Lista de Poemas

Odeio-me

Odeio-me mais que a mim mesmo
Será que tenho olhar de poeta?
Será que te mudo quando me olham?
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Pele

A pele esbate-se num gesto final
liberto-me da escravidão dos dias
(somos todos escravos da vida)
Pairo simplesmente
lá fora o néon
circula com certeza matinal
caos de cimento e tédio
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Diário sem nada de especial de um dia qualquer

Não suporto que amanhã seja mais um dia. Que hoje seja um prolongamento de agora.

Vou-me abandonar à minha sorte. Acreditar no que não creio.

Vejo uma senhora de moral alevantada por oposição às tetas abandonadas

Grande é a embarcação que se dá a navegar. (Obrigado pelo barco...)

Quais os pés mais bonitos? Os atrofiados pelos sapatos ou os marcados pelo chão?

No actual contexto sócio-económico, a taxa de amizade está muito abaixo dos valores normalmente considerados satisfatórios.

Vou dizer um lugar comum. A vida é uma espiral. Tudo se repete, só que num ponto diferente.

Muita raiva é um grito, muita ternura é um lamento.

Escrevo com o pão que comi numa garrafa partida: A Humanidade está com hemorróidas.

Se o pensamento é o meu rio, a consciência é o seu dique.

Vontade: Mosaico de anéis e pregos.

Detesto gente cuja linguagem é a do deve e do haver. Em que a vida se alinha pelas colunas do débito e do crédito. Com cinco casas decimais.

Dançando no orvalho do tempo. Estátuas perdidas.

Ouvido na barbearia: "Doer às vezes é coisa boa. É sinal de que se vive."

Os apaches são tão sanguinários como os ocidentais. Mas mais puros. Orgulham-se da sua bravura.
Nós somos cruéis apesar dos escrúpulos. Afastamos a morte como afastamos a vida. Receamos e combatemos tudo o que é natural com as nossas máquinas, a nossa lógica, os nossos papéis e artifícios.

As máquinas não morrem e se morressem tornar-se-iam humanas. O maquinismo e a tecnologia é a busca da ilusão da imortalidade.

Desde que comprei o relógio que ando atrasado.
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Sabes o que custa

Sabes o que custa calar
o que não se consegue calar
conter o incontível.

Estranho mundo este
onde os olhos rolam pelo chão
e os amores não ateiam fogos imensos
A loucura apodrece
e cheira mal

Porra!
que os sonhos aconteçam
que a fúria fresca das manhãs
tenha lugar

Sol deus maior
que os corações expludam
que braços se encontrem
que a vida seja vida e não apenas morte

Álcool deus menor
leva-me lá para longe
leva-me e esquece-me
eu não estou
não existo.

(escrito em 10 minutos na autoestrada por alturas de palmela, rápido e banal)
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Tu és tu

Tu és tu em demasia
da mão despudoradamente nua
aos olhos que não vêem
e que levas nos meus.
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Se tu fosses

Se tu fosses
a sombra da água
a alma que dói
no fundo que sou
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Pequenas coisas

Há pequenas coisas que atiçam o amor
Que nos dão um grande desejo de amar
Uma enorme ânsia de sofrer
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Nuvens

Por isso as nuvens
se zangam em trovoadas
e vociferam trovões.

É a carcaça que grita
o que o resto cala.
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Quem inventou

Quem inventou a dor ao fim de um dia de sal?

Quem te imaginou na minha cabeça?
Quem apagou a luz do céu?
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Porta Fechada

A porta fechada
A cara voltada
O chão se aproxima

Do murro arrependido
Do elevador não caído
O corpo se aperta

E eu não sou já de mim
sou do gosto que não dei
e de mim se tomou

E não sei que mais tarde
serei das águas do Tejo
ou doutro rio mais aquém

Não terei trejeito, nem geito sequer
poderei quanto muito rimar
com quem, como eu, tal não puder:
Uma cor, uma pedra ou talvez um pomar.
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Comentários (5)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-03-16

Parabens pelo seu aniversário ocorrido este mes de março = abraços ademir.

Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.<br />Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.<br />Ademir o poeta.

Sensacional

Beatriz
Beatriz
2022-10-30

Vsrsis<br />Difusamente ser s

namastibet
2018-04-21

BOa poesia encontro aki