Lista de Poemas
De onde a música?
Havia sorriso e luz
nas tardes brancas de outono
em que os meninos soltos
olvidando quaisquer conselhos
burlavam a vigilância das horas.
O mundo não era ainda
esse labirinto de espantos
e acrobatas por instinto
saltávamos o muro do encanto.
Hoje há essa encruzilhada
cravada no peito da noite
de onde virá a música
soando feito pranto?
👁️ 25 915
Borboletas no aquário III
Uma chuva fina e persistente
Visitava os alicerces do passado
Quando fez o que, há tempos, cogitava:
- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo
- Guardou os álbuns de todas as renúncias
Na gaveta do armário
- Fez par com a vida, num beijo inusitado
- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.
Borboletas no aquário
Lançamento: dia 07 de setembro
9ª Feira do Livro de Sertãozinho/SP
Visitava os alicerces do passado
Quando fez o que, há tempos, cogitava:
- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo
- Guardou os álbuns de todas as renúncias
Na gaveta do armário
- Fez par com a vida, num beijo inusitado
- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.
Borboletas no aquário
Lançamento: dia 07 de setembro
9ª Feira do Livro de Sertãozinho/SP
👁️ 1 153
Outono
Antes que o frio
Do vindouro inverno
Enrijeça os meus
Sentimentos
Desfolharei todos os
Temores
Que Insistem em fincar
Raízes adversas.
E em cada pedaço
De silêncio
Que o vento levar
Repousará um verso
Que servirá de elo
Entre os amigos ausentes.
E o inverno será
Aconchegante
Pois com os frutos
Produzidos no outono
Alimentarei a minha alma
Errante.
👁️ 1 196
Objetos esquecidos
De todas as minhas mortes
Uma trouxe desalento
Não foi morte anunciada
Chegou às asas do vento.
Como quem tira o domingo
Pra visitar distante ente
Não trouxe qualquer bagagem
Esqueceu vários pertences:
- Uma inesperada lágrima
- Um fugitivo silêncio
- E um relógio adormecido
Sob a saudade e o tempo.
São tantas as minhas mortes
Mas nunca morri por dentro.
👁️ 1 086
O grito I
Ao gritares
aprecia o eco
faz bem ouvir
a própria alma.
aprecia o eco
faz bem ouvir
a própria alma.
👁️ 1 058
Portos, olhares e ausências
Acalento olhares
como o solitário porto
ávido por embarcações
à deriva.
Dissimulo cantigas
num parto natural
que seduz e dá à luz
inexplicável melodia.
E portuário calejado
habito todas as ausências
que insistem em preencher
chegadas e despedidas.
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
como o solitário porto
ávido por embarcações
à deriva.
Dissimulo cantigas
num parto natural
que seduz e dá à luz
inexplicável melodia.
E portuário calejado
habito todas as ausências
que insistem em preencher
chegadas e despedidas.
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
👁️ 1 622
Vila Boa de Goiás
I
Quem toma pra si
as dores
que porventura são minhas:
- o rumor das ausências
que os telhados do tempo
visita?
Quem sobrevoa o cerrado
no estimulante voo guarida:
- o quero-quero solidário
que ao sinal de perigo avisa?
Quem resiste à aridez
no semblante do tépido dia:
- caviúnas e lobeiras
com seus braços retorcidos
simulando acrobacias?
Quem ilumina uma fatia
desse mundo submerso:
- a luz da poetisa
rompendo o prisma adverso?
Ah, Cora Coralina
como admitir tua partida
se em todos os recantos
do poema
te apresentas tão bela
quão viva?
II
As águas do Rio Vermelho
na antiga Vila Boa de Goiás
teus primeiros passos ainda vigiam
e as peregrinações em solo paulista
repletas estão
de poemas e simplicidade.
Tardiamente reconhecida
burlaste tempo e espaço
e, hoje, repousas tranqüila
na imortalidade.
Quem toma pra si
as dores
que porventura são minhas:
- o rumor das ausências
que os telhados do tempo
visita?
Quem sobrevoa o cerrado
no estimulante voo guarida:
- o quero-quero solidário
que ao sinal de perigo avisa?
