Lista de Poemas
Cadeira vazia
Na primeira fila tem uma cadeira vazia.
Sempre que alguém sai fica uma lacuna.
Não foi uma simples saída sem valia.
É uma ausência sentida e não oportuna.
Viver eu sei, não é show eterno.
Por vezes a peça termina antes da hora.
Sem palmas tudo fica ermo.
Apago a luz e no escuro vou-me embora.
Sempre que alguém sai fica uma lacuna.
Não foi uma simples saída sem valia.
É uma ausência sentida e não oportuna.
Viver eu sei, não é show eterno.
Por vezes a peça termina antes da hora.
Sem palmas tudo fica ermo.
Apago a luz e no escuro vou-me embora.
👁️ 380
Pandorgas de Deus
Furou-se a bola do destino.
Calaram-se Luigi e Mário.
Aterrissou-se a pandorga em desatino.
Ficaram no quarto os monstros temerários.
O vidro ficou inteiro,
A porta não mais se abriu,
Dias tristes e sem travessuras
Depois que o menino partiu.
A grama dominou os caminhos.
Enferrujou a gaiola,
O vento soprou sozinho,
Sobrou uma mesa na escola.
O sabão não fez mais bolhas,
A tristeza fez a vida em pedaços.
Do coração caíram todas as folhas.
Faltam na alma os infantis beijos e abraços.
Calaram-se Luigi e Mário.
Aterrissou-se a pandorga em desatino.
Ficaram no quarto os monstros temerários.
O vidro ficou inteiro,
A porta não mais se abriu,
Dias tristes e sem travessuras
Depois que o menino partiu.
A grama dominou os caminhos.
Enferrujou a gaiola,
O vento soprou sozinho,
Sobrou uma mesa na escola.
O sabão não fez mais bolhas,
A tristeza fez a vida em pedaços.
Do coração caíram todas as folhas.
Faltam na alma os infantis beijos e abraços.
👁️ 269
Silêncio insano
Eu conheço o barulho da porta que fecha.
Já senti o suor das mãos frias.
Conheço a dor na cravada da flecha.
Pisei as pedras da estrada vazia.
Eu conheço o grito que ninguém ouve.
O silêncio que nos faz insano.
Já via lagarta na folha da couve
Vi a tesoura cortando no pano.
Eu conheço a tristeza da estação depois que o trem passa.
A incerteza se a dor irá parar.
Já vi choro no embarque, ouvi as promessas.
Coração que se divide pra depois suspirar.
Já senti o suor das mãos frias.
Conheço a dor na cravada da flecha.
Pisei as pedras da estrada vazia.
Eu conheço o grito que ninguém ouve.
O silêncio que nos faz insano.
Já via lagarta na folha da couve
Vi a tesoura cortando no pano.
Eu conheço a tristeza da estação depois que o trem passa.
A incerteza se a dor irá parar.
Já vi choro no embarque, ouvi as promessas.
Coração que se divide pra depois suspirar.
👁️ 380
Pensamento soprado II
Como quem sopra um balão
Soprei meu pensamento ao vento.
Fiquei vibrante aqui no chão
Ao subir deu-me um alento.
Vai pensamento
Corta os ares da cidade
Siga firme em silêncio
Vá, como eu, sem maldade.
Vá dizer aos sofredores
De todos os cantos do mundo,
Que ainda existem amores
Buscando-te a cada segundo.
Vá levar a esperança,
Onde impera a tristeza
Leve alívio às crianças
Torne farta sua mesa.
Leve uma mensagem de fé
Aos descrentes e abandonados.
Lembre que na baixa da maré
Também podem ser abençoados.
Leve cura aos enfermos,
Conforto a todos os seus.
Lembre a eles que nenhum termo
Supera a vontade expressa de Deus.
Leve água aos nordestes do mundo
Pra colheita incrementar
Umidade bem no fundo
Pra vertentes brotar.
Como última missão, te peço,
Leve motivo a todos os povos
Pra superar os tropeços
E acreditar em tudo de novo.
Soprei meu pensamento ao vento.
Fiquei vibrante aqui no chão
Ao subir deu-me um alento.
Vai pensamento
Corta os ares da cidade
Siga firme em silêncio
Vá, como eu, sem maldade.
Vá dizer aos sofredores
De todos os cantos do mundo,
Que ainda existem amores
Buscando-te a cada segundo.
Vá levar a esperança,
Onde impera a tristeza
Leve alívio às crianças
Torne farta sua mesa.
Leve uma mensagem de fé
Aos descrentes e abandonados.
Lembre que na baixa da maré
Também podem ser abençoados.
Leve cura aos enfermos,
Conforto a todos os seus.
Lembre a eles que nenhum termo
Supera a vontade expressa de Deus.
Leve água aos nordestes do mundo
Pra colheita incrementar
Umidade bem no fundo
Pra vertentes brotar.
Como última missão, te peço,
Leve motivo a todos os povos
Pra superar os tropeços
E acreditar em tudo de novo.
👁️ 339
Sorri
Sorri à noite,
Mirando o céu
E uma estrela
Piscou-me.
Será você anjo?
Parece que te vi.
Quando Deus,
Você vai deixar de sumir?
Mirando o céu
E uma estrela
Piscou-me.
Será você anjo?
Parece que te vi.
Quando Deus,
Você vai deixar de sumir?
👁️ 400
Não pergunte
Não pergunte se estou feliz.
Faça-me.
Não pergunte se estou triste.
