Lista de Poemas

Condolências

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer o quanto
errei a respeito de tudo que
pensei, e cheguei a lhe dizer. 

Seus vômitos, suas lágrimas,
sua fragilidade, sua doença.
Minha adolescência, minha
fatalidade foi a impaciência. 
Quantos ingredientes para
formar meu revoltado ódio.   

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer que ainda
não mudei, e continuo sendo
revoltado e mal-humorado.
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Inferno rubro



Paixão.
Quanto a esta
doença secreta e fria: 
Estou completamente
curado. Cancro miserável 
de um mundo que se esvai
ao inferno qual expurguei
para perpetuo ser tanto
quanto eu perturbado
e a mil anos de danação
marmorizado.
Paixão.
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A morte do amor

Choro.
Para não dizer nada.
Para ser ouvido.

Seu corpo 
se prepara, se afasta,
com nossas memórias 
morrendo. 

E neste 
momento, não perece
você, não pareço
ser eu.
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Culpa

Me perdoa. 
Eu não quis machucar nós dois.
A culpa é minha. 
Eu só te feri com estas mãos.
Só restam
dias solitários em nós que doem mais em mim.
Vazio é a única sensação.
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Órfão

Eu estava de joelhos perto da
cama onde minha mãe 
a morrer,

parecia renascer ou acabar 
com isso que chamam
de vida. 

Levantei-me e não me sentia
mais um filho a não ser
um órfão.

Lembro-me tão bem, 
desde então o momento é o
único reconhecível. 

Apoiei a mão sobre sua testa.
Fiquei até os minutos 
seguintes. 

Eu ia fazer dezoito anos e ela
parecia de dor sofrer, 
suspiros. 

Era o mês dos nossos
nascimentos: Eu, para a vida
e ela para a 
morte.
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Ternura

Ainda te vejo tantas vezes
e olhar-te é devolver a
mim mesmo sem que
nunca (mais) possa
ser de fato
meu.

Assim, me impeço e limito
ao mais ínfimo prazer 
como um algemado,
a muito custo, sobreviver,
pela carícia dos olhos 
que amam em segredo e
revelam sem perceber.
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Reminiscências

Já não somos mais como antes.
Mas ansiamos por tal memória. 
E a vida, sempre nos parece tarde
para resolvermos qualquer história. 

Carregamos no coração, um 
outro, distante e perdido tempo. 
Onde desejamos e perdemos. 
Onde verdades, não ensaiamos. 

De novo rememoro sem este
objetivo de completar a leitura
por achar-me em via tortuosa
de culpa sempre presente.
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Como as coisas são

Cresceu um homem em mim. 
Senti até crescer de coração.
Vivo, estava enredado em si. 
Assim era sua aflita condição.

Ele tinha duas crenças: que 
o homem acabara de sofrer 
pelo homem e a verdadeira
felicidade se o tempo permitisse
era suportar incessantemente 
a inutilidade de existir. 

Traçando uma carícia no rosto, 
sem o vício eterno d' fascínio
que deslumbra e esfola, viu a
face inimiga d' apego acinzentado,
de que não havia mais o que perder. 
Ele teve que ser este homem
no espelho se olhando 
e não gosta do que vê.
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