Lista de Poemas
À TARDE
Agradeço a Deus pelo silêncio
Que às vezes se faz.
O silêncio permitido
Pelo rádio desligado,
A TV muda e vazia,
As vozes cessadas.
O som da voz de uma criança,
Medido e sentido pela distância;
O som do canto de um pássaro
Crescendo no silêncio.
O som de um serrote é o som do aço
E da madeira, tão primitivo
Quanto nos dias de Noé.
Baixo contínuo é o vento,
De tudo um violoncelo desafinado.
Que às vezes se faz.
O silêncio permitido
Pelo rádio desligado,
A TV muda e vazia,
As vozes cessadas.
O som da voz de uma criança,
Medido e sentido pela distância;
O som do canto de um pássaro
Crescendo no silêncio.
O som de um serrote é o som do aço
E da madeira, tão primitivo
Quanto nos dias de Noé.
Baixo contínuo é o vento,
De tudo um violoncelo desafinado.
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AS SIRENES
Quando as sirenes começaram a tocar
Ninguém prestou muita atenção.
Não se interromperam as conversas
Nem se deixou de comprar, vender,
Trocar vida e tempo por dinheiro.
Quando as sirenes começaram a tocar
A telefonista não interrompeu a ligação que ia em meio,
As cotações no mercado não cessaram de subir
E descer nas suas escadas vazias,
E o pistoleiro permaneceu calado
No escuro, à espreita.
A mãe não parou de amamentar a criança
Quando as sirenes começaram a tocar,
E os cães ergueram as suas cabeças, lentamente,
Alguma coisa mordendo seus cérebros.
Ninguém percebeu que não eram as sirenes costumeiras,
Dessas que anunciam incêndios
E automóveis prestes a serem roubados,
Ou o fim da aflição do operário na fábrica.
O dia ia em meio, não eram nem “as cinco en punto de la tarde”,
Quando elas começaram seu monótono refrão impessoal,
Sua canção aguda (e era a única que conheciam),
Mais simples do que a das metralhadoras soando
Ao longo de uma cerca de arames farpados,
Mais primitiva do que o grito de uma criança morrendo de tédio.
No princípio ninguém reparou — mas não tiveram culpa.
Não haviam sido avisados de que as sirenes tocariam.
Apenas alguns poucos escolhidos haviam sido treinados
Para aguardar o som que viria, repentinamente.
Esses ainda eram os mesmos, os mesmos,
Muito tempo depois, quando as sirenes silenciaram.
Ninguém prestou muita atenção.
Não se interromperam as conversas
Nem se deixou de comprar, vender,
Trocar vida e tempo por dinheiro.
Quando as sirenes começaram a tocar
A telefonista não interrompeu a ligação que ia em meio,
As cotações no mercado não cessaram de subir
E descer nas suas escadas vazias,
E o pistoleiro permaneceu calado
No escuro, à espreita.
A mãe não parou de amamentar a criança
Quando as sirenes começaram a tocar,
E os cães ergueram as suas cabeças, lentamente,
Alguma coisa mordendo seus cérebros.
Ninguém percebeu que não eram as sirenes costumeiras,
Dessas que anunciam incêndios
E automóveis prestes a serem roubados,
Ou o fim da aflição do operário na fábrica.
O dia ia em meio, não eram nem “as cinco en punto de la tarde”,
Quando elas começaram seu monótono refrão impessoal,
Sua canção aguda (e era a única que conheciam),
Mais simples do que a das metralhadoras soando
Ao longo de uma cerca de arames farpados,
Mais primitiva do que o grito de uma criança morrendo de tédio.
No princípio ninguém reparou — mas não tiveram culpa.
Não haviam sido avisados de que as sirenes tocariam.
Apenas alguns poucos escolhidos haviam sido treinados
Para aguardar o som que viria, repentinamente.
Esses ainda eram os mesmos, os mesmos,
Muito tempo depois, quando as sirenes silenciaram.
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BELEZA
Vejo as folhas amarelas
Do caquizeiro caindo,
Mostrando que são leves,
E, por isso, caem graciosamente
Em volutas
Pelo ar.
(como tudo o que é leve e frágil cai)
São acolhidas pela erva do chão
Que não lhes sente o peso. Mas elas
Ficam ali,
Amarelas
Como lhes apraz.
E mortas
Ainda são parte da beleza
Que se espalha.
Do caquizeiro caindo,
Mostrando que são leves,
E, por isso, caem graciosamente
Em volutas
Pelo ar.
(como tudo o que é leve e frágil cai)
São acolhidas pela erva do chão
Que não lhes sente o peso. Mas elas
Ficam ali,
Amarelas
Como lhes apraz.
E mortas
Ainda são parte da beleza
Que se espalha.
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