Lista de Poemas

AMOR ONÍRICO

Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.

Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.

Itamar F S

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DESTINO


Cativo como um onívoro faminto,
Descarregando a fome pelos olhos,
Observando o que eu já não sinto:
Esse sorriso - eu sigo à meus antolhos.

Tento lamber os meus próprios piolhos
Pra expressar-me um pouco de carinho.
Mesmo trancado em tantos ferrolhos
O mal jamais me deixará sozinho...
 
Assim figura o meu destino inccerto,
Perdido, como um trivial inseto
Se rastejando à procurar a luz.

E toda vez que m'encontrar mais perto
Do brilho que ofusca - '' o céu aberto'' -
Inda mais perto eu estarei da cruz.

Itamar FS

 
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SEI QUE UM DIA JÁ SONHEI A VIDA

Sei que um dia já sonhei a vida,

Hoje, já nem lembro o que sonhei.

Somente o talho aberdo da ferida,

Expressa, siso, o riso, que fiquei.

 

As mãos, tão falhas, a agarrar a ida

De todas as promessas que falhei...

Sei que um dia já sonhei a vida,

Hoje, já nem lembro o que sonhei.

 

Minha memória, torpe, esquecida,

Decora a tumba, da qual, afundei

Toda minha história ensandecida.

Sequer recordo onde que errei.

Só sei que um dia já sonhei a vida...


ItamarFS
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SOUL-EU

Eu fui melhor
Sem ser melhor, 
Sem ser pior:
Eu só queria...

E era assim,
Sendo pra mim,
Um pouco, em fim,
O que seria...

Agora sou
O que Sobrou
De quem olhou
Oque se via...

E me tornei
O que falei,
E acreditei
No que ouvia...

Itamar FS

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QUEDA

Quando o céu se abrir e eu cair,
E minhas asas brancas, amarradas, 
Agonizar ao som divino das sonatas
Que comemoram o meu partir -

Dancem comigo meus desejos,
No abismo frio que me espera;
Decorem cada agrilho, cada cela,
Qu'estatizam meus segredos.

E na companhia rastejante do hereges 
Seres, que partilham do mesmo gosto
podre; que eu tenha paz à destruir

O escravo, réu de minhas preces...
Que as sombras brilhem em meu rosto
Quando o céu se abrir e eu não subir.

Itamar FS

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ALMA CULPADA

Alma minha, que no empalo da maldade
Tem seu carrasco a própria chama.
Clamas ao Deus de tua angustia torpe
Para que finde a dor que a ti inflama.

Prostra-te no alto cimo de tuas turbas sorte,
Para que aches, à mercê, empíreo atino
Na Epigênese, que rutila à dor do exílio
Da decadência natural de tua prole.

Oh! Minh'alma, que na divina solidão atribuíste
Toda a verdade nua e crua, que, atenua
A oscilação de crer que o céu ainda existe.

Não vês que a febre da angustia consumiste,
E dela pôs-se a alimentar a sua culpa,
Desde o altar, que, sobre laudas, sucumbiste. 

Itamar FS

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AO MEU IRMÃO

Quem foi o teu juiz carrasco, irmão,
E estrangulou teus dias com arrigo;
O que queria ele ter contigo, irmão,
Que não podia ter comigo?

Que mão trevosa apertou o gatilho
De nossas dores co'estrondar trovão;
Qual deus cruel nos impôs o castigo
De não cabermos no mesmo caixão?

Irmão - horda de células que a vida apartou -
Cá eu fique a cuidar de quem tanto te amou
E a regar teu jardim - nosso Laço fiel!

Deixa a mim a história e a tua saudade!
Em viver, cumprirei tua eterna vontade:
Olhar as estrelas - vai-te, logo, pra o céu!


Itamar FS

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É INVERNO NA RUA

É inverno na rua;
e os insetos nas flores
se abrigam das dores,
e a lua tão alva.

É inverno na rua;
E os cães sonhadores
buscando favores
abanam a cauda.

É inverno na rua;
e as luzes, e as cores,
e os vadios cantores
que o frio enalta...

É inverno na rua;
e nas poças, amores,
teimosos senhores
buscando ressalva.

É inverno na rua;
e a trupe de atores,
fingindo indolores,
enganam seu trauma.

É inverno na rua,
e na carne tão crua
da minha tão nua 
Alma...

Itamar FS

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HERDEIRO DE ANTIGOS DIAS

Aprisionado num tumor d'encarne, vago 
Sob o flagelo espectral de pus e dores. 
Sangro o frescor assíduo de eterno horrores 
Desde meus sonhos ancestrais - divino fado!  

Se a supérflua solidão de antigas preces, 
A mim, pudesse guarnecer a empatia, 
Eu saberia, assim, sofrer da agonia 
E ser escravo de um agror que me fenece.

Vem - findas horas - soterrar-me nessa terra,
Pois eu carrego o vírus - ávido pecado -
E no meu ser a morte jaz e nunca erra!

Vem pra sanar o filho ignóbil da megera,
Que no jardim, agrilhoou em dor de parto, 
A vida e toda a criação à tua espera!

Itamar FS

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PARA MINHA MÃE

Embriológica certeza de pura luz abreviante,
Cujos caminhos me guiaram até a vida;
Tornes pra mim, agora, e para toda lida,
A expressão maior da força  fecundante!

E em meu pecado primogênito de infante,
Quando ao sentir o frio, afronto, do teu seio,
Todas as coisas que competem o teu peito;
Que possa eu achar a glória nesse instante!

Tão Preciosa Musa -  Rainha Perfeita -
Que em seu trono siso nunca se suspeita 
O mal agouro ou a solidão!

És para mim, e, sempre, não há outra
Mãe que caiba bem na minha boca
Muito menos em meu coração!

Itamar FS

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