Quem resiste à aridez
no semblante do tépido dia:
- caviúnas e lobeiras
com seus braços retorcidos
simulando acrobacias?
Quem ilumina uma fatia
desse mundo submerso:
- a luz da poetisa
rompendo o prisma adverso?
Ah, Cora Coralina
como admitir tua partida
se em todos os recantos
do poema
te apresentas tão bela
quão viva?
II
As águas do Rio Vermelho
na antiga Vila Boa de Goiás
teus primeiros passos ainda vigiam
e as peregrinações em solo paulista
repletas estão
de poemas e simplicidade.
Tardiamente reconhecida
burlaste tempo e espaço
e, hoje, repousas tranqüila
na imortalidade.
👁️ 1 203
Desertos
Devorei a manhã
Com a sede dos desertos
E,afoito. descurei sabores
E poemas que do teto vazavam...
Só mais tarde
Alijado da minha
Pretensão de pássaro
Em voos cúmplices descobri
A diversidade de oásis
Que os teus sentimentos guardavam.
👁️ 1 040
Ritmo
Seta enviesada
contornando velas e barcos
o sol anestesia teiús
e trespassa do tempo as couraças.
Embalando a sesta diária
de preguiçosos e rotundos bagres
o canto intuitivo das cigarras
ocultas nas barras da tarde.
E se a queda absurda das águas
transmuta rumor em presságio
a noite silencia e devolve
à vida o seu ritmo estável.
contornando velas e barcos
o sol anestesia teiús
e trespassa do tempo as couraças.
Embalando a sesta diária
de preguiçosos e rotundos bagres
o canto intuitivo das cigarras
ocultas nas barras da tarde.
E se a queda absurda das águas
transmuta rumor em presságio
a noite silencia e devolve
à vida o seu ritmo estável.
👁️ 1 367
A embriaguez da rosa
O perfume
embriaga a rosa
que campeia atônita
pelos vales da poesia.
Lado a lado
a rosa com seu perfume
a poesia com seus desejos
imaturos
exalando enigmas.
A poesia completa a
rosa
ou a rosa desmistifica a
poesia?
Pétalas se entrelaçam
se entregam
mutuamente se abrigam.
O que embriaga a rosa
é o aroma da poesia.
👁️ 1 356
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Andréa
2022-04-11
Boa noite! <br />Sou professora na escola PEI EE Dr. Antonio Furlan Junior. <br />Estou lendo leitura de fruição do seu livro: Fragmentos de Poesia em Campos de Girassóis. <br />Meu contato 16 988155376
Mário Massari: nasceu em 21 de novembro de 1962 na cidade de Matão, mas é radicado em Sertãozinho, ambas as cidades localizadas no interior do estado de Saõ Paulo - Brasil.
Quando ainda aluno do curso de Graduação em Agronomia - UNESP, iniciou a publicação de seus poemas.
Livros: Cais - poemas (1987) , Não acordem os pássaros - contos (1994) , Achados e guardados - poemas (2002), Beirais - poemas (2007), Arabescos - poemas (2008) , Portos, olhares e ausências... - poemas (2009), Espelhos do tempo - poemas (2010), Borboletas no aquário - poemas (2011) e Antecedentes Postais - diários de naufrágios - poemas - 2012. Participou, ainda, de diversas Antologias/Coletâneas.
É membro da Academia Sertanezina de Letras - ASEL.
site: www.mariomassari.no.comunidades.net
http://twitter.com/mariomassari
Quando ainda aluno do curso de Graduação em Agronomia - UNESP, iniciou a publicação de seus poemas.
Livros: Cais - poemas (1987) , Não acordem os pássaros - contos (1994) , Achados e guardados - poemas (2002), Beirais - poemas (2007), Arabescos - poemas (2008) , Portos, olhares e ausências... - poemas (2009), Espelhos do tempo - poemas (2010), Borboletas no aquário - poemas (2011) e Antecedentes Postais - diários de naufrágios - poemas - 2012. Participou, ainda, de diversas Antologias/Coletâneas.
É membro da Academia Sertanezina de Letras - ASEL.
site: www.mariomassari.no.comunidades.net
http://twitter.com/mariomassari
Português
English
Español