Lista de Poemas
PÃO & CIRCO [Manoel Serrão]

Não há circo.
Não há mágica.
Nem palhaço a sorrir.
Há só um mundo inteiro de fome sem pão a dividir!
CONTO DE FADAS [Manoel Serrão]

A bravata torrou-me a lembrança.
Do amor conto de fadas?
Agora carrego breus e um monte de cinzas!
RECANTO DAS LETRAS - Publicado: 23/10/2007 - Código do Texto: T706983.
Comentários: 26/11/2007 – 20:46 – Antônio Neto – [não autenticado] - Belíssimo poema, gosto muito dos poemas de NAURO MACHADO que já foi considerado o maior poeta vivo BRASILEIRO, e vc fala a linguagem de NAURO, de SOUSANDRADE, de TRIBUZI e AUGUSTO DOS ANJOS... grande abraço ANTÔNIO NETO.
NORMANDIA - O DIA “D'EU NA TPM [Manoel Serrão]

Na hora “H” Do Dia “D”?
Deu TPM na Normandia.
Ó aliados sem O.Bus? Rios de sangue...
Mas hoje, “Sempre Livre”!
Sem abas ou capas, aderente ao amor?
Que seja assim? O Mundo só quer toda [a] menor-pausa para Paz!
ENIGMA [Manoel Serrão]

Decifra-me o grito
Ou te devora o riso!
ACORDE[I] SOL [Manoel Serrão]
Lá em Dó em Si bemol?
Sonhei em Ré de Mi.
Agora, allegro cantante?
Acorde [i] Sol!
CONTIGO [Manoel Serrão]

Quando fordes flores, contigo iremos nós
GRAFITE [Manoel Serrão]

Na Selva grafitada...
Ecos de S.O.S nas ruas...
Berram muros!
A vida de lá é bruta!
ZOO[O]LÓGICO [Manoel Serrão]

Animalis se humanizando.
Homines animalizando-se.
Mas na hora (O) lógico?
É devorar (OS) humanos!...
LIVRO 7 [Manoel Serrão]

