Lista de Poemas
VERMOIM, MINHA TERRA
VERMOIM, MINHA TERRA
Se vejo os teus mil cantos, minha terra
Se em cada canto os teus encantos mil
Mais encantos ainda este olhar descerra
Por causa deste olhar cego e febril.
Quando o sol lança os raios sobre ti
Todo o esplendor te salta do rosto
Nos olhos tens um verde que sorri
Em fortes tons de quente e doce agosto.
Vestes roupa de nova primavera
Do tempo pendurado na memória
Onde o povo levanta a tua história.
Inspiras o poeta na quimera
De escrever a beleza que não altera
O rumo do seu sonho: A tua glória!
José António de Carvalho, 21-julho-2019
POR FAVOR
POR FAVOR
Ouve-me neste momento
que me sinto perdido
entre as brechas da vida
e um luar entristecido
no frio do esquecimento.
Deita-te na margem do rio
a ver o céu azul de seda
em ti debruçado a beijar-te
doce e imensa vereda
que nunca sente o frio.
Oh, como quero abraçar-te
para me tirar deste sono
e ser novamente estio
matando este outono
que me impede de sonhar-te.
José António de Carvalho, 09-outubro-2019
FELICIDADE
(HORIZONTES DA POESIA)
FELICIDADE
Veste-te de brava roseira,
De andorinha leve e franzina,
De espiga colhida e ceifeira,
E de seara pequenina.
Vestes a noite com o dia,
O dourado do sol que vai…
Roubas aos astros a harmonia,
O brilho que da estrela sai.
Irrompes do rio e do mar,
Do lugar mais exuberante,
Como quem vem a velejar
Na pele duma onda gigante.
Que encanto para a minha vida
Que se levanta dos escombros,
E entre a folhagem esquecida
Repousa leve nos meus ombros.
José António de Carvalho, 18-agosto-2021
A POESIA
A POESIA
Com as palavras
tocas-me o cerne
a corola e os estames,
o âmago do ser.
Esbracejo para me libertar…
da camisa de forças
que amarra em nós por dentro.
Quero ser livre…
livre de voar em ti
num voo picado e veloz
entre as tuas duas nuvens,
os teus cúmulos e estratos
e pensamentos de granizo
feitos de ventos tempestuosos
para me perder em volúpia
na copiosa chuva
dos meus sonhos abstratos.
José António de Carvalho, 04-janeiro-2020
CABE NUM DIA
(Coletânea "LIVRO ABERTO" - 2024)
CABE NUM DIA
Cabe num dia,
cabe na mão,
os olhos da madrugada
que o sonho pedia.
O sol das manhãs
em dias de verão,
bem alto a sorrir
no pulsar do coração.
Os lábios da tarde
abrem-se sorrindo
num rio sem destino
lentamente a descer
como plumas de aves
num arco-íris lindo;
não se vendo mais nada
que não seja o entardecer.
A noite em doce rosto
rouba ao crepúsculo
o néctar da alucinação
num calor de agosto,
de lava a queimar
que a noite não refresca,
querendo fugir
mas deixando-se ver,
deixando-se amar
com a lua a beber
contornos de luz
para voltar a viver,
e adormecer…
José António de Carvalho, 19-janeiro-2024
TERRA LAVRADA
TERRA LAVRADA
Canto a magia do amor
de tudo que é natural e belo.
Canto o quente e húmido respirar
naquele voltar de si escaldante,
no enrolar selvagem e louco,
em voltas irreais e alucinadas.
E sente um prazer ardente
quando recebe nova semente.
Tão grande é o poder da terra
que acorda para novo ciclo
expondo o seu fértil ventre
a tão desejado regresso.
José António de Carvalho, 17-maio-2021
INEVITABILIDADES
(Coletânea SOMOS HORIZONTES DA POESIA I)
INEVITABILIDADES
Hoje construo menos do que antes,
idealizo mais e mais perfeito.
Os meus olhos só veem flagrantes.
Ver mal até deixa de ser defeito.
Voltado para a minúcia das coisas,
só quero ver o que apenas sinto,
e só sinto o que mais me conforta.
Tudo o resto, de pouco me importa.
Fecho os olhos e vejo a natureza,
que vai definhando, e quase morta,
mesmo assim se veste da maior beleza:
naquelas flores que me batem à porta,
que abro sempre, e sempre mais feliz,
deitando ao vento cinzenta tristeza.
Os dias passam e continuo aprendiz
de tudo, e do que se diz e se faz;
na calma da alma fico a pensar…
Depois, lá me atrevo e escrevo,
neste meu caminho sobre o mar.
José António de Carvalho, 19-junho-2023
PARA TI
PARA TI
Deixa-me ficar sentado
Nas tuas pálpebras nuas,
Poder ler-te os pensamentos,
Memórias e esquecimentos,
Que trazes em ti guardados
E nos versos insinuas.
Ver no brilho dos teus olhos
As mais belas melodias
Cantadas p’lo coração,
Quentes horas de paixão
Perdidas entre os escolhos
Que resistiram ós dias.
Deixa-me ficar sentado
Nas tuas pálpebras nuas,
Dizer-te que assim me atrevo
Cantar o quanto te devo,
Que tanto tenho sonhado
Ficar nas páginas tuas.
José António de Carvalho, 24-novembro-2021
CANTO AOS TEUS OLHOS
CANTO AOS TEUS OLHOS
Nos teus olhos,
Perco-me e encontro-me,
revisito-me por dentro,
revolvo-me na cama,
entro no teu mundo,
sou cometa em chama.
