Escritas

Lista de Poemas

Às vezes

Às vezes,
nada digo.

Aposso-me de alguma solidão
para acompanhar a minha.

Perco-me 
em labirintos.

Sinto.

Gosto de absinto.

E espalho versos,
pintados de ilusão.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 86

Tardezinha

Entardeceu,
o relógio soou.

A matriz emite o som 
e contempla a praça.

-  Para que servem as horas?

Gosto de ser feliz,
tanto, que sou!

Mas o tempo...

Se não passasse
haveria adeuses?

O presente, 
eu sei,
é todo meu.

O tempo…
só pode ser Deus.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 93

Bis

O sonho bom,
antigo e jovem,
antes planejado...

Despejado nos lábios:
- Desejo.

Sorrir
– não o riso que se apaga,
mas o longínquo,
contundente
como fruto e semente.

Feliz o que vai
e
volta,
pedindo bis. 
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 78

Ímpeto

Desejo abraços apertados,
sorrisos sinceros e francos,
corações em paz, confortados,
e amizades sólidas, sem solavancos.

Que a corrida não seja só pela vitória,
nem somente para constar na história.
Que coisas ruins saiam da memória,
porque todos merecem um mínimo de glória.

Que a fé não precise remover montanhas;
que medalhas não sejam só para quem ganha.
Que todos tenham o poder da barganha
e que realizemos grandes façanhas.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 103

A vida passou

A  infância passou.
Ficaram, no tempo, as vivências 
de palavras suaves,
que preenchiam carências.

Há a dor latente 
(morte natural),
último toque dos ‘eus’.

O tempo que traz
também leva.
 
A despedida não foge.

Numa estação qualquer,
alguém parte.

É o inevitável
adeus.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 84

Lembranças

Lembranças tantas...!

Qual é a melhor, eu nem sei...

Algumas, certamente vivi.
Outras, creio, sonhei.

O tempo andou distraído
e me alegro ao me lembrar
- nesta ausência de memória -
de tudo o que foi vivido.

A melhor delas
nem revelo.

Não por esquecimento,
mas pelo prazer
de a guardar...
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 56

Imagens fugazes

Primeiro, a boca,
a fala, o encanto...

Depois, o beijo.

E depois,
bem depois:

 - Os olhos:
espelhos frios,
fixos e sombrios.

Imagens fugazes,
detalhes sutis,
um olhar...
feliz.

Como
réstia de sol
e cheiro de flor.

Longe e visível,
léguas de um girassol
e o sol a acariciá-lo,
 - suavemente!

Na memória, 
voltam versos,
que o vento levou.

Era intenso o brilho,
mas a vida apagou.

Da boca do beijo
veio o silêncio
que...

Para sempre se calou.
(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 98

A rua

A rua ainda me acolhe
em algumas caminhadas.

Tantas vezes, esperançoso, a percorri!

(Espiando em portas nas quais não bati).

Rua da minha mocidade,
das folgadas tardes de domingo,
do cinema lotado
e do bar-café ao lado.

Há tantas outras vielas antigas,
Jovens, revitalizadas,
mas só tu, rua minha,
estás em mim eternizada!

Por ti é que aqui volto 
e professo minha fé na Catedral.

Teu nome não digo,
este segredo levo comigo,
nesses passos na área central.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 64

Lembrei-me de Pietá

Trago mãos vazias
e posso até mostrá-las.
Nos meus braços,
nada há.

A dor de Maria
me faz sentir
que sou total desalinho,
tropeçando nas pedras 
do caminho.

Não há pontes unindo
meu sul ao meu norte.

E o vento melancólico
sopra, excessivamente forte.

- A alma balança.

Onde estará o ponto sagrado
da harmonia humana
para o mundo ser ancorado?

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 98

Fragrância

O poema fez brotar
lindas flores,  
em essências especiais.

cada verso, uma fragrância.
Cada estrofe, um acorde
com notas olfativas
e concentradas.

Um poema  meigo
e perfumado
para ser sentido, 
para ser abrigado.

E, pela alma,
acalentado.

(Do livro Abstratos poéticos)
👁️ 62

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment

NoComments