Lista de Poemas
Quando criança
corria da rua Marajoara
até o pátio dos trilhos
atrás dos quadrados
que eram taiados no alto
outros tempos
em que o mundo era pequeno
feito de linhas e cerol.
amava a correria
os perdidos nos terrenos baldios da vila
distante da cidade
e sua realidade
Quando criança
esperando o que viria
esperava o dia
em que o futuro chegaria
para todos..
para os que morriam
na velha usina
para os que sofriam
sem saber o motivo
para os que sonhavam
e apenas sonhavam
com o que não é miseria
e o futuro
não veio
não como o prometido
mas promessas são tolas.
assim como são tolos
quem nelas acredita...
Quando criança
só pensava em correr atrás das pipas...
Inculta sorte dos amantes
Inculta sorte dos amantes
soubesse antes
teria recusado tal fardo
por mais obscuro que fosse.
E nesse mundo falho em que não cabe o arrependimento,
nada mais valeria.
As alegrias são ilusões inúteis e perdidas
em um curto tempo.
E ninguém ajudaria
além de suas próprias forças
além dos sentidos,
em abstinência
aguçados elevados ao máximo
A língua sangra
e sabe
porque a angústia
é viver
e não ser completo
é lutar
e não ser livre
é acordar
e não estar limpo.
é amar
e não estar vivo.
Vicio itinerante
É domingo, e a dóis dias estou limpo.
É pouco eu sei,mas para quem não tem um instante,uma sobriedade a tanto tempo,essas quarenta e oito horas são de uma eternidade... maior que o momento.
Só me arrependo do que não fiz, estando vivo...
A mulher de ontem
e dão prazer
Aos meus amigos ,digo
Não sejam tolos a ponto
de saber tudo
O direito ao erro
é universal
E a mulher de ontem
Uma clave de sol
Quando
não é mais vida
é sofrimento
E o desejo
não é um desejo
mas ironia
E quando um beijo
é só mais um beijo
de despedida
E amar
quando for só amar
uma palavra
Velha dor
Nada é melhor que a sorte
Nada.
A vida por um fio
Os dados que rolam infelizes
Nada é melhor que a sorte
Alguns dirão que o amor o é.
Talvez nunca o seja.
Mas, que é o amor,
sem a sorte como companheira ?
Toda sorte do mundo é pouco,
e também um exagero.
Só espero a sorte de um único momento.
E nunca estar satisfeito.
Contradições de um mundo e seus amantes
junto a sina indigesta dos refugiados
contrapõe a morte como último cenário
e o prazer em cada mínimo instante
suas mãos sobre a minha
sua voz sobre meu corpo frio
a sensação indiscreta que contamina
e conforta o semblante vazio.
agarre em meus cabelos
queime a bíblia que está sobre a mesa
recolha os cacos do espelho
e veja de novo e de novo a crua beleza
o destino acompanha os mais fracos
essa uma virtude esquecida
aos fortes resta senão os encantos
de contradições envaidecidas
Cultive sonhos
desde sempre
alimente
e os enriqueça
Ao ponto da colheita
Transforme-se
e faça valer a pena
O Palhaço quando dorme
Não carrega mais um sorriso
Não pinta mais o rosto
Não demostra a emoção
Quer apenas descanso
O Palhaço em seu lugar
Não está em paz
Não é mais belo
E tão forte
E chora quando ninguém vê
O Palhaço quando dorme
deita o corpo sobre a grama
Não é mais a criança
Nem o adulto do amanhã
Quer apenas descanso
Comentários (3)
Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.
Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.
Fico agradecido por duas palavras.