Nos teus olhos,
penetro as nuvens
que se vão dissipando,
entro no céu
que me dás,
e que sinto,
de vez em quando…
José António de Carvalho, 24-fevereiro-2023
A MARIA TERESA HORTA
<Coletânea - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES»
A MARIA TERESA HORTA (N: 20-05-1937; M: 04-02-2025)
Os teus poemas
são cheias de rio
no calor dos verões.
São espadas em punho
erguidas à intensa luz
do sol do mês de junho.
São a pele do corpo
o sangue, a carne
a voracidade das palavras.
São espelhos da mente
de uma alma condizente
na encruzilhada das estradas.
São os vetores da ligação
do prazer e do coração
de quem não é cobarde,
fenómenos de paixão
em tempo de repressão
da poesia que arde
e seiva penetrante
de poema inebriante
no final de qualquer tarde.
José António de Carvalho, 05-fevereiro-2025
Comentários (22)
Muito obrigado, estimado amigo das letras Ademir Zanotelli! Bom fim de semana! Um grande abraço.
Muito belo , teu texto poético , principalmente cuidaras do amor , pois este jamais morrerá! abraços na tua longa jornada de poetar.
Muito obrigado pela consideração e comentário, estimado amigo poeta Ademir Zanotelli! Um grande abraço.
Meu caro amigo... e grande poeta, muito obrigado por me visitar... e ao mesmo tempo o teu poema está seguro, pois o mesmo é um caminho para a luz de sua vida. parabéns .
Muito obrigado, estimado amigo das letras, Ademir Zanotelli! Deixem-me só esclarecer, que não sou jornalista, apesar de ter escrito para dois jornais locais. Um já não existe o outro mantém-se. Boa noite! Um abraço.
José António Ribeiro de Carvalho, nasceu a 26 de janeiro de 1964, na freguesia de Vermoim, Concelho de Vila Nova de Famalicão, onde reside.
Cresceu num meio rural e de pessoas simples, numa família de seis irmãos, e tem dois filhos.
Sempre teve gosto pela escrita, todavia esse facto trouxera-lhe alguns dissabores ao nível da disciplina de português, pela liberdade de escrita e interpretação que reclamava.
Escreveu artigos para os jornais locais “Cidade Hoje” e “Repórter Local”. Também teve comentários seus citados publicados na RTP3 (Televisão pública).
Em outubro de 2018 editou o livro de poesia (e fotografia) “Sente, Logo Vives e Sonhas”, através da Editora Chiado.
Em Maio de 2025 editou o seu segundo livro. Um Conto Infantojuvenil "O PATINHO JIMI", através da Editorial NOVEMBRO, Edições Cão Menor.
Já participou em mais de cinco dezenas de Coletâneas e Antologias poéticas e contos, com destaque para as da Editora Chiado (mais de dez), também da Mimos e Livros, Livro Aberto - Rádio Voz de Alenquer, Poetas d’hoje - Grupo de Poetas da Beira-ria (Aveiro), Alma Latina, Horizontes da Poesia, Amantes da Poesia e das Artes (In-Finita). Também nas Antologias de Natal - Solar de Poetas (e-book).
Manteve ao longo dos últimos anos participações ativas em inúmeras iniciativas literárias, sejam concursos, homenagens, comemorações, ou tão somente com o único motivo de levar a poesia às pessoas, destacando-se o programa “Livro Aberto” (RVA), programa “As Nossas Raízes” (RCH), Rádio Horizontes da Poesia, Expoética - Braga, eventos online, entrevistas a rádios e jornais (Rádio Cidade Hoje, Rádio Vizela, Rádio Limite, Rádio Popular FM (Pinhal Novo), Rádio Voz de Alenquer, etc...
Entende que “a poesia deve ser livre de voar”, dando-lhe asas no seu Blog (https://joseanricarvalho.blogspot.com/), na página do Facebook (https://www.facebook.com/JAdeCarvalho.JAC/), no canal do YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCo9DH4XVhOl2Vewf1x3tzJw).
Aproveita este espaço para dar um abraço e demonstrar a sua gratidão a todos aqueles que dedicam algum tempo aos seus poemas, independentemente do meio como o fazem.
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Muito obrigado, estimado amigo das letras, Ademir Zanotelli! Deixem-me só esclarecer, que não sou jornalista, apesar de ter escrito para dois jornais locais. Um já não existe o outro mantém-se. Boa noite! Um abraço.
Parabéns ... grande poeta e jornalista... belíssimo.... abraços . boa noite.
Muito obrigado por gostar do poema! Leia sempre, este e outros! É um orgulho para mim saber que sentem do mesmo modo que sinto e escrevo sobre a minha terra e outros temas!
Belíssimo poema desde então, sempre gosto de ler ou ouvi-lo, muito grato!
Muito obrigado, Cidaluz!
Parabéns Poeta<br />Sempre encantador seus poemas
Muito obrigado, amiga Anabela!<br />Tudo de bom!
Parabéns!!!, Gostei bastante deste poema.
Muito obrigado, amiga Célia Lino!
Muito obrigado, amiga Anabela!<br />
Mais um importante passo a somar neste bonito percurso.
Muito obrigado!
Parabéns Poeta!
Muito obrigado, Célia Lino!
Muito obrigado, Helena!
Parabéns belo poema ??
Lindo poema. Me emociona muito. É maravilhoso. Grande poeta, parabéns