Lista de Poemas

FACE DE UM SONHO...

Talvez eu seja a parte insignificante de um sonho,
uma vaga lembrança de alguém que me amou,
uma frase esquecida de um poema perdido em qualquer pergaminho,
uma vida que ficou no caminho...
Talvez eu seja uma passagem sem portas abertas,
uma janela sem horizonte, felicidade sem ponte,
um triste adeus.
Quem sabe um lamento, o sol, o vento
que sopra a brisa serena na noite,
que encerra o dia deixando-o no passado.
Talvez eu seja o único, o sádico, o sarcástico,
o pródigo, o médico, ou o clérigo.
Talvez eu seja o outro, o culto, o sábio, o gênio,
talvez eu seja ar, talvez eu seja augusto,
talvez eu seja inferno...
Talvez eu seja encanto, um canto, uma fábula,
ou quem sabe o espanto da face da gárgula,
talvez eu seja eu, ou um sonho vazio.

Marco A. Alvarenga
                                             
                                                          
👁️ 172

HORAS MORTAS...

—Parem, por favor, os relógios!
Quero o tempo inerte em meus sonhos,
quero o sol de verão em meu inverno,
quero o inferno, dos teus abraços...
— Parem as horas pálidas de frio!
Quero o calor da vida a correr nas veias,
quero paralisar a noite na lua cheia,
ouvir as águas mansas percorrendo rios...
— Parem, por favor, os relógios!
Quero dormir no inverno sombrio,
agasalhar-me em teu corpo macio,
adormecer na inércia do tempo...

Marco A. Alvarenga
 
                                                         
👁️ 151

VOU SER POETA...

Vou ali buscar uma rosa no jardim,
Ou quem sabe roubar algumas flores,
Para adornar minhas poesias em cores,
Fazer brilhar um novo arco-íris...

Vou ali pintar palavras, inventar rimas,
Fazer sorrir aquele que se faz triste,
Colorir a vida com obras primas,
Secar a lágrima que ainda insiste...

Vou ali, rabiscando paredes e muros,
Versejando poemas, decorando futuros,
Fazer o sol brilhar na tempestade...

Vou ali na companhia de Neruda,
Atrás da orelha um galho de arruda,
Vou ser poeta por toda eternidade...

Marco A. Alvarenga

                                           
👁️ 156

OS ASTROS NÃO TEM CULPA...

Sou o único culpado de tudo.
Alguém precisa se responsabilizar,
pelos danos, pelas perdas, pelos males,
pelas brigas e desentendimentos.
Alguém precisa assumir a culpa,
para que os verdadeiros culpados
se beneficiem, enquanto eu sou
poupado das verdades...
E o que é a verdade, quando tantos
não a enxergam, ou fingem não a
conhecer?
Sou o culpado da vida mal vivida,
das noites mal dormidas, da falta
de apetite, sou culpado da artrite,
da renite, da bronquite...
Sou o único culpado do mal tempo,
do vento que traz de volta as folhas
varridas, as folhas mortas, que morreram
na última tempestade...
Sou culpado das feridas e cicatrizes,
que ficaram como lembranças,
sou culpado do peso na balança,
da falta de esperança, dos dias perdidos.
Sou culpado do ontem que se apressou,
do hoje que não espera, do amanhã
atrasado...
Sou culpado do apreço, o qual me leva
a aceitar o próximo sem distinção,
sou culpado desse mundo cão, desse
eterno não, que a vida me dá de presente.
Sou o único culpado das vontades alheias,
da aranha em sua teia, culpado das mazelas do mundo, do bêbado, do vagabundo.
Sou culpado de mim mesmo, de não ter,
de não ser, e não poder...
Sou culpado da dor, da flor que ressecou,
do sol escaldante, do choro constante da
criança, da ira na vingança, sou culpado
de tudo, de não ser mudo e retrucar, de não ser cego e enxergar, de andar para trás.
Sou culpado de qualquer coisa...
De ver, ouvir, e gritar.

Marco A. Alvarenga
                                                           
👁️ 133

FACES EXPOSTAS...

Existem vontades que incomodam,
desejos que alucinam, sonhos eternos...
Há luzes que se apagam,
brilhos opacos, velas mortas...
Outros momentos inventados,
de poucos abraços, de faces expostas...
Há um sorriso apagado,
escondido no escuro... Ou atrás da porta.

Marco A. Alvarenga

                                                           
👁️ 136

RESQUÍCIOS...

Qualquer pedaço de beijo me basta,
para manter acesas as minhas esperanças,
qualquer sequela de um sorriso me faz brilhar o olhar,
qualquer sopro de voz me acalanta,
qualquer aperto de abraço me domina,
qualquer resquício de amor me mata...!

Marco A. Alvarenga

                                                       
👁️ 156

À POESIA...

Te escrevo, como descrevendo a vida,
às vezes amarga, ás vezes doce, mas sempre intensa...
Te escrevo com ânsia, como se fora o ar que respiro,
como a água que necessito...
Te escrevo, como se eu tocasse a flor, com a carícia
de um poeta e a suavidade da brisa...
Te escrevo, com a ira de um vulcão em erupção,
na intensidade do ódio, na fúria insana...
Te escrevo, no transcorrer do tempo, quando nasce
o dia e morre a noite...
Te escrevo à minha maneira, com a essência
da alma e o corpo inteiro...

Marco A. Alvarenga


                                         
👁️ 145

AMIGO BEIJA-FLOR...

Falo ao beija-flor sobre os pecados das rosas,
Ao enfeitar de cores meus versos e prosas,
Encantando meu jardim com raras variedades...

Falo ao beija-flor sobre o néctar das flores,
Ao me fartar de aromas e dos teus odores,
Que mostram a essência das puras verdades...

Falo ao beija-flor do encanto das borboletas,
Torturadas em livros, quadros e gavetas,
Da metamorfose que lhe deu a liberdade...

Falo ao beija-flor sobre a mulher que me ama,
Da alegria do desejo no inflamar da cama,
Da procura constante pela felicidade...

Falo ao beija-flor do encontro perfeito,
Da tua loucura quando me pega de jeito,
Deixando em meu peito a dor da saudade...

Marco A. Alvarenga
                                                                   
👁️ 159

THE TIME...

"O Tempo ensinando a vida...
E a vida nos envelhecendo,
e nos abraçando, dia após dia,
a cada momento, a cada carinho, a cada olhar...
O Tempo, que nos empurra,
para o fim de tudo, ou princípio do nada,
para a incerteza que nos reduz.
Mas o Tempo, sempre será breve e absoluto,
e não se atrasa para dizer adeus...
Façamos dele o começo de tudo,
na dança das horas,
na busca da certeza da vida,
sem que precise voltar para casa,
para buscar conforto, abraçar o silêncio
e esperar pelo Tempo...".

Marco A. Alvarenga

                                                  


👁️ 261

MORRER TODO DIA...

É no silêncio da dor,
na agonia e pavor,
que o sentimento de amor
traduz-se em poesias...
No desespero do peito,
a ansiedade e o defeito,
vai massacrando com jeito,
cada porção de alegria...
É na esperança e afã,
que a luz de cada manhã,
meu totem meu talismã,
é anoitecer e harmonia...
E no sigilo do medo,
pra desvendar meu segredo,
procuro teu arvoredo,
para morrer todo dia...

Marco A. Alvarenga

                                                      
👁️ 133

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments