Lista de Poemas

não sei porque te amo

não sei porque te amo
nem pergunto às árvores a que horas adormecem

porque acredito no teu chão
e nos teus lábios florescem pétalas de orvalho
e desejo

não sei porque te amo
nem espreito as raízes do teu corpo

porque acredito quando sorris
na utopia do teu olhar
quando me olhas
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a tua língua para que me sinta vivo

a tua língua para que me sinta vivo
e a minha voz de suspiro
nos teus lábios ainda quentes

todas as marés no teu corpo
e por lá navego e me dessedento
em pequenos e grandes beijos
em pequenos e ternos lábios
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morremos num golpe tremendo

morremos num golpe tremendo
e metade de nós será fumo
e espuma íngreme

existem em nós poemas que amam
cada desespero

são brancas as vozes ao longe
onde existem fendas
de algum tipo de glória nocturna  e inocente

morremos num golpe tremendo
e acreditamos no fogo
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por vezes ficamos em silêncio

por vezes ficamos em silêncio
enquanto os nossos olhos
se tocam
demorados

e se abraçam
no silêncio das coisas íntimas
até que se beijam
e se entregam
👁️ 515

e se deus fosse diferente dos homens

e se deus fosse diferente dos homens
no seu torpor
e amasse a vida e o espírito
das coisas novas

que se apaixonasse e sorrisse
e fosse mar e fosse pedra
silenciosamente

talvez por isso
sinto-me um ruído de ausência e fuga
do medo e da esperança
e sinta fome de amor
👁️ 576

no teu corpo descubro a lentidão

no teu corpo descubro a lentidão
e o segredo

 os beijos lentos e os beijos sôfregos
afogados na boca
e no mar
👁️ 421

percorro devagar todas as sílabas


percorro devagar todas as sílabas
do teu corpo
e serei ferro e lume brando
até que os gritos se escutem e o dia
seja imediato
no pulsar mais dentro de ti

e serei chama
de tanto de ti serei deus e o diabo
o amado e o amante
o sabor a renda
apetecida e branca
desarmada nas praias do teu corpo
👁️ 470

procuro sempre um poema novo

procuro sempre um poema novo
não por ser uma questão temporal
mas que nos sacuda
ou por recusa das ideias que se escrevem

por dentro de todas as ruínas
e acima da morte
falas de amor
e rasgas a roupa de morrer aos poucos

é esse o nosso orgasmo
a alegria de todas as metáforas
em cada riacho
e em cada cumplicidade

amo-te na compreensão da noite
enquanto te desvendas
e todos os sons me fascinam

lembras-me o mar na sua voz de prudência
uma sementeira de gozo e luz e vida

eu tenho os meus sonhos
uma árvore que se enraíza e cresce
uma terra fértil que se faça alegria
por um toque de amor
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não sei o que as nuvens pensam de tudo isto

não sei o que as nuvens pensam de tudo isto
lá do alto do sétimo dia

as coisas sabem a tempestade
e a noite assemelha-se a uma qualquer metáfora
de fé

ninguém suspeita do tempo
acredito

antes se acredita
na importância da consciência
no segredo das longas noites interiores
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entendam-se as marés como se elas fossem palavras

entendam-se as marés como se elas fossem palavras
de barro e riqueza grande
elas existem e formam uma espécie de ilha
de vocábulos famintos e frios
e cruéis

entendam-se as marés como se fossem beijos amantes
na sua força jovem
como se fossem vida e um outro dia
a mão que nos agarra
ao lábio mais doce
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