No início dos anos 80 até meado dos anos 90 existia no entremeio das Avenidas Conde Boa Vista e Suassuna, do lado de cá do Beco da Fome, precisamente na Rua 7 de Setembro, logo ali bem no centro do Recife uma apinhada de cultura, artistas, intelectuais, simpatizantes, estudantes, de passagens anônimos, de encontros e desencontros com infinitas variações, lá estava a referência literária do mundo, uma livraria chamada - Livro 7.
De mudança para o Recife fui tomado por uma doce obsessão, conquistar uma vaga para o universo acadêmico. Fui exitoso. Celebrei!
Pouco tempo após, então já estudante e acadêmico de direito recém aprovado no concurso do vestibular do ano de 1989, após ter cursado os dois primeiros períodos no Campus da Universidade Federal de Pernambuco, passei ao deleite de respirar toda aquela atmosfera histórica que impregnava o ar, as paredes, a beleza arquitetônica impar do prédio da Faculdade de Direito do Recife, os colegas discentes, o corpo de servidores, os docentes, enfim, as vezes tendo uma leve impressão de sentir a presença dos grandes vultos do passado em cada nicho e pequeno detalhe da Faculdade de Direito do Recife, fazendo-me transbordar de regozijo e orgulho. Afinal de contas estava eu sim de fato a cursar as Ciências Jurídicas no mais importante e tradicional Curso Jurídico do Brasil, a Faculdade de Direito do Recife [PE].
Ocorre que, conquanto, não bastasse tão nobilíssima conquista e o rio da vida transcorresse em serenada ordem, eis que no meio do caminho havia uma prenda enamorando-me, a mais sábia das divas Afrodite que pudesse um homem amar o conhecimento, uma livraria chamada Livro 7, a musa que desde então passara a concorrer com as aulas da Cadeira de Introdução ao Estudo do Direito I e II, ambas ministrada brilhantemente no primeiro horário pelo excelentíssimo Sr. Doutor Professor Heraldo Almeida que do alto do seu tablado e da sua, digamos assim, insolência, em hipótese alguma arredava da prerrogativa ao encerrar a aula de efetuar em ato contínuo no rol listado da caderneta dos acadêmicos que mantinha sobre a bancada como forma de manter-nos atentos ao mister, demandava ipsis litteris a chamada dos discentes ali presentes, assinalando os faltosos sob pena de terem em seus registros acadêmicos as anotações de ausência, e decerto após atingir-se determinado número de faltas, a reprovação na certa.
Presa fácil, agora a fantasia se embaralha a realidade, e como refém à míngua movido por um sentimento inexplicável passei a viver dilemas a fio tendo muitas vezes que optar dia após dia entre a Livro 7 e as aulas do brilhante professor Heraldo, pois, ora pois, pois fascinado pela expressão da palavra, pela escrita, pelo saber e pela imensidão daquele vasto mundo de livros, tomos, volumes, edições, códices, enciclopédias, etc. que se despejava desafiadoramente d'ante os meus olhos em "desdenhoso silêncio" a dizer-me em murmúrios aos ouvidos convites e confissões "indecentes" e irresistíveis tipo: "pegue-me... compre-me... leve-me para casa... leia-me, etc.", mormente, seduzido e sob efeito de uma magia prazerosa percorria com ar sonhador a calçada da Livro 7, com mão de ferro a segurar a ansiedade para não despertar olhares curiosos, sem pressa. Há anos desde que a Livro 7 se estabelecera, quase todos os dias eram dias de visita obrigatória, algo assim como um vício, uma obsessão exagerada, uma liturgia, um enamoro, um amor de paixão desmesurada já que não conseguia por horas a fio romper aquele quebranto que me impusera a Livro 7. Às vezes envergonhado, fingia comprar algo de literatura, é claro? Até que de vez enquanto arriscava mesmo sabendo que aquele dinheiro far-me-ia falta logo mais na frente, pois estudante com dinheiro curto tinha que fazer sacrifício ou ter que optar entre o lê e o comer, ou seja, entre alimentar o espírito, a alma e a sapiência ou matar a fome do corpo. Evidente que entre um e o outro, o do saciar a sede e a fome do organismo biológico, é verdade que sempre optava pela segunda, porém, fazendo-me de mercador escolhia um bom autor, um assunto do meu interesse ou algum em voga e mandava brasa. Aquele mundão de livros, era mesmo a minha paixão!
Lê, lê muito até não poder falar de amor. Lê até o tempo disponível esgotar-se e as obrigações do curso através do professor na lembrança mandar uma intimação, um aviso de que já era horário do início da primeira aula do dia, justamente a do professor Heraldo Almeida.
Saudosas e felizes recordações de um tempo romantizado, cheio de ideais libertários, de literatura, contestações, reivindicações e bons propósitos.
O personagem é histórico. Por onde será que anda o Tarcísio? Em que plagas o Tarcísio que tanto ajudou, fomentou a grande maioria dos grupos que manipulavam a cultura existente, não importando se era do teatro, da música, da dança, do cinema, enfim, até no nosso intitulado de ANARCU - ANIMAÇÃO ARTÍSTICA CULTURAL que por pouco tempo se manteve no ar, mais que marcou pela ousadia de arregimentar muitos artistas para o mister, entre tantos como: Ericsson Luna; Helena de Tróia; Titio Lívio; Geraldo Maia; Marco Polo, Ricardo Palmeira, Valmar, Gil, Danilo, Rubem Valença, Geraldo Silva, Manoel Serrão, Roberto "Cachaça", etc..
Agora que estamos na era virtual-cyber-digital, será que ainda existirá uma livraria do porte e tamanho da Livro 7 considerada na época como a maior do Brasil? Evidente que quando me reporto ao tamanho não é só a dimensão material, porém à nobre grandeza dos objetivos e meios para o quais todos nós sem exceção lançamos mão como instrumento para atingir-se os fins propositados. A sapiência.
Saudades! Tarcísio, por onde andares e em que plagas estiveres, eu, este humilde poeta, a cultura, os artistas de forma em geral, os escritores, poetas, e simpatizantes da inteligência por excelência da literatura te somos mui grato.
IDADE DA MÍDIA [Manoel Serrão]
Na Idade da mídia?
Só o infólio é phoder!
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
Português
English
Español