Lista de Poemas

Arco-íris

Preferi colorir meus olhos,
deixando a  natureza como estava.

Não pintei caminhos,
não criei arco-íris,
não desmatei sentimentos.
O mundo ficou
Multicor:

 - Porque nos meus olhos
nasceram lindas flores.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 97

Em mim sou

Sou quando digo,
mas, quando dizes não, 
sou mais.

Só minha voz me fala;
O que vem de outra boca
não me desperta.

Eu vivo em mim
e em mim sou.

Os que são por aí
nunca serão meus.

E quando eu sair, 
sairei solitário,
sem nenhum aceno,
nenhuma despedida. 

Silenciosamente invisível.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 110

Camafeu

Nozes se abrem
(prensadas),
como olhos sonâmbulos
em altas madrugadas.

Morder os olhos,
sentir o sabor,
e degustar lentamente
semente por semente.

Depois o vento
volta e
sacode a Nogueira.
 
Outros olhos
brancos:
 
inefável Camafeu.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 108

Outra estação

É preciso começar
pelo começo – dirão.
 - Mas, onde é o começo?

Pela mente 
é a razão.

Pelo coração
é a emoção.

E, se tudo o que começa,
tem fim,
não há pressa em começar.

Não, não começaria ainda
- talvez, um dia -
em plena primavera,
para começar pela flor.

Ou  começaria em uma outra estação
pela raiz.

Não gosto de finais.

Não começarei agora
- não começarei -
Jamais.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 34

Flores

Abrem-se flores
e sucumbem rápido
os dias setembrinos.

Mas ainda se pode
dormir entre pétalas
uma saudável sesta,
no mar primaveril.

Borboletas se perfumam
inocentes e incautas
no sol florido.

Ao longe, um ruído:
 - Outubro se aproxima.

Lá no alto, uma folha
balança
- bem acima-

dóceis dias.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 93

Paraíso

Permita-me voltar ao lugar
onde se escala pelo ar
sem ruídos, sem plateia,
sentindo o perfume das azaleias.

Sacadas enormes, suspensas, 
cheias de vazios brilhantes,
onde o tempo corre diferente
e as horas são meros instantes.

Ali se vive a felicidade.
Tudo branco, tudo igual.
Há troféus abundantes,
que ninguém quer levantar.

Não, não é o céu que se desenha,
nem o paraíso do desejo sonhado.
É um lugar de fantasias naturais,
hoje, atual - sem futuro, sem passado.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 68

Dobradiças

A porta está fechada
há muito tempo.
As dobradiças rangem,
longamente.

Chove não tão forte, 
mas os pés parecem afogados.

Um ventinho anuncia pausa.
Pingo isolado faz a poça tremer.

Lá dentro está seco.

O tempo deve ter agido,
mas criou mau cheiro no ambiente.

Marcas de total ausência.

O que foi sonho, 
foi-se.

Foice.

As marcas estão em tudo.

Era lindo!

Findou-se
e a criação não encanta, 
não é mais arte.

Voltar ao trem é inevitável:
- balança, balança, balança
e segue seu caminho, seu fluxo.

As estações se sucedem.
Sigamos.
A vida assim pede.

Ainda chove,
não há enganos.
Tudo está vivo,
só não se expressa.

Tempo
impiedoso, indigesto, implacável.
Nada desfaz, apenas afasta,
lacra e esconde a chave.

O olhar em pântanos 
não brilha cintilante.

Nada voltará a ser como antes.

Cegará em instantes.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 113

Atemática

A imaginação atemática:
Razão em equações enigmáticas,
versos perdem a rima,
grafias fonêmicas anímicas
sem acentuar nada da alma.
Sensibilidade dorme esquecida
Sem sonhos
Sem poesia
Sem vida
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Extremos

Sinto meu egoísmo
Minha voz me diz tanto
com tamanha segurança

Sou eu comigo
... Sigo

Me canso
Me abandono
Fico distante
Perco o sono
Sou eu assim:
às vezes comigo,
outras sem mim.
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Fluxo

Não há culpa
O tempo erra
e a vida segue

O que choramos 
não é a morte,
talvez a dor

Jeito de não ser;
Águas
sem rio,
Humanos sem brios.
👁️ 67

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