E, no fim, acabou
jorgebadalo
E, no fim, acabou.
E ressoou o porquê…
Depois dele, nada.
No fim, houve gritos.
Houve uma escuridão
que absorvia toda a luz.
Um vento que arrancou cabelo
que arrastou todas as árvores.
Chuva ácida, dolorosa, na pele,
a corroer…
Quando acabou, o chão abriu-se,
rápida queda para o Inferno.
Calor desesperante que não deixa respirar.
E o vermelho do sangue, e a chama que tortura.
E, dentro, veias geladas.
Um esqueleto saliente.
Boca cansada de não falar…
Toda a expiração agonia.
Uma minúscula semente.
Num pequeno pedaço de terra,
discreta, no fundo…
A água das lágrimas rega.
O tempo do choro que espera.
A semente invisível…
O sol do deserto,
que com as tempestades de areia magoa,
também alimenta a pequena semente.
E os ponteiros giram e causam náusea.
Mas o deserto vai-se tornando terra fértil
e a semente agora é planta.
A semente agora é verde.
A planta cresce bonita.
Deixou de se ver esqueleto.
E o ar já não magoa.
E o chão vai fechando…
A tempestade acalma
e já não há chuva ácida.
Só água que aborrece.
A planta cresce.
A flor surge tímida.
E, pequeno, a esconder-se,
à partida irreconhecível,
um minúsculo fruto.
Há de crescer e ser grande.
E será o mais doce.
Fará chorar de alegria
porque foi um dom divino.
Quando acabar…
E, depois disso, acabar mesmo…
Chegará a gratidão.
E ressoou o porquê…
Depois dele, nada.
No fim, houve gritos.
Houve uma escuridão
que absorvia toda a luz.
Um vento que arrancou cabelo
que arrastou todas as árvores.
Chuva ácida, dolorosa, na pele,
a corroer…
Quando acabou, o chão abriu-se,
rápida queda para o Inferno.
Calor desesperante que não deixa respirar.
E o vermelho do sangue, e a chama que tortura.
E, dentro, veias geladas.
Um esqueleto saliente.
Boca cansada de não falar…
Toda a expiração agonia.
Uma minúscula semente.
Num pequeno pedaço de terra,
discreta, no fundo…
A água das lágrimas rega.
O tempo do choro que espera.
A semente invisível…
O sol do deserto,
que com as tempestades de areia magoa,
também alimenta a pequena semente.
E os ponteiros giram e causam náusea.
Mas o deserto vai-se tornando terra fértil
e a semente agora é planta.
A semente agora é verde.
A planta cresce bonita.
Deixou de se ver esqueleto.
E o ar já não magoa.
E o chão vai fechando…
A tempestade acalma
e já não há chuva ácida.
Só água que aborrece.
A planta cresce.
A flor surge tímida.
E, pequeno, a esconder-se,
à partida irreconhecível,
um minúsculo fruto.
Há de crescer e ser grande.
E será o mais doce.
Fará chorar de alegria
porque foi um dom divino.
Quando acabar…
E, depois disso, acabar mesmo…
Chegará a gratidão.
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