonte que inspira
Porque tens os olhos profundos que versam mesmo que cales
Mas se não calas, tua voz é o alento que já gravei nos ouvidos
E se te faço sorrir, sinto-me como Deus na sua melhor criação
Pois teu sorriso ilumina as trevas da angústia e restaura a vida
Hoje sei que quando as flores foram criadas, pensaram em ti
Mas não sei fazer flores e tão menos descrever a flor que és
Contudo, posso reconhecer teu perfume em qualquer jardim
Se pudesse te escrever um poema, poderia recriar o mundo
O ouro imitaria a cor de teus cabelos que eu quero acariciar
Eu inventaria a brisa nas tardes de verão para vê-los esvoaçar
Inventaria também o céu e colocaria estrelas pra te ver sorrir
A lua não, pois viveria escondida nas nuvens, com inveja de ti
Deitaria ao teu lado para contar as estrelas e histórias da vida
Porém não sei escrever um poema que te seja justo, bem o sei
Mas, sei que te amo e que te desejo tão feliz qual sonho bom
Quero estar ao teu lado e cada ano constatar que vales mais
E dizer apenas teu nome, quando quiser explicar a perfeição
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Das faces de carvão
Chega a noite com suas faces ocultas de carvão a difundir o negrume
Espalha-se no ar, entre signos de um sonho azul, uma música perdida
Que ecoa pelo concreto da selva urbana, onde agora é tudo apartado
No silêncio do meu quarto, é tanta a solidão que sua sombra faz ruído
Ouço o mover do seus passos ausentes, sinto-lhe o calor da ausência
Por todas as indagações irrespondidas destes caminhos mal traçados
No espelho baço das indesejadas memórias de um adeus que não dei
A ventania dos tempos a bater seus cascos pelos desertos anunciados
Os trens do isolamento carregam as dores da tristeza que viaja em nós
O grito súbito da noite remonta para a faina diária, a lâmina viva do dia
A geometria silenciosa das madrugadas traça a parábola da escuridão
Nas dobras da palavra, o poema frágil e transitório, enfim se recompõe
As linhas que o destino captou para nos confinar em verdades relativas
Qual pássaro com suas asas em chamas a sobrevoar o pó dessas vias
Recolho as tempestades em som e cores na perpétua roda dos tempos
Conquanto a cegueira dos que nos têm julgado, mais um dia renascerá
Com a luz do dia tudo irá renascer no sonho límpido da nova primavera
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Sergius Dizioli nasceu em São Paulo, neto de imigrantes italianos. A veia artistica proveio da família de seu pai, cuja irmã - a tia Yolanda, conhecida como Yole Meira que era atriz ligada a Cacilda Becker, Bibi Ferreira entre outros Sempre foi apaixonado pela leitura e pela língua portuguesa desde muito jovem. Se dependesse de seus pais, de um lado, seria uma pessoa ligada às ciências biológicas; de outro ao Direito. Foi os dois. Gostava de desenhar com grafite, todas as vistas que tinha de alguma janela das casas do amigos. O resultado foi uma série chamada "Vista pela janela afora" e tudo era retratado: outros prédios, ruas, praças, vistas da praia... O gosto de desenhar chamou a atenção de amigos que lhe presentearam com 3 telas, 3 pincéis e 6 tubos de tintas a óleo, além de acessórios. No mesmo instante pegou os pincéis e começou a deitar as tintas aleatóriamente o que resultou em um pássaro algo surrealista. Esse foi o marco de que se possa chamá-lo de artista. Sempre autodidata nunca fez um curso de pintura. Alguns quadros podem ser vistos em segundo plano na foto do perfil. Passou a pintar paisagens a partir de fotos. O gosto pela pintura cresceu muito quando ganhou um livro com uma coletânea de pinturas de Salvador Dalí. Apaixonou-se pelo surrealismo e passou fazer réplicas de quadros de Dalí. A influência do surrealismo também levou-o a escrever, e a poesia foi a forma escolhida. Leu Andrè Breton, Paul Éluard, Murilo Mendes e Jorge de Lima entre outros surrealistas. Nos tempos da escola já havia lido Augusto dos Anjos. Assim nasceu sua linha poética principal: versos construídos com um certo amargor vistos pela ótica do surreal. A esta altura já consegue compilar mais de 350 poemas. Veio há algum tempo planejando a edição de dois livros: um que reúne os poemas mais 'sombrios' reunídos sob o título "Cicatrizes" e outro que reúne temas mais diversos e leva o nome de "As Marcas do Tempo". Já tem o primeiro publicado e espera ainda este ano publicar o segundo. Leia e opine, sua opinião é valiosa. Temos certeza que vocês vão gostar.
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