Lista de Poemas

Química

A química é que faz
o vaga-lume brilhar
e a noite destaca a luz
no horizonte de trevas.

Vaga o luzente 
inocente  em seu voo,
num lume poético,
luzindo no infinito.

Iluminado, o mundo 
é bem mais bonito.

Luz é poesia.  


(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 95

É assim

Pouco adianta a mim
conhecer teus anseios.

Afinal, o mundo é cheio de perigos
e ameaças.

Por isso, sonhe o possível.

Há presunção de culpa deliberada
contra a liberdade.
E somos só mais um,
diante do fuzil municiado.

Basta um disparo, 
nem tão raro,
nem tão caro.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 70

Maçãs

Maçãs coradas,
olhar infindo,
dizendo nada,
sorriso lindo!

Marcas do tempo
entre duas datas.
História composta,
hiatos do vento,
em sílabas separadas.

Do dito tudo
sobrou o nada!
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 63

Fragrância

O poema fez brotar
lindas flores,  
em essências especiais.

cada verso, uma fragrância.
Cada estrofe, um acorde
com notas olfativas
e concentradas.

Um poema  meigo
e perfumado
para ser sentido, 
para ser abrigado.

E, pela alma,
acalentado.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 71

Lua

A lua se deita
na minha cama feita
e some, antes que amanheça.

Procuro-a na pureza dos bosques,
em réstias de luzes 
e em folhas e selvas.

Avisto alguns bichos,
beirando as águas correntes,
em sonhos que a mata esconde.

Fixo o olhar sobre o rio
e a vejo ao fundo
toda nua,
toda lua.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 79

Pranto oculto

Por suas estrelas,
a noite é linda,
e a escuridão que
não se vê
é pranto oculto,
latejante,
vulto
que dói profundo.

Escala o mundo
… em vão.

É a estrela mais distante,
entalada na memória
e no semblante.

É como verso acabado
de amor sem amantes.

E a que brilha
é como a velha música
em notas da trilha,
algo grande que antes havia
e não há mais.

Por todas elas 
a noite…
 
Às vezes escura,
às vezes bela.

É como a vida:
 - Eterna espera.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 55

Novos amanhãs

Nas ruas, a população
move-se mascarada,
atônita.

Uma pontinha de vida
chora ...

Lágrimas mundiais
unem nações.

Espalha-se a fome
e a dor tudo fecha.

Mas há o sol,
acompanhando o mar
e projetando novos amanhãs...

Há raios de fé
e ondas de esperança,
dizendo que ainda
devemos sonhar.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 77

Epílogo

A noite despertará monstros adormecidos.
O implacável ruído das carpideiras velará sonhos,
acordará morcegos para o banquete de sangue.
O escuro azul do véu que cobrirá a alma
esconderá as marcas do sofrimento.

O dia ameaçará adentrar as janelas,
cálido em amarelos claros,
com a força que desbota as aquarelas,
fazendo sombras e, refletindo nelas,
o tormento do sino sem badalos.

Abrir-se-ão moradas sepulcrais
em meio a furdunço desautorizado e silvestre,
da forma que fizeram os plantonistas de janela,
na vigência ilibada de vida tida como discreta:
- Licença concedida pelos céus ao dito salafrário.

Não. Sem bajulações de arautos,
nem piedade de falastrões.

Bastará que conste nos autos
que, pela vida, abominou as falações.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 99

Verdade

Somos tão grandes quanto a verdade,
na mesma proporção, 
em que somos tão pequenos.

A verdade é a chata da razão.

Viver é emoção.

sonhos é que fazem acontecer.

O resto é brutalidade.

O emotivo vive, sente e sonha.
O racional calcula o que não vive.

Velhos conflitos humanos:
- Eu sonho
e a verdade sonha comigo.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 102

Paz e poesia

Não dá para ver a poesia como estática,
pacífica e calada.
Ela tem que derramar, tem que escorrer,
tem que ter versos que se entortem
para passar entre pedras, em fendas minúsculas.

Tem que ter a rebeldia objetiva de quem luta,
de quem protesta e sai à rua.

Poesia tem que ser expelida pela pele, em gotas suadas de inspiração,
tem que causar reações calorosas na mente.

Tem que limpar o corpo e a alma
e ,ainda assim, ser combativa.
Tem que nascer tomada de insatisfação.

Não será pacificadora se vier em paz.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 100

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