Lista de Poemas

Ode ao amar

Afaga-me nas fontes caudalosas
sob o julgo dos lábios sedentos.
Emana o vale fértil de rebentos
envolto a calda de amoras sedosas,
        revolto mar de rosas,
        sopra-me avivamentos.
                                      
Afaga-me no suspiro amoroso,
ó flor silvestre, cólera de ardores!
As estrelas soam ternos tenores,
banha a alma num abraço sedoso,
        louco mar furioso
        dê-me falsos pudores.
 
Renda-me no mar da delicadeza
no silvestre fogo de chão forjada,
ser sólida e voraz, porém alada,
de palpitar feroz, ar de nobreza,
        dê-me tua alma acesa
        faz-me sua morada.
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Amar é fé em ação

Neste mundo em que tudo é rebuliço
em que a maldade aparece como inço,
amar cada dia mais se faz preciso...
E se achar que não tem nada haver com isso,
             amar se faz conciso,
             e então abre o teu sorriso!
 
Quanto mais dura parecer a jornada da vida,
amar é a moeda de troca mais valorosa!
Amar é manifestar Deus em bênção harmoniosa,
empatia silenciosa, renova a alma exaurida,
             e a torna brisa ungida;
             é pedra preciosa...
 
Amar é fé em ação, é portal de esperança,   
é pura confiança de jamais estar só!
Só por amar o coração não conhece nó
e vive a palpitar na mais afinada dança,
             pois, quem ama descansa,
             com Deus estar a sós...
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O Manancial de Paula - soneto 01

Primeiro, Paula, tu vens com o vento,
repentina tal quem cala e desperta,
tira do plumo, ou dá direção certa.
Sabe ser temporal! Também alento!...
 
A cor da tua áurea em movimento.
Enquanto tua essência cala e aperta,
e qualquer decisão  se torna incerta.
Esvai-se o que não é avivamento.

Segundo você chega como as brumas,
e ocupa sem esforço o olhar faminto
sopro de entusiasmo tão excitante.

Súdito fiel deste labirinto.
Vontade louca em ser teu doce amante;
e nossos corpos leves feito plumas.
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Substância da fé

Ah meu olhar! Tão breve quanto profundo;
Albergue que se abre todas as noites
como uma sala de estar das estrelas,
           e contente por tê-las;
           já sou dono de tudo...

Aqui deitado sob o universo desnudo,
como se o ‘eu’ fosse o todo e o todo somente o ‘meu eu’,
como uma floreira que se espalha no alpendre
           numa beleza tão simples
           formosa ao natural...
 
De repente sinto-me filho do universo,
onde Deus é o todo e o todo é o puro Deus
que se manifesta pela infinidade ‘de eus’;
única composição de todas as coisas,
            e nada existe além...
Como imenso espelho posto diante Dele,
e todas estrelas que estão a brilhar lá fora
            em sublime verdade,
            brilham dentro de mim...
 
No olhar lágrimas de jubilo natural
em que o seu limite é não reter limite.
            Então meus olhos de universo,
            decompondo-se em puro verso;
                        brilha no escuro...
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