Lista de Poemas
Eu fiz por você
Hoje, o dia amanheceu como outro qualquer
Sem vislumbre de cor e sem calor
A única maneira de suportar essa dor é você
Mas meus erros me levaram
Pra tão longe de você
Todas aquelas coisas que eu tentei dizer
Todas as promessas que errei em fazer
Tudo de errado ou certo que fiz
Eu fiz por você
Agora cada passo que dou só me leva pra longe de você
Tantos sentimentos que fica difícil até pensar
Meu coração está por um fio, minhas asas quebradas
Nunca imaginei que seria assim tão frágil
Eu procuro no fundo de minha alma
Algo que possa trazer você de volta
Você é tudo que quero pra mim
E tudo que fiz, fiz por você
Marcas do que não foi
As ranhuras que você deixou incrustadas na minha alma
Parecem fendas que se alargam cada vez que
Me percebo no tempo que fora gasto
Em ilusões e sofrimentos desnecessários
Quanto sentimento jogado na lixeira do descaso
Você nunca me viu e eu tantas vezes sonhei contigo
Você nunca compartilhou os sons do seu coração
E eu desnudei o meu deixando-me totalmente a mostra
Tantas mentiras travestidas de ilusões passageiras
Tantos desejos humilhados e arrastados na corrente
Lamacenta de suas fantasias momentâneas
Ora a raiva chicoteia meu corpo cansado
Ora a tristeza lambe minhas feridas sempre abertas
Lamento cada segundo gasto com minhas fantasias
Lamento ainda mais não ter tido a coragem
De simplesmente arrancar essa pele amarelada
E marcada por chagas que ainda doem
O sangue que jorra agora dessas entranhas
Lavam esse caminho que não brotou flores
Mas apenas pedras e espinhos
E os meus lamentos e dores
Escolhas
Nasço...
E nesse nascer sinto a dor
De ver a luz que me acompanhará
Por toda minha existência
Rasgo a pele fina
Descubro que o crescer
Envolve alegrias e sofrimento
Cresço...
Os conflitos se formam e tomam conta
Os gritos abafam as palavras
E calam-se no silêncio das dúvidas
Momento de descobertas
Caminhos que se apresentam
Que tomam forma, que moldam
Que me moldam
Lanço-me...
À busca do conhecimento
O desejo de aprender
Levam-me para todos os lados
E cada um se revela como possibilidade
De crescimento pessoal e profissional
Perscruto...
E sigo adiante no erro e no acerto
E abraço com carinho
O que me é revelado
Não chamo destino
Chamo caminho...
Te esquecer
Às vezes na madruga penso em você
E na angustiante luta que travo
Para tentar te esquecer
Junto-me a caneta e ao papel
E vamos tecendo fórmulas
Que possam amenizar
A dor que é te querer
A madrugada se esvai
Como minhas frustradas ilusões
E outro dia renasce
E outro amanhã que chega
Visto a máscara que me enclausura
E saio para vida sorrindo
Como se no meio do caminho
Diante do que possa acontecer
Vou me Iludindo que já consigo te esquecer
Envelhecer
Acho que estou envelhecendo,
Mas não são as marcas que aparecem no meu rosto
Tão pouco a flacidez dos membros
Que me trazem essa confirmação
É a certeza que já não preciso mais ter pressa
Meus pensamentos e minhas ideias são meus
Agradam alguns, são desprezados por outros
A opinião alheia deixou ter peso na minha vida
Estou envelhecendo no melhor sentido
A impaciência e ansiedade de outrora
Agora dão lugar a uma calma e leveza
Que passei anos buscando e lutando
Para que chegassem naquele tempo
Percebo agora que chegaram no momento certo
Estou envelhecendo para sentimentos
Que antes me faziam passar horas desperta
Agora já não têm mais a menor importância
O que me afligia e angustiava tornou-se
Uma vaga lembrança e que aos poucos
Vai se perdendo na memória
Estou envelhecendo para conceitos
Pré-concebidos e que nunca
Levaram-me a lugar algum
Como águia que precisa trocar bico e garras
Estou na minha montanha solitária
Passando pelo processo de transformação
Que vai se ajustando ao que me é importante
Hoje eu tenha plena consciência do que NÃO quero
E essa consciência me liberta e ao mesmo tempo
Torna meu caminhar um pouco mais oneroso
Ter a certeza do que não se quer pode te limitar
E também permitir encontros mais verdadeiros
E que lhe proporcionam muito mais aprendizados
Estou envelhecendo e já não são mais falsos sorrisos
Tão pouco palavras largadas e sem sentimentos
Que conseguem quebrar as barreiras,
Que conscientemente construí
O processo de envelhecimento te limita a visão
Mas aguça o verdadeiro enxergar que está
Muito além dos olhos da carne.
