Lista de Poemas
GRÃO DE FEIJÃO [Manoel Serrão

A minha teimosia contra a solidão, é um grão de feijão.
COISA DE AMIGO [Manoel Serrão]

Lá onde
Aprendir a ser homem?
Cão é coisa de amigo!..
A ORIGEM DE TUDO [Manoel Serrão]

O nascimento do universo?
Só agora a ciência está perto de descobrir a origem de tudo: o Deus Supremo Criador do Universo.
UM BLUES NA LEMBRANÇA [in memoria do poeta Erikson Luna [Manoel Serrão]
Cãs de cal [I]
(Poema in memoriam ao amigo e irmão de poesia Erikson Luna).
Se um dia imortal
tardares toda presença na tua ausência que fala!
Inda, assim,
Restaram eterno um soul, um jazz.
Um verso... Um poema...
Um quê de ti no ar... E um blues na lembrança!
Cãs de cal [II]
CLAROS DESÍGNIOS [Erickson Luna]
Os vícios tragam-me depressa
à parte a rebeldia que me torna em jovem
Claros são os meus desígnios
é-me incontida a busca dos momentos
ao passo que me são estranhas
as vocações que emergem desses tempos
Diuturnos rituais à impotência
as existências curvam-se às idades
e se acrescenta à ancestral obediência
a iminência de também ser ancestral
A tal sorte a mim me cabe lamentar o
pouco-a-pouco a morte tarda dos longevos
sorrir da vida e a que ela se presta
tão mais intenso quanto perto o fim
Os vícios tragam-me depressa
à parte a rebeldia que me torna em jovem.
Cãs de cal [III]
CANTO DE AMOR E LAMA I [Erickson Luna]
Choveu
e há lama em Santo Amaro
nas ruas
nas casas
vós contornais
eu não
a mim a lama não suja
em mim há lama não suja
eu sou a lama das chuvas
que caem em Santo Amaro
Vosso Scotch
pode me sujar por dentro
cachaça não
vosso perfume
pode me sujar por fora
suor nunca
porque sou suor
a cachaça e a lama
das chuvas que caem
em Santo Amaro das Salinas
Cãs de cal [IV]
ECCE HOMO [Erickson Luna]
Saiam da minha frente
matem-se
morram-se
deixem livre
o meu campo de visão
Entristece-me conceber
a semelhança que nos une na semente
quem é que pode
ser feliz se vendo gente
Cãs de cal [V]
UMA PRESENÇA [Erickson Luna]
Vez por outra uma presença
me confunde a solidão
menos espero
e muito mais me vejo só
Não ter do que ter saudade
me deprime e reanima
se me constrange
também não me tira a calma
Além da dor que me embriaga
a lucidez
resiste ao dia, a esta cidade
e a vocês
Poeta recifense ligado ao marginalia, o pernambucano Erikson Luna falecido em 2007 aos 49 anos foi considerado pela crítica literária como o “o último dos beatniks”. Polêmico, fascinado pelo blues, durante duas décadas e meia o poeta com seu comportamento irreverente, desregrado e explosivo incendiou o ambiente literário da mauritssand dos armadores das índias ocidentais.
DISTINÇÃO [Manoel Serrão]

A solidão é o que mais distinta a Bella da Fera.
ANAMNESIS [I] [Manoel Serrão]

Ó urgência!
Depressa Emergência...
A pressa é Passageira!
BUG JUMP [Manoel Serrão]

BUG JUMP
VAI…
V
A
I
…
V
AI
H
AI
K
A
I
U
U
U
U
U
u
u
u
u
u
.
.
...........................................................................................
....
INDISSOLÚVEL [Manoel Serrão]

O amor que me abraça,
É indissolúvel e infinito.
Não tem ponto final!
Só reticências...
APERTO [Manoel Serrão]

No riso ou na dor,
Seja lá como for!
Se apertarem os nós?
Deus por todos nós.
A PRENDA [Manoel Serrão]

A beleza quando desperta,
Senta, levanta, atravessa a rua, passa pela calçada,
E entra pela porta do Mundo:
É a prenda mais bela que melhor embeleza e encanta o Homem.
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
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