Escritas

Lista de Poemas

Vazio

O vazio

O corpo esmorece,
Em lençóis de seda e tons florais.
A alma carece,
De sustento em forma de desejo.
Mas o vazio permanece
Preenchido pelo silêncio, tormento.
Onde estão as mãos?
O tambor da sedução?
Esvaem-se no sonhar, saudade.
Na janela entreaberta, espreitas,
Lua, amante em noites nuas,
Mas nada mais és do que suspiros!
O corpo desmaia,
O cansaço preenche o vazio
A alma perfumada num sonho
Viaja pra além do além,
Procurando saciar o desejo,
Mas o corpo não trespassa o além
O corpo adormece, esquecido
Em lençóis de seda e tons florais.

Maria dos Santos ALves, 12 de Junho de 2013
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O meu amor é uma Primavera constante…


O meu amor é uma Primavera constante, a cada manhã floresce uma flor. Admiro-as, uma a uma, em cada um dos dias que brotam na minha saudade. Sinto a presença de um perfume que me é familiar, inspiro-o no meu íntimo, procurando decifrar as suas lembranças, aquelas que fazem da minha memória um sorriso singular, refrescando-me a alma. As orquídeas que agora florescem no meu pequeno jardim mesuram as promessas de amor eterno com que as regaste. Nas suas pétalas ainda se conseguem ver os teus beijos melados tão selvagens e misteriosos como o despertar desta flor para a Primavera.
Quando partiste elas murcharam afundadas no seu choro constante... Hoje, olho-as com esperança, acordaram de uma nostalgia profunda adivinhando, talvez, o teu regresso. Resistem no seu sonhar aguardando as tuas novas juras de amor e beijos eternos...

In e-book "Poesia ao Luar I" - Desconcertos da Alma, Maria dos Santos Alves, 2013
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Paixão



Paixão...amiga

Paixão...inimiga

Paixão é um enigma!

...

Paixão...é

Sentimento incontrolável

Sendo em fim tão vulnerável.

Um sopro do momento,

Um beijo em encantamento.

Paixão...

São corpos nus sem preconceito,

Tambores em delírio no peito.

Uma dança em busca de prazer,

Desejo açucarado do nosso ser.

Paixão...é

Intemporal para o momento,

Eterna para o pensamento.

Criadora de quem vive com ardor

A lívida canção do coração em dor.

Paixão...

Fraca permanece no simples desejo

Fortalecida perante o real ensejo.

Feliz daquele que a torna assim...

Imortal.



Paixão...amiga

Paixão...inimiga

Paixão é um enigma!



Maria Rosa Alves, Fevereiro, 2012



http://www.facebook.com/#!/Maria.Santos.Alves







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Canto do Lobos

Canto dos lobos que protegem a noite
Uivem no cimo do monte sagrado
Evoquem a fada celeste do universo
Elevem o divino da sua luz solene.
Surge agora, bela e exuberante,
Invadindo os espíritos delicados,
Usurpando os seus desejos mais íntimos
Procurando o amor que lhe é renegado.
Vampira dos sonhos mais castos,
Feiticeira de corações inocentes,
Lança encantamentos efémeros
Em busca de paixões passageiras.
Ergue-se em mitos e é desejada,
Puro feitiço quando crescente.
Amante misteriosa em lua cheia
Incerta modéstia em minguante.
Saciada em desejos mortais
Será por fim uma lua nova,
Renascendo de novos amores,
Sugando de castos corações,
Desejos, ambições e paixões.
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Sou Terra, Água, Fogo e Ar



















Sou naturalmente,



Um ser inconstante,



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.



Sou volúvel ao sentimento,



Viajante invisível de



Pensamentos intocáveis.



Viajo sob o vento incansável,



Ansiando ao porto chegar.



Recanto, onde largo desejos,



Ambições, sonhos e encantos,



Para uma nova lua conquistar.



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.



Sou uma gota do universo,



Escorrego no orvalho e, vou



Salgando, num pranto, o oceano.



Fecho os olhos e navego,



No azul mistério, cor deste mar.



Recosto-me no sentir,



Na esperança, verde, verdejante,



Que me desperta a cada amanhecer.



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.



Verto vontades abrasáveis,



Energia reflectida no alvorecer



Fogo, paixão ao entardecer.



Sou naturalmente,



Um ser inconstante,



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.







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Pensamento I

Hoje, sinto a necessidade de homenagear o pensamento. Que seria do ser humano sem esta característica tão particular como a capacidade de pensar?
...
Que seria de mim sem o pensamento?
Como daria forma ao meu mundo?
Perderia todo e qualquer encantamento.
Afundaria num buraco sem fundo.

Viveria numa tela pintada de branco,
Imóvel...sem vontade...sem desejos
Seria uma só nota num canto.

Que seria de mim sem o pensamento?
Seria uma pedra, sem cor ou feitio,
viveria num sono profundo, que tormento,
seria um mero coração solitário e sombrio.

Que seria de mim sem o pensamento?

de Maria Rosa Santos Alves, 9 de Novembro de 2011
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Breve Pausa



Fixo o olhar sobre o mar
Paraliso.
Não há pensar, nem vibrar,
Apenas paisagem.
Barcos que parecem navegar,
Uma imagem.
Uma tela pintada, nada mais...
Será miragem?
Não me cheira a maresia,
Não sinto o bater das ondas na areia,
Mas o coração bate e anseia
Nesta tela navegar.

Por Maria Rosa Santos Alves
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Pianista


Sentimento martelado entre o preto e o branco
Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam
Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco
Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.

Cordas que vibram tornando-se belas melodias
Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes
Ao comando de compassos e de grande euforia
E assim surge aquela magnitude da sinfonia.

Ao de leve martela a corda que vibra livremente
Assim como os pensamentos de quem ouve e sente
Sons, sentires que impregnam o ar que se respira
De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.

Piano bem afinado pelo harmónico coração
Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia
É pianista que comanda com grande paixão.
Alma e corpo florescendo em sintonia.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Mil Murmúrios de Vidas passadas

Tertúlia de pensamentos vagueia na noite
Embriagam-me o escuro de recordações
Seres de outrora que em mim são açoite
E excitam um flagelo de evocações.
Foram vidas de ontem, sepultadas
Hoje, inconformadas, almas penadas
Devaneiam nas mentes dos poetas
Profetas de existências imperfeitas
Segredam ao ouvido de quem escuta
Mil murmúrios de vidas passadas
Silêncios outrora escondidos na gruta
Defendidos por guerreiros e espadas.
Amores e Desamores controversos
Actos meramente incompreendidos
Desabafos que em silêncio definharam
E em culpa, na escuridão findaram.
Almas penadas que brindam no escuro
Despejam pejos em cálices espirituais
Erguendo-os ao vate de coração puro
Ansiando pela remissão dos ancestrais.

Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
de Maria Rosa dos Santos Alves
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Solidão ao Luar


Invado a noite fria e quieta de andar estreito,
Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão
Onde os sons evasivos são sombras do peito
Quebrados por um poema desta dimensão.

Desafio o olhar triste que a lua me oferece
Declamando-lhe um verso de amor perdido.
Seu rosto encandeia-se à medida que cresce
O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.

E no silêncio nostálgico da escuridão,
de ar melancólico responde baixinho:
- Estou só, nunca soube o que é amar,
Vivo aprisionada nestas noites vadias.
Ouço os teus e mil outros desabafos,
Ilumino a alma que me aclama e enlaça
Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.

de Maria Rosa dos Santos Alves
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