José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

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(amanheço pássaro)

amanheço pássaro
com o canto preso na garganta

fiz-me bruxo amotinando sortilégios
dispenso elogios, busco amavios
tenho o tempo disperso da memória

carrego o mundo em minhas mãos
cortes e cicatrizes de guerras e motins

sou o começo e também sou o fim
nas vozes que alimentam o caminho

todos os passos sedimentam nossa existência
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Poemas

78

(Coisas boas de lembrar)

caminhos me levam
onde o passado esconde
coisas boas de lembrar.
são memórias
guardadas em linho,
teias
estendidas no tempo,
ânforas
do mais puro vinho.
são velhas palavras
plantadas no ar
a trescalar
nobres perfumes,
são histórias de amor
contadas
na língua dos sonhos.
são caminhos...
que me levam à você.
352

(Sabor de romã)

não deixe o beijo
amargar na boca.
quando o olhar se casa
saliva tem sabor de mel
mas quando a indiferança vaza
negras nuvens
se espalham no céu.

não sei se é o tempo que corre
ou se é o meu amor que dorme.

deliro em prosa
linda rosa de azul florado
tenho meu peito magoado
sem você sou um vazio,
lembro do exótico sabor de romã
que perfuma seus lábios...
...sonho com você em Teerã.
374

(Neuroses e anseios)

em meio ao turbilhão de ideias
neuroses e anseios

a corda da vida balança
se distende e parte

o amanhã desespera
e nos cobre de sonhos.
269

(Quebra-cabeças ou Fausto redivivo)

da mente retorcida
desaninharam-se as serpentes.
tecido espiritual cercado de abutres. luxúria faustiana.

os deuses perderam a fé.
285

(Desalento)

sou
um sol oculto
que afronta manhãs.
337

(Ave sem par)

tardo, sombrio
sinuoso como um rio
voo desgarrado de ave sem par.
361

(Sonhos)

sonhos
:mãos calejadas
dedos mergulhados numa incógnita.
346

(Haikai)

livro fechado
palavras em silêncio
natureza morta.
354

(Tapete de sombras)

a vida é bordada
em tapetes de sombras.
olhar sem ver
é expressão dos ausentes.
taquigrafia absurda
escorre do tempo
gotejando esquecimento.
truque de perspectiva:
planto sempre
o amanhã
no agora.
amanhece
e já é passado,
o futuro
mora lá fora.
desejo de viver
que se move
em círculos.
fogo proverbial:
gosto da boca
em brasa
assando
palavras bêbadas,
incorpóreas
como os sonhos.
em espiral de ervas
os dedos
tangem os cabelos
enquanto o amor
acontece
no desalinho
dos lençóis.
342

(Noites em Bizâncio)

no jardim,
as flores se alheiam
enquanto o mar corre em outra direção.

a noite se acende em perfumes.
361

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