Lista de Poemas
Total de poemas: 3
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E, no fim, acabou
E, no fim, acabou.
E ressoou o porquê…
Depois dele, nada.
No fim, houve gritos.
Houve uma escuridão
que absorvia toda a luz.
Um vento que arrancou cabelo
que arrastou todas as árvores.
Chuva ácida, dolorosa, na pele,
a corroer…
Quando acabou, o chão abriu-se,
rápida queda para o Inferno.
Calor desesperante que não deixa respirar.
E o vermelho do sangue, e a chama que tortura.
E, dentro, veias geladas.
Um esqueleto saliente.
Boca cansada de não falar…
Toda a expiração agonia.
Uma minúscula semente.
Num pequeno pedaço de terra,
discreta, no fundo…
A água das lágrimas rega.
O tempo do choro que espera.
A semente invisível…
O sol do deserto,
que com as tempestades de areia magoa,
também alimenta a pequena semente.
E os ponteiros giram e causam náusea.
Mas o deserto vai-se tornando terra fértil
e a semente agora é planta.
A semente agora é verde.
A planta cresce bonita.
Deixou de se ver esqueleto.
E o ar já não magoa.
E o chão vai fechando…
A tempestade acalma
e já não há chuva ácida.
Só água que aborrece.
A planta cresce.
A flor surge tímida.
E, pequeno, a esconder-se,
à partida irreconhecível,
um minúsculo fruto.
Há de crescer e ser grande.
E será o mais doce.
Fará chorar de alegria
porque foi um dom divino.
Quando acabar…
E, depois disso, acabar mesmo…
Chegará a gratidão.
E ressoou o porquê…
Depois dele, nada.
No fim, houve gritos.
Houve uma escuridão
que absorvia toda a luz.
Um vento que arrancou cabelo
que arrastou todas as árvores.
Chuva ácida, dolorosa, na pele,
a corroer…
Quando acabou, o chão abriu-se,
rápida queda para o Inferno.
Calor desesperante que não deixa respirar.
E o vermelho do sangue, e a chama que tortura.
E, dentro, veias geladas.
Um esqueleto saliente.
Boca cansada de não falar…
Toda a expiração agonia.
Uma minúscula semente.
Num pequeno pedaço de terra,
discreta, no fundo…
A água das lágrimas rega.
O tempo do choro que espera.
A semente invisível…
O sol do deserto,
que com as tempestades de areia magoa,
também alimenta a pequena semente.
E os ponteiros giram e causam náusea.
Mas o deserto vai-se tornando terra fértil
e a semente agora é planta.
A semente agora é verde.
A planta cresce bonita.
Deixou de se ver esqueleto.
E o ar já não magoa.
E o chão vai fechando…
A tempestade acalma
e já não há chuva ácida.
Só água que aborrece.
A planta cresce.
A flor surge tímida.
E, pequeno, a esconder-se,
à partida irreconhecível,
um minúsculo fruto.
Há de crescer e ser grande.
E será o mais doce.
Fará chorar de alegria
porque foi um dom divino.
Quando acabar…
E, depois disso, acabar mesmo…
Chegará a gratidão.
👁️ 19
Pesou tanto
Pesou tanto
que as pernas cederam.
Ficou estatelado no chão,
à espera de que alguém parasse,
que lhe tirasse a carga densa.
Não foi o peso que cresceu,
foram as forças que esvaíram.
Alguns homens não aguentam maratonas.
O peito foi-se esvaziando
como resposta a uma ausência de resposta.
Foi tanta a procura, tantos os círculos...
Primeiro queixaram-se os pés,
rasgados, tortos,
os joelhos amassados,
as costas num arco acentuado.
O espírito ainda emana
a energia necessária para avançar.
Mas lentamente se apaga
um fogo que já ardeu forte...
As brasas na brisa fresca.
Expectavelmente
cederam as pernas.
E largou-se o choro amargo.
Restaria saber, se fosse um conto,
quem passará para o levar.
Chegará ele ao seu destino?
Mas ninguém escreveu essa história.
Muito menos alguém a leu.
Tivessem olhado para ele,
soubesse ele que a história tinha um fim,
e talvez nem tivesse caído.
Mas no meio das brumas,
não há história,
com princípios e fins.
Há vagas memórias, poucas esperanças,
e um jugo que cada vez mais pesa.
que as pernas cederam.
Ficou estatelado no chão,
à espera de que alguém parasse,
que lhe tirasse a carga densa.
Não foi o peso que cresceu,
foram as forças que esvaíram.
Alguns homens não aguentam maratonas.
O peito foi-se esvaziando
como resposta a uma ausência de resposta.
Foi tanta a procura, tantos os círculos...
Primeiro queixaram-se os pés,
rasgados, tortos,
os joelhos amassados,
as costas num arco acentuado.
O espírito ainda emana
a energia necessária para avançar.
Mas lentamente se apaga
um fogo que já ardeu forte...
As brasas na brisa fresca.
Expectavelmente
cederam as pernas.
E largou-se o choro amargo.
Restaria saber, se fosse um conto,
quem passará para o levar.
Chegará ele ao seu destino?
Mas ninguém escreveu essa história.
Muito menos alguém a leu.
Tivessem olhado para ele,
soubesse ele que a história tinha um fim,
e talvez nem tivesse caído.
Mas no meio das brumas,
não há história,
com princípios e fins.
Há vagas memórias, poucas esperanças,
e um jugo que cada vez mais pesa.
👁️ 18
Estrume
A arte é como a Natureza:
do estrume faz flores.
Pelo menos em mim,
a arte faz flores
da merda que sou.
Antes de ser fezes
também eu sou flores
com belos odores,
formatos e cores.
Mas sou também o porco
que as pisa,
que as mastiga,
que as cospe para a lama
onde rebola
e nada faz para além disso.
De flores a estrume puro,
Faço-me seco e duro.
E depois escrevo.
Numa mão sempre o esterco,
e noutra a pena.
Não crescem na bosta rosas,
mas surge uma flor não feia.
do estrume faz flores.
Pelo menos em mim,
a arte faz flores
da merda que sou.
Antes de ser fezes
também eu sou flores
com belos odores,
formatos e cores.
Mas sou também o porco
que as pisa,
que as mastiga,
que as cospe para a lama
onde rebola
e nada faz para além disso.
De flores a estrume puro,
Faço-me seco e duro.
E depois escrevo.
Numa mão sempre o esterco,
e noutra a pena.
Não crescem na bosta rosas,
mas surge uma flor não feia.
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