Escritas

Lista de Poemas

A GRAVIDADE EM COMA

Preciso despressurizar a mente em pânico:

Fazê-la viajar sem medo

Pelos mares-veraneio do remanso benfazejo, tônico, atlântico!

Preciso despressurizar a mente em pânico:

Exorcizar os fantasmas nefandos,

Absorvendo as verdades quais me acossam

E seus longevos danos.

Preciso despressurizar a mente em pânico:

Quero reverter o processo

De atrofia e necrose dos meus neurônios

Para pôr minha vida novamente no prumo.

Preciso despressurizar a mente em pânico:

Saber que viver é um carro desgovernado

Continuamente em trânsito.

JESSé BARBOSA DE OLIVEIRA

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A LIRA DO SEPULCRO PREMATURO

O colapso da cor dos olhos.

O vermelho defluindo da boca

Como filamentos grossos.

A juventude encontrando

A imorredoura tumba,

Ainda na aurora da sua jornada-ventura.

No entanto

Este túmulo precoce

Não açaima a prole da mocidade:

As jovens flores

Que não se entregam á ciranda do banzo

Brados por liberdade

Continuam vociferando.

E por lá estes hinos soberanos vão se propagando:

Seja pelas ruas da outrora rica Mesopotâmia,

Seja pelas avenidas da África Subsaariana,

Seja pelas esquinas, praças e alamedas do mundo

Em que a paz é tratada onipresentemente

Consoante um precioso manipanso!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

http://bocamenordapoesia.webnode.com.pt/

- http://twitter.com/jessebarbosa27

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SONHO VEGETATIVO

Quero que o meu poema estafe o malévolo estafeta.

Quero que o meu poema derrote e macule a vileza.

Quero que o meu poema indelevelmente seja

O matrimônio perfeito do lirismo com a dureza.

Quero que o meu poema

Sidere completamente o rejuvenescedor DNA da hipocrisia.

Quero que o meu poema

Revele os sofismas

Que alimentam incessantemente

A sanha e a peçonha

Do Imperialismo, da Tirania!

Quero que o meu poema

Tenha o poder de trazer á tona

A maior de todas as epifanias:

Que a busca pela IGUALDADE

Não é, de maneira alguma,

O Supremo Triunfo da Mentira!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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Á PROCURA DE UM MUNDO ONDE HAJA SUNSHINE




As mãos tentam reter
O ar em sua superfície
Como matéria sólida.


Contudo, apesar da tenacidade do ânimo,
O sangue da atmosfera,
Pelos poros dos dedos, se liberta.


Então volto a ficar cabisbaixo:
Zarpando pelas águas
Da utopia onde se fixa
A universal felicidade retilínea,
Vislumbro a luz do sol pulverizar toda e qualquer mesquinharia.
JESSé BARBOSA DE OLIVEIRA
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VIAGEM AO CENTRO DO MEU CORAÇÃO

O quão gostaria de ser indiferente

Ao meu coração Atlântico e masoquista:

Emotiva tempestade oceânica

Que me domina, deixando

A temeridade ganhar substância

Para depois, de maneira imperativa,

Singrar toda a estrada da minha sina

Como se fosse a inexorável, vampírica

Csarina, A Grande Catarina!

Conforme uma febre irascível, raivosa,

O passionalismo, em mim, aflora:

Portanto, os assentes pilares da prudência

Comutam-se na mais moribunda geleira.

Assim, ao simples desabrochar

Dos olhos da aurora,

A sensatez cai morta

E descerra as comportas

Para a plena vazão

Da vontade indômita, furiosa!

Então, levianamente,

As palavras pululam

Do cérebro, convergindo

Célere e torrencialmente

Á malograda boca, impertinente.

A sinceridade dá o tom da retórica:

Os vocábulos grossa e sumariamente quedam

Tal um toró de chuva

Que rebenta do celeste ventre

Da soteroplitana primavera.

Afinal

Falo quando ela declara

Seu amor a outrem:

Sim, infelizmente,

Foi no momento adverso

Que os meus lábios de epicédio

Abriram o gás do verbo.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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A MENSAGEIRA DA LIBERDADE

O sol da utopia

É o pergaminho-lamparina

Que pavimenta e norteia

A alameda-alquimia por onde trilha

A sempre liricamente rija alma peregrina:

Ela se agasalha solícita

Com o manto da esperança,

Torcendo para que um dia

O deserto da mente humana

Vire frondosa e suntuosa Amazônia.

Ah, seu impávido espírito

Vive ao deleitoso sabor

Da ígnea aventura:

Por mais que seu barco-centelha

Naufrague e afunde

Nas profundezas abrasivas da úlcera,

O amor pela vida

Transforma este monumento á ideologia-candura

Na fonte mais prolífica

De imortalidade da magnânima luta.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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O VOO-ODE

Eu, a vela, a nau...

Eu, a jornada, a jangada, o jogral...

Eu, as estrelas, a estrada, os estafetas, o estendal...