Alegre-me.
Não pergunte se esta doendo.
Cura-me.
Não pergunte se estou com saudade.
Mate-a.
Não pergunte se eu quero.
Beija-me.
Não pergunte se te amo.
Entregue-se.
Não pergunte se vou sofrer.
Fique.
Faça-me.
Não pergunte se estou triste.
Alegre-me.
Não pergunte se esta doendo.
Cura-me.
Não pergunte se estou com saudade.
Mate-a.
Não pergunte se eu quero.
Beija-me.
Não pergunte se te amo.
Entregue-se.
Não pergunte se vou sofrer.
Fique.
👁️ 341
Estrada de terra
Murilo Sá. (teu Ilo)
👁️ 383
O pequeno criador
Quando a fêmea ficou sozinha devido à morte do macho, passou a esconder-se na mata perto de um pequeno rio de águas mansas.
Todo final de tarde chegava ela.
Com gestos desconfiados comia seu trato e ia lentamente desaparecendo pelo costado da cerca.
O menino que lhe servia comida, muitas vezes a seguia. No entanto, nunca descobrirá onde era seu esconderijo. Tinha medo de adentrar a mata fechada e ser notado por algum animal selvagem, que segundo ouvia, seria perigoso.
De manhã ninguém via a ave. O menino despertava e corria. Percorria o caminho da casa até o rio na esperança de encontrar, ao menos alguns ovos, num ninho, que pensava ele, seria bem ornamentado com folhas e palhas.
Um dia a ave não apareceu para a alimentação habitual. O menino ficou preocupado. Acreditou que ela deveria ter ficado no mato devido ao cansaço que era subir a ladeira que levava à casa da família. Porém, no segundo dia ele pensou que estivesse acontecido algo de grave.
Mal amanheceu o dia se pôs a procurar. Jurou que não voltaria sem descobrir o que estava acontecendo.
Ouviu um barulho. Em seus olhos brilhou a esperança. Parou. Baixou a cabeça e viu por entre a mata pequenas aves. Aproximou-se. Sentiu-se muito feliz. Tentou apanhar uma, mas foi barrado pela mãe ave. Deixou todos ali e saiu em disparada. Entrando em casa abraçou a mãe. Entusiasmado pediu comida. A mãe disse que o café estava servido.
-Não, comida para os patinhos.
Já com o alimento para seus pequenos amiguinhos, sumiu na mata cantando e pulando.
Pura felicidade.
Quando chegou às margens do rio, mal pode ver aquela unida família que descia pelas águas lentas. Chorando largou a comida na água e abanou para os nadadores.
Todo final de tarde chegava ela.
Com gestos desconfiados comia seu trato e ia lentamente desaparecendo pelo costado da cerca.
O menino que lhe servia comida, muitas vezes a seguia. No entanto, nunca descobrirá onde era seu esconderijo. Tinha medo de adentrar a mata fechada e ser notado por algum animal selvagem, que segundo ouvia, seria perigoso.
De manhã ninguém via a ave. O menino despertava e corria. Percorria o caminho da casa até o rio na esperança de encontrar, ao menos alguns ovos, num ninho, que pensava ele, seria bem ornamentado com folhas e palhas.
Um dia a ave não apareceu para a alimentação habitual. O menino ficou preocupado. Acreditou que ela deveria ter ficado no mato devido ao cansaço que era subir a ladeira que levava à casa da família. Porém, no segundo dia ele pensou que estivesse acontecido algo de grave.
Mal amanheceu o dia se pôs a procurar. Jurou que não voltaria sem descobrir o que estava acontecendo.
Ouviu um barulho. Em seus olhos brilhou a esperança. Parou. Baixou a cabeça e viu por entre a mata pequenas aves. Aproximou-se. Sentiu-se muito feliz. Tentou apanhar uma, mas foi barrado pela mãe ave. Deixou todos ali e saiu em disparada. Entrando em casa abraçou a mãe. Entusiasmado pediu comida. A mãe disse que o café estava servido.
-Não, comida para os patinhos.
Já com o alimento para seus pequenos amiguinhos, sumiu na mata cantando e pulando.
Pura felicidade.
Quando chegou às margens do rio, mal pode ver aquela unida família que descia pelas águas lentas. Chorando largou a comida na água e abanou para os nadadores.
👁️ 361
Corações
Dos corações que eu tinha
Quase todos foram embora.
Restou-me apenas este
Que bate no peito agora.
O do amor partiu primeiro.
Depois foi o aventureiro.
O sonhador foi em terceiro.
Por último o bagunceiro.
O que ficou é técnico.
Não conhece emoções
Reto e muito ético.
Apenas cumpre suas obrigações.
Tenho saudades dos que foram.
Eles que me davam alegria.
Todos valiam ouro.
Sinto falta das folias.
Quase todos foram embora.
Restou-me apenas este
Que bate no peito agora.
O do amor partiu primeiro.
Depois foi o aventureiro.
O sonhador foi em terceiro.
Por último o bagunceiro.
O que ficou é técnico.
Não conhece emoções
Reto e muito ético.
Apenas cumpre suas obrigações.
Tenho saudades dos que foram.
Eles que me davam alegria.
Todos valiam ouro.
Sinto falta das folias.
👁️ 405
Gota
Uma
Gota
De azul
No amarelo
Esverdeou.
No vermelho
Roxeou.
De vermelho
No amarelo
Alaranjou.
Multicolorida
O arco íris
Pintou.
👁️ 344
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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
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