Lista de Poemas
Lua pela vida
Como só tu soubesses
Onde escondo o pôr-do-sol
E a lua pela vida
É como se a noite
Me emprestasse o saber
Entre o verso e a alvorada
O desejo e a eternidade
Teu abraço devoluto
É rasgo
É tudo
É momento
Teu abraço devoluto
É nuvem incerta
Que seduz o vento
Dilúvio enfermo
Céu que flameja
Deixa a descoberto
As entranhas do tempo
Há um caminho
O poema desobedece
Sempre que o corpo adoece
E se torna refém da vida
Há um caminho
Percorrer nas letras
O que falta aos dias
E deixar por legado
O que na memória
Adormece
Olhares marcantes
Gosto das palavras com sentimentos
Emoções com gestos
Gosto da chuva sem vento
E das conversas sem tempo
Gosto dos invernos à meia-luz
E dos abraços que não se pedem
Gosto de olhares marcantes
Quando os nossos corpos se perdem
Gosto dos dias a acabar
E da noite por dizer
Gosto de amar
E do por do sol
Junto ao mar
Ao Arrepio do Toque
Olha como o pôr-do-sol nos leva a mácula
Que o nascer do dia debrua
Vê como o silêncio no olhar irrompe
E devolve à noite
O que os dias não curam
Sente que a noite te abraça
Sempre que os corpos falam
Ouve o que a pele te diz
Ao arrepio do toque
Imagina o que os corpos
Dançam
Quando da noite se faz música
Dois Rios
Disseste o meu nome
ao desaguar na foz
Disse o teu à nascente
Como se dois rios se encontrassem
E dessem as mãos
Em leito estreito
e
Nessa torrente
De desejo
Partimos em busca do sal
Do arrepio
Desse gesto
De nos olharmos por dentro
Percorrendo as margens do tempo
Colhendo o nosso vento
Verde Orvalho
Quando adentro pela natureza
Deleito-me com a vida
Que nasce debaixo dos pés
O verde orvalho
É uma memória
Uma infância distante
O doce cheiro dos afectos
E da terra molhada
Os dias pequenos
E o crepitar manso
Da chuva cansada
A Tua Fonte
O gosto do beijo
Que bebo da tua fonte
Tem o travo do mar
E o arrepio das ondas
A fome da tua boca
É um soneto em Neruda
Faço poemas nos teus
Lábios meus
Porque te sinto
Tal como um vulcão
Se exaspera nas entranhas
Verbo
E se contigo
O verbo falasse
Num tempo que não existe,
Só nosso,
Ausente dos dias e da incerteza
Conjugado no olhar
Sem reticências ou
Predicados que nos assombrem?
Primavera
Após tantos invernos sofridos
Só agora percebo que a primavera eras tu
E o sonho era meu
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