Eu, a balsa, a valsa, a vala, o caos, a vazante, o vau...

Eu, a seca, a perda, a eira nem beira, a geleira, o fel, a treta, a majestade do sal...

Eu, o berro, a boca, a bomba, a fraga, a flauta, a falta, a sede, o embornal...

Eu, a guerra, a TERRA, a brasa, a cratera, A PRAÇA CELESTIAL...

Eu, a viela, a berinjela, a barrela, a vinícola, a Imagética, o parreiral...

Eu, o silêncio, a mesquita, a catedral, o concreto, a moreia, a Paz, A Pá de Cal...

Eu, o poema, a cadela, os pirilampos da favela, a cena, a marola, o plenilúnio do sol...

Eu, a Caatinga, Ipanema, o mar da Bahia, a poética aridez Cabralina, o Manguezal...

Eu, a ébana lida, Xangô, Tereza Batista, O Sambista, O PAÍS DO CARNAVAL...

Eu, a laje batida, a gata lasciva, o baba dominical...

Eu, o vento, a ventania, o tempo, o outro lado da Física, a ânsia gutural...

Eu, Lião, Policarpo Quaresma, Lea, A Miragem Vil-Metal...

Eu, Luísa Main e Zeferina, Zumbi, João de Deus, Lucas Lira, O Livre Líquido

Mineral...

Eu, Marighella, Che Guevara, Lamarca, Panteão do Araguaia, REVOLUÇÃO,

O Saber de Karl, A INTERNACIONAL...

Eu, Mandela, Malcolm X, Martin Lutter King, O Incolor Sonho Imortal...

Eu, Alegria-Alegria, A Palo Seco, Refazenda, Asa BrAnCA, Milagreiro,

Roda-Viva, Ideologia, Maria-Maria, A Mosca Na Sopa,

O Bêbado E O Equilibrista, Marina, Campo de Batalha e Malandrinha,

O Vento No Litoral...

Eu, o avesso do avesso, o verso, o verbo, a sedução do realejo,

A Comédia acontecendo, o Drama de não se conhecer a si mesmo,

Ocasos, orgasmos, beijos, canaviais, carvoarias, lagrimas efusivas,

A Vida Afinal!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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Á PROCURA DO TESOURO DA ALEGRIA

Melros, marfins, motos,

Mares, moços, magos e moçoilas:

Os olhos observam o gozo

De se viajar á toa.

Pérolas, pernas, pedras,

Passos, passados, pastos,

Patos, planaltos, pessoas:

A imaginação --- quando

É libérrimo pássaro ---

Velozmente voa.

Córregos, carroças,

Canduras, camelos,

Canções, concertos:

Ouve-se --- em silêncio ---

O inerme som do relógio batendo.

Água, assanhaço,

Ábaco, âmago:

Beleza é vê a natureza

Soberanamente reinando.

Marisa, Maysa,

Maria Rita, Mariana Aydar:

A vossa voz e música

Regozijam-me, cintilam-me o ar!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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RESPIRANDO O DESERTO DOS HOMENS

O remanso da alma

Tarda a se fazer aurora hialina:

A esperança vira estafa e se suicida,

Deixando-nos ao bel-sabor,

A bem que se diga,

Da violência fria, que pavimenta lancinante e imperativa

A jornada do sol de nossas rotinas.

Enquanto isso os barões do Hades e das armas ígneas

Transformam infinitos oásis ou banquetes da chacina

Em chafarizes onde jorram miríades e milhares de abjetas divisas.

Ah, esta Era empedernida faz do amor criança desnutrida:

Converte a oceânica opulência da alegria

Na mais suprema seca da Poesia:

No maior dínamo-nau da sua abissal e imorredoura agonia!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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E A CHUVA SE DERRAMA


E a chuva cai como gotículas...
E a chuva cai enfurecida...
E a chuva cai carcomendo o asfalto...
E a chuva cai emitindo sons vociferados...
E a chuva cai liquefazendo ravinas...
E a chuva cai apagando sonhos e orgânicas lamparinas emotivas...


E a chuva cai Hanseníase...
E a chuva cai Leptospirose...
E a chuva cai Aedes Aegypti...
E a chuva cai Tuberculose...
E a chuva cai Lâmina cortando carne...
E a chuva cai Estafeta que profetiza a iminente Hecatômbica Morte ...

E a chuva cai assolando o Nordeste...
E a chuva cai Gaia cansada de apanhar inerte...
E a chuva cai La Niña, que desdenha o pranto dos Inocentes...


E a chuva cai na Bahia....
E a chuva cai Amoníaca...
E a chuva cai sobre a Pátria da poesia Barroca-Abolicionista-Tropicalista...
E a chuva cai sobre o solo da Ébana Rebeldia...
E a chuva cai sobre o Nascedouro de Marighella, Lucas Lira, Pedro Bala e Janaína!



JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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Comentários (1)

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Lelê
Lelê
2022-01-23

Não concigo decorar.........