Lista de Poemas
Pequenas coisas que me vão passando pela cabeça
No outro dia uma educadora de infância parou o carro no meio da ponte,
saiu, chegou-se à amurada e saltou. Segundo parece causou
engarrafamentos monstros. Não é preciso muito para atrapalhar o
trânsito. Basta um carro parado.
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Morri quinta-feira ao fim da tarde
a autópsia foi clara
causa da morte: saudades tuas
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Renasci junto a um oceano branco
levado por dois braços de mar salgado
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Não, não quero ser livre
quero ser cativo de amores
preso a paixões e tormentas tamanhas
Não, não quero ter ideias
só a paz de ver o mar
e as coisas mudas a sorrir para mim
Não, não quero ser contente
quero a raiva de todo o mal
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A vida é uma coisa engraçada que rola na minha mão.
Das vezes que a consigo ver de fora é giro olhar para as coisas. E tudo
parece estranhamente igual. O que é que eu tenho a ver com tudo isto? As
pessoas movem-se de um lado para outro, fazem coisas, mexem-se como se
movidas por uma necessidade necessária. Para que o mundo não pare e
continue a girar como antes. Quando a única finalidade que faz sentido é
sermos felizes. Quantas destas necessidades necessárias nos fazem felizes?
Fecho os olhos. Devo representar a farsa de uma máquina,
não porque acredite no que faz a máquina, mas porque a rosca não pode
viver sem um parafuso.
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Era interessante saber a largura dos dias
e sabermos com antecedência se cabemos neles
para não ficarmos com os pés de fora
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Preciso de uma droga que me reduza a pena. A vida é-me demasiado grande. E os meus pés tão pequenos. Os olhos vazios.
Ou eu me levantei ou o mundo encolheu. Estou a bater com a cabeça no tecto do mundo.
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Sou normal,
na maioria que sou em mim
estou perfeitamente na média
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Pássaros surdos loucos
De amor encantados
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Alguém escreveu sobre a mágica tarefa de viver, a mim ocorre a vã tarefa de viver
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O corpo estava acompanhado. Mas ninguém se sente só com o corpo.
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Alguém me perguntava com admiração. A beleza agride-te.
Sim. A beleza deve ser violenta.
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Pensamentos dum ouvido ao redor duma laranjeira
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Hóstia babada de ranho
Cona ungida de pano
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Aos céus sobe a espada que nos mata
e ficamos a vê-la subir ao alto
tão do chão
tão lentamente
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O erasmo era feio e tinha mau gosto para chapéus.
Lágrima
água sódio
nada mais.
Sempre pensei que tivesse
extractos de sonhos
e olhos grandes
encontros e desencontros
só o bolor
como pode o bolor queimar tanto como queima?
mas mesmo nas cinzas resta fogo
mesmo no fogo restas tu
Deus
Deus não faz esforço
para ser Deus
é naturalmente
Como uma flor é uma flor
ou uma pedra é uma pedra
assim és tu
Objecto
Aprenda-se a gostar dele
Construa-se sobre ele a teia das nossas fantasias
E sinta-se desapontado
Quando ele se comporta como mero objecto que é
Os beijos que me deste
Quero morrer desses beijos
Pêndulos
entre mim e parte incerta
Que todas as pontes sejam pernas
alvos de púrpura e cetim
Que todas as pernas sejam frutos
só sem mais nada ou ninguém
Perdidos e Achados
não sei que lhes fiz.
Talvez no departamento das canções perdidas.
Amo-te
Amo-te com raiva.
Amo-te com desespero. Com ânsia de ti. Amo-te com uma ternura louca.
Amo-te com imensidão.
A minha vontade
foge do que quer
como do que arde
e se tanto mais me ardera
ainda mais quisera
Como pedir o que não sei dizer
fora destas páginas sem peso?
Como as línguas que não sei roubar
longe desta caneta sem alma
Não sei se por acanhamento
se por sofrimento
me encontro afastado
estou morto talvez
da vida descansado
Comentários (5)
Parabens pelo seu aniversário ocorrido este mes de março = abraços ademir.
Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.<br />Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.<br />Ademir o poeta.
Sensacional
Vsrsis<br />Difusamente ser s
BOa poesia encontro aki