#daalmaparaaescrita
Lápis
Apontar um lápis é uma arte
Mas não basta apenas pegar a lâmina
E descuidadamente ir ferindo a madeira
É preciso cuidado e atenção ao esculpir
O grafite aos poucos vai surgindo
Como o grande ator principal
De uma peça que ainda
Precisa ser escrita
Apontar não se faz com pressa
Às vezes gasta-se vários minutos
Pode-se meditar enquanto
Vai desnudando o grafite
Mas não o afine demais
A ponta precisa ficar macia
E ao deitá-lo sobre a página branca
Faça-o com graça e sutileza
Não imprima força desnecessária
Para tocar o papel e despejar ali
Não só conjunto de letras ou desenhos
Mas sonhos e fantasias
Em sombras de nostalgia
#daalmaparaaescrita
Um dia...
Um dia você vai chegar
E eu estarei ali, a sua espera
De banho tomado e alma lavada
O lixo que antes ficava à porta
Será para bem longe levado
A poeira que antes impedia a visão
será retirada das janelas
E poderás ver o sol quando se por
Ou quando esse vier no alvorecer
Plantarei flores para que seu caminho
Ganhe do vento o seu suave perfume
Despida das grossas camadas
De dores e lamentações
Estarei vestida de novos sonhos e esperanças
A suavidade do tecido que cobrirá meu corpo
Terá a transparência dos meus desejos
Como as flores que florescem na primavera
Depois das podas necessárias
Te encontrarei de braços e coração abertos
Para juntos escrevermos novas histórias.
#daalmaparaescrita
Caminho
E ainda que não consiga desvencilhar-me
Dos espinhos que ora ou outra
Arranham minhas enfadadas esperanças
Vou seguindo o que
Por algum tempo
lutei e resisti
Mas que agora
abraça-me
com carinho
Não chamo destino
Chamo caminho
#daalmaparaaescrita
Almas
Em algum lugar você está
O sorriso leve
O olhar sincero
O toque nos momentos de
Intensa atividade
As palavras que não precisavam ser ditas
O aconchego a segurança
A certeza de que seria eterno
Não me sobrou mais nada
Apenas um coração oco
Vazio de sentimentos
Perdida me encontro
Sozinha na multidão
Não há ninguém capaz
De me acalentar
apenas com um olhar
Cada rosto que a mim chega
Não consegue preencher
O abismo formado
Sinto nossas mãos no último toque
Vejo a fina linha que nos prendia
Dissolvendo-se no ar
Aos poucos vou me esquecendo
Do teu belo rosto e me desespero
Quando o vento sopra imagino
Você sussurrando ao meu ouvido
A poesia que me presenteava
A cada manhã com palavras
Que tornavam-se melodia
E que iluminava cada segundo
Do meu longo dia
Hoje a poesia me acompanha
E tento em vão colocar em palavras
A saudade que me devora
Na tentativa infeliz de amenizar
A dor da ausência e a certeza
De que longa será a jornada
Até nosso reencontro
Nada que digo ou faça
Tem qualquer importância
Porque nada nem ninguém
Ocupará o lugar que você
Com sua doçura, inteligência
Amor descomplicado
Soube tão bem conquistar
Caminho tão somente por caminhar
Consciente que você está feliz
E assim como eu aguarda pacientemente
O momento certo de nos reencontrar
Mas a saudade, às vezes, bate sem dó
Amor da minha vida...De tantas vidas!
#daalmaparaaescrita
ALZHEIMER: a dor do esquecimento
Lembro-me perfeitamente dos tempos de infância
De correr pelas campinas, apartar as vacas
Brincar com meus irmãos, ir aos bailes para namorar
O tempo passado me é o mais presente
Esse presente que são apenas borrões
Sei que fico agressiva, irritada
Repito as mesmas perguntas o tempo todo
Os que estão a minha volta também se irritam
Não sei o que acontece comigo
Esforço-me para lembrar, mas não consigo
Percebo minha fala estranha
Não consigo formular frases, nem as mais banais
Por isso acho melhor ficar calada
Esqueço o chuveiro ligado, mas nem sabia
Que tinha ido ao banheiro
Alguns rostos à minha frente não consigo distinguir
Acho que são meus, mas não me lembro
Dizem que são meus filhos, meu marido
Mas eu não os acho na minha memória
São estranhos que brigam comigo
Meu andar já não é tão fácil como nos tempos de juventude
Será que caí e me machuquei?
Não me lembro
Vejo os dias nascerem e partirem
E vou criando um mundo só meu
Pareço uma estranha diante de tantos estranhos
Só queria que não brigassem comigo
Fico sozinha querendo entender as coisas
E me disperso com tanta facilidade
Será que estou doente e não me dizem nada
Ontem tentei comer um pãozinho sozinha
Mas as minhas mãos me traíram
Agora elas tremem e evito segurar as coisas
Porque esses estranhos brigam comigo
Passo horas olhando o céu, existe alguém lá
Mas não consigo me lembrar
Hoje eu ganhei um abraço, fiquei tão feliz
Mas não sei quem é a moça
Ela diz que é minha filha
Mas eu não sei se tenho filhos
Fiquei com pena dela, coitada
Ela acha que eu sou a mãe
Vejo-me tão enrugada, acho que estou velha
Mas nem sei que idade tenho
Será que já cheguei aos quarenta?
Perguntei isso outro dia e um rapaz
Que eu nem conheço me chamou de vó
Achei tão estranho...
#daalmaparaaescrita
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