Lista de Poemas

Brisa

Gentil é a maresia
que afaga a própria companhia
Das fortes tormentas à calmaria
de turbilhões, silêncio em demasia

Ao velejar na imensidão do oceano
se afogar em mil tons de ciano
Sucumbir aos estrondos deste ano
discretamente, sendo mais um Sicrano

As rachaduras que o ar lhe retira
se tornam base daquilo que vira
Em perceber que o mundo em sí, gira
o capitão se desmonta, suspira
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A beira

Caos amado
Caos odiado

Na linha tênue
Que separa a dualidade
Aquele fio de cabelo
Entre a paz e a guerra

Como é frágil a liberdade
Já que sempre estarás preso à algo

Basta uma palavra,
e a tristeza vira alegria
Uma experiência,
e o cético vê a magia
Um desastre,
e a crença desce à pia

Caos amado
Caos odiado

Combustível de todas as vidas
Ecoa e passeia
Silencioso e embriagado
Trazendo um pouco de tudo
À tudo, um pouco.
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sopro

um pedaço de papel
vagando pelo ar
tenta subir ao céu
quase cai no mar

oscila a direção
pois o vento é incerto
cai em depressão
sem a brisa por perto

rabiscos que surgem
e preenchem os vazios
sentires que urgem
iluminados, sombrios

a tão frágil jornada
de um lado a outro
esfarela na madrugada
sim a vida, é um sopro
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Ouroboros

dentro do vazio
do vazio de dentro
preenchido por nada
nada preenchido
voltas em volta 
de volta em voltas
de rotas à derrota
derrotas na rota
desbravo acalmo
de calmo a bravo
descrente o crente
crente que crê
passo a compasso
perdendo o passo
passaro canta 
encanta quem passa
naquilo que cabe 
se acaba sem caber
vida vivida
morrendo pra morrer
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Comentários (1)

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Shavila
Shavila
2020-10-29